
Friday, April 27, 2007
AS Comemoraçoes do 25 de Abril em Portimão

BE - AMAL

João Vasconcelos
Tuesday, April 24, 2007
Mais uma óptima crónica de Alberto Matos

24 ou 25 de Abril
Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 24/04/2007
Sunday, April 22, 2007
CONGRESSO DA FENPROF

João Vasconcelos
Desde o 8º Congresso da Fenprof, em 2004, muita coisa mudou no país, agravando-se as condições de vida de quem trabalha e, em contrapartida, as benesses e os privilégios aumentaram para os mais ricos e poderosos. Depois da governação desastrosa de uma direita rançosa, trapalhona e fraudulenta, a alternativa PS prosseguiu a saga neo-liberal ainda com maior virulência. Sócrates, à frente da cloaca governamental, ou melhor, de uma pandilha de vilões e sacripantas, declarou guerra aos trabalhadores, aos jovens, ao povo que fez Abril e que clama por novas políticas – terrorismo social é o mote do governo Sócrates!
O “Engenheiro” Sócrates, da Independente (que vergonha!), está a comportar-se exactamente como o faria o Robin dos Bosques, mas ao contrário – rouba os pobres para dar aos mais ricos. Enquanto os banqueiros, os Belmiros, os administradores da PT e da EDP auferem milhões e milhões de lucros e indemnizações, os funcionários públicos são espoliados noutros milhões de euros, por força do congelamento dos escalões, o desemprego já atinge os 600 mil (com os inactivos disponíveis e o sub-emprego visível), os precários aumentaram para cerca de 2 milhões e a exclusão social alastra como mancha de óleo.
Onde estão as promessas do 1º Ministro PS? Como se isto não bastasse, aumentou os impostos, aumentou a idade da reforma alterando as regras do jogo a meio da tabela e gorando as legítimas expectativas de milhares de pessoas, atirou o sector privado contra o público, os pais contra os educadores e professores deste país, os desempregados contra aqueles que ainda têm trabalho.
É verdade camaradas: Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e restante governo não olharam a meios para atingirem os seus fins – em nome do famigerado défice, decretaram, como referi, uma autêntica guerra aos funcionários públicos e, muito em concreto, aos educadores e professores deste país. Como muito bem disse um dia destes Santana Castilho, “os docentes foram os primeiros a serem imolados” com a imposição de um novo Estatuto. Aí temos a destruição do Estatuto da Carreira Docente, com a divisão economicista e escandalosa entre professores titulares e os outros profs; cerca de 50 mil docentes estão no desemprego; milhares de contratados continuam em situação precária, outros são contratados por privados para trabalharem a recibo verde; aumento do horário de trabalho efectivo e congelamento da progressão na carreira; aumento da idade e do número de anos de trabalho para atingir a aposentação; cerca de 20 mil professores estão em risco de irem parar aos disponíveis, ou seja, ao desemprego; o mesmo sucede com 2 mil docentes do Superior que estão em risco de irem para a rua devido aos cortes orçamentais; milhares de escolas do 1º ciclo fecharam e vão fechar, desertificando ainda mais o interior; os salários reais entre os docentes não param de baixar; avança-se com a degradação sistemática e destruição da Escola Pública, enquanto se favorece o ensino privado, a municipalização da educação vai avançar a passos largos, é a desresponsabilização completa do Estado.
