Friday, September 22, 2006

COMÉRCIO JUSTO



Comércio Justo

Quando tomamos uma “bica”, talvez não tenhamos consciência que, dos cerca de 50 cêntimos que pagamos, menos de 1 cêntimo (menos de 2%) reverte a favor do produtor, na América Latina ou em África. Será isto justo?
Obviamente que não. Trata-­se, apenas, de um entre os milhares de exemplos que explicam a continuada transferência de riqueza dos países do sul (subdesenvolvido) para os do norte (industrializado).
Há muito que se sabe que estas relações injustas não se resolvem com ajudas pois elas não incidem sobre as causas da miséria.
Foi, a partir desta ideia que se começou a organizar o Comércio Justo na Europa, como resposta a um apelo dos países do Sul, na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, em 1964.
O Comércio Justo (CJ) é definido pela Rede Europeia de Comércio Justo como:

“uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado. O Comércio Justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. A sua missão é a de promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização”.

O CJ é uma alternativa ao comércio tradicional, regendo-se por valores éticos em vez de critérios económicos. Entre esses valores há que salientar, entre outros, a rejeição do trabalho infantil, o respeito pelos direitos humanos e pelo ambiente, a promoção do desenvolvimento sustentável, a valorização das mulheres e o pagamento de um preço justo.
Os protagonistas desta forma de comércio alternativo são:
Produtores - envolvem cerca de um milhão de trabalhadores, em mais de 800 cooperativas de 45 países do Sul do Planeta.
Importadores – são cerca de 50 organizações que se situam, principalmente, na UE mas também na América do Norte, Japão e Austrália. Os produtos envolvidos são alimentos, têxteis e artesanato.
Lojas do Mundo – na Europa contam-se perto de 3000 Lojas do Comércio Justo, tendo a Alemanha o maior número.
O conceito de CJ entrou em Portugal, em 1995 por iniciativa do CIDAC (Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral) mas a primeira loja só abriu em Agosto de 1999. Daí para cá, este movimento foi crescendo com lojas já abertas em vários pontos do país e outras em vias de inauguração. No Algarve, por enquanto, existe, apenas, uma em Faro.


Luís Moleiro aderente do BE


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