Perante este ataque sem memória da parte de um governo desbragado que, obcecado com a redução do défice e os critérios monetaristas do Pacto de Estabilidade e Crescimento, mas só para quem trabalha e estuda honestamente, impõe-se inevitavelmente uma questão: que fazer? Fizeram-se grandes lutas e mobilizações de professores, dezenas de milhares encheram as ruas de Lisboa, as greves decretadas até foram assinaláveis como há muito não se via e desde o 25 de Abril – facto inédito – que não se formava uma plataforma de envergadura agrupando 14 organizações sindicais de docentes de várias sensibilidade, o que foi deveras muito positivo. E a nossa FENPROF, foi a grande protagonista e dirigente de todas estas lutas e mobilizações. Este governo, teimoso e autista, fazendo apenas pequenas cedências, tem prosseguindo na sua escalada neo-liberal contra-revolucionária.
Torna-se necessário e urgente passar ao contra-ataque, não dando descanso ao Ministério da 5 de Outubro e ao governo. De um modo geral, a FENPROF, como a organização mais representativa da classe docente, tem sabido responder positivamente a esta ofensiva neo-liberal, atenuando e retardando os prejuízos no sector do ensino e educação. Não obstante algumas lutas importantes que conseguiram mobilizar dezenas de milhar de educadores e professores contra a política governamental, os êxitos têm sido dispersos e de pequena dimensão. Mas é possível ir mais longe, é possível a conquista de vitórias assinaláveis para a classe docente, valorizando e dignificando a Escola Pública. E atirando o presente Estatuto da Carreira Docente, que foi imposto, para o único local onde lá deverá estar e não sair – o caixote do lixo!
As lutas devem procurar desgastar o Governo, incluindo o Ministério da Educação, e não desgastar-se a si próprias, importa enveredar para a convergência nacional dessas lutas. Importa unir os mais variados sectores, alargar os protestos, preparando assim as forças para novas radicalidades, para acções mais avançadas e arrojadas.
E a FENPROF tem capacidade para protagonizar movimentos vitoriosos, como seja, rebentar e estilhaçar com o actual ECD, verdadeira nódoa e afronta à classe docente, deve ser revogado e não regulamentado – isto só se consegue com combatividade, mobilização e ampliação das lutas, sem sectarismos e burocratismos, na unidade e diversidade de ideias e opiniões, de vontades e sensibilidades. Daí o meu apoio ao Plano de Acção aqui apresentado pelo Secretariado, porque acredito que só os professores e educadores são os verdadeiros donos dos Sindicatos que formam a FENPROF, logo só os educadores e professores são os verdadeiros donos esta grande estrutura sindical. Todos à luta dia 25 de Abril, 1º e 30 de Maio.
Viva a FENPROF!
Observação: Intervenção feita no 9º Congresso da FENPROF, em Lisboa, no dia 20 de Abril de 2007. Neste Congresso, João Vasconcelos, Delegado Sindical na Escola E. B. 2, 3 D. Martinho de Castelo Branco (Portimão) e Maria Eugénia Taveira, professora na Escola Secundária Tomás Cabreira (Faro), foram eleitos, na lista alternativa, membros do Conselho Nacional da FENPROF.
Thursday, April 19, 2007
IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

COMEMORAÇÃO DO ANO EUROPEU DA IGUALDADE DE OPORTUNIDADES PARA TODOS
Vou começar a minha intervenção com uma citação de Óscar Sanchez, prémio Nobel da Paz em 1987, “A expressão mais bela e enriquecedora da vida humana é a sua diversidade. Uma diversidade que não pode servir para justificar a desigualdade; a sua repressão empobrece a raça humana. É nosso dever facilitar e reforçar essa diversidade a fim de chegar a um mundo mais equitativo para todos. Para que exista a igualdade, devemos evitar as normas que definem o que deve ser uma vida humana normal ou a forma normal de alcançar a felicidade. A única qualidade normal que pode existir entre os seres humanos é a própria vida.”
Resume-se isto afinal àquela frase já tão nossa conhecida “todos diferentes, todos iguais.” 2007 foi declarado o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, e, segundo dados estatísticos de um inquérito da U.E., a maioria dos europeus acredita que a etnia, a religião, as deficiências, a idade e o sexo, podem ser um obstáculo à procura de emprego, inclusive, quando o nível de qualificação é o mesmo; as mulheres ainda ocupam menos de uma quarta parte dos lugares no Parlamento Europeu. Uma ampla maioria dos europeus crê que ser deficiente (79%), ser cigano (77%), ter mais de 50 anos (69%), constitui uma desvantagem na sociedade onde vivem; uma grande maioria é da opinião de que são necessárias mais mulheres em lugares de chefia (77%) e mais deputadas (72%). Em geral, os resultados confirmam que os europeus estão prontos para a mudança, com uma ampla maioria a favor da adopção de medidas destinadas a promover a igualdade de oportunidades para todos no domínio do emprego. Citando Fernando Pessoa in Mensagem “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”; há que aproveitar esta onda de boa vontade, que deseja a mudança e lançar mãos à obra pois ainda há muito por fazer!
No caso concreto de Portugal, vou cingir-me à questão da integração dos imigrantes, dos deficientes e da violência doméstica.
Uma semana depois do cartaz xenófobo colocado no Marquês de Pombal, o “Diário Económico” revelou que os imigrantes que trabalham em Portugal contribuem 7% para a riqueza nacional, isto apesar da exploração a que estão sujeitos, das dificuldades em obter a sua legalização e da recusa dos bancos em fornecer empréstimos aos imigrantes para compra de casa; Ora a residência fixa é um requisito para a legalização e de facto são dezenas de milhares os imigrantes que não estão legalizados, ficando assim à mercê da exploração fácil e sem os direitos sociais fundamentais. Neste sentido, a bancada do B.E. apresentou na Assembleia Municipal de 27 de Abril de 2006 uma moção, solicitando à Câmara Municipal que implemente a criação de um Conselho Municipal de Imigrantes e Minorias Étnicas, que contribua para a sua legalização, trabalho com direitos, residência, cultura e integração. Até hoje, não obtivemos qualquer resposta apesar da moção ter sido aprovada por maioria.
Não nos podemos esquecer que somos um país de emigrantes, muitos também em situações irregulares e devemos ter presente o episódio que aconteceu há tempos na Canadá e que tanta polémica causou; por isso há que combater eficazmente esta vaga de xenofobia que só envergonha um país que ainda pretende ser um estado democrático.
Quanto à violência doméstica exercida sobre as mulheres, segundo dados da APAV, aumentou cerca de 30% no ano de 2006. Muito há a fazer para inverter estes números que, segundo a própria Associação, estão longe do número real de casos, apostando na formação cívica desde a mais tenra idade, tendo a família e a escola ainda um longo caminho a percorrer na contribuição para a mudança de mentalidades.
Muitas outras violências recaem sobre as mulheres, nomeadamente na candidatura ao emprego, quando em igualdade de circunstâncias e às vezes com qualificações superiores a outros candidatos do sexo masculino, são preteridas e uma das principais razões é que futuramente poderão cometer o”delito da maternidade”. Entre a escuridão e a luz do dia esteve um ventre materno que deu a possibilidade a todos os homens de cintilarem neste Universo.
“And last but not the least” a questão da integração dos deficientes que, no nosso País são cerca de um milhão, no mercado de trabalho e na sociedade em geral, onde temos que pugnar para melhorar a sua assistência médica e reabilitação, educação e formação, emprego, meio físico e transportes.
Já é significativo que estejamos hoje aqui reunidos, nesta Assembleia Municipal, para debater ideias e tentar arranjar soluções, mas o mais importante é a mudança de mentalidade e atitude, que têm de surgir de dentro de cada um de nós e termino com a seguinte citação do Dalai –Lama:”Se hoje nada mudares em ti, nunca alcançarás amanhã aquilo que realmente desejas ser.”
Luísa Penisga,
Membro pelo B.E. na Assembleia Municipal de Portimão
VIVA O 25 DE ABRIL!!
Mas eis que, quando menos se esperava, rompeu a madrugada e, “Depois do adeus” (Paulo de Carvalho), Portugal desperta para a democracia em que “O povo é quem mais ordena” (José Afonso – Zeca, para os amigos).
Está prestes a celebrar-se o trigésimo terceiro aniversário de tão valoroso feito.
Não tem sido fácil o crescimento da democracia. Se os “vampiros”, talvez, foram abafados, o certo é que têm vindo a ser substituídos por “tubarões” devoradores de recursos económicos, sob uma vergonhosa protecção neoliberal que vigora, permitindo o encerramento de milhares de postos de trabalho e a resultante instabilidade social e económica de que hoje Portugal padece.
Por isso nota-se já, da parte de uns tantos, o desejo de cantar a canção “O tempo volta p’ra trás” (António Mourão). Porém, a esses senhores de curta memória interessa lembrar-lhes que o espírito do 25 de Abril de 1974, ainda continua bem vivo.
A Assembleia de Freguesia de Portimão propõe:
Um voto de saudação e de gratidão aos Capitães de Abril pelo seu contributo para o quebrar dos grilhões, o romper das mordaças e o despertar do povo na via do desenvolvimento.
Bloco de esquerda,
(Simeão Quedas)
Portimão, 16 de Abril de 2007.
Moção aprovada por unanimidade.

Wednesday, April 18, 2007
Balanço das actividades do núcleo do BE-Portimão

Balanço do ano de 2006
- Protesto contra a Junta de Freguesia de Portimão por proibir as reuniões do Núcleo BE nas suas instalações – rejeitado;
- Construção de uma passagem aérea para peões entre o Bairro da Cruz da Parteira e a superfície comercial E. Eleclerc – aprovada;
- Defesa e preservação da Ria de Alvor – 2 moções aprovadas por unanimidade;
- Criação de um Conselho Municipal de Imigrantes e Minorias Étnicas – aprovado;
- Defesa da Escola Pública e saudação à luta dos Professores – 2 moções rejeitadas;
- Contra os aumentos das taxas do IMI em 2006 e 2007 – 2 moções rejeitadas;
- Contra o aumento dos tarifários da água – rejeitado;
- Pela reabertura do Aeroporto de Faro durante a noite – aprovada;
- Contra a corrupção e pela transparência na Câmara de Portimão – rejeitada;
- Portimão livre de transgénicos – aprovado;
- Por um Ambiente e Mobilidade sustentáveis (construção de ciclovias) – aprovado;
- Dotação de verbas para a construção de um novo Centro de Apoio a Idosos – rejeitado;
- Defesa do Sector Público e dos mais desfavorecidos – rejeitada;
- Saudação ao 25 de Abril – aprovada;
- Reprovação da Lei das Fianças Locais – aprovada;
- Pela construção de um Terminal Rodoviário de Passageiros – aprovado;
- Por um amplo debate sobre a despenalização da I V G – aprovado;
- Sobre a 1ª hora de estacionamento gratuito nos parques automóveis subterrâneos – rejeitada;
- Congratulação pela Vitória do SIM no Referendo IVG – aprovada;
- Contra o encerramento do SAP de Portimão – rejeitado.
Destaque-se a realização de uma Assembleia Municipal Extraordinária, em Março de 2006, por proposta do Bloco de Esquerda, sobre os atentados ambientais cometidos na Quinta da Rocha – Ria de Alvor, pelos seus proprietários, merecendo a aprovação de uma moção por unanimidade, pela defesa da Ria e condenando as intervenções ilegais.
- Saudação aos Professores e defesa da Escola Pública – 1 rejeitada e 1 aprovada;
- Propostas de alteração de Toponímia na Freguesia de Portimão – aprovada;
- Alargamento do horário de funcionamento na Bibl. Mun. de Portimão – rejeitado;
- Construção de uma protecção na Zona Ribeirinha da cidade – aprovada;
- Condenação dos gastos faraónicos com a construção da OTA e do TGV – aprovada.
Portimão, 14 de Abril de 2007
O Núcleo BE
Thursday, April 05, 2007
VIVA A BICICLETA!!

A subalternização do automóvel permite evitar que as praças sejam sacrificadas às insaciáveis infraestruturas, aos nós rodoviários, que sejam esquartejadas pelas faixas de rodagem. Por isso a cidade é policêntrica. E a mobilidade faz-se essencialmente a pé, de bicicleta e de eléctricos.
A cidade é o espaço público, o chão que pisamos, se passa ou se pára sem condições, sem pagar, se vai para os afazeres, os encontros, onde alegramos as vistas, os largos, o desconhecido, afectos, camaradagens.
Mas a cultura invasiva do automóvel está tão enraizada nas nossas sociedades que o seu simples questionamento se apresenta como algo ilegítimo ou utópico. É tão tentacular e tão violenta que consegue impedir que a cidade seja vivida da maneira mais harmoniosa, racional e económica.
A cidade de "sua majestade o automóvel" é vista por muitos autarcas e ministros como o clímax da civilização e do desenvolvimento. Atravessam-na blindados nas suas "máquinas" e seriam incapazes de o fazer de outro modo. A pé ou de bicicleta seriam fisicamente impedidos de andar, correriam perigos, sentir-se-iam escorraçados, ameaçado pelas altas velocidades, por estacionamentos abusivos, apanhariam sustos por simplesmente atravessar de um lado para o outro, ou nem sequer haveria passeio e seriam corridos para dentro do automóvel.
A cultura do automóvel em Portugal arroga-se o direito de se apoderar de todos os passeios que puder, das praças, das sombras de todas as árvores no Verão. A cultura do automóvel segrega as pessoas, devora a paciência, afecta a qualidade de vida. Numa palavra: a democracia.
Para ir de um lado para o outro tem que se contar com o stress, os peões perdidos no meio do caos, engarrafamentos, buzinadelas, bafos de gases de escape, o ruído permanente, agressivo, lesivo dos sentidos.
São ecológicas, porque não poluem o ar nem fazem ruído, e nos ligam aos elementos: a textura do chão, o vento, os aromas. Dispensam as bombas de gasolina e os seus depósitos subterrâneos, por vezes no meio de bairros residenciais. Nos podem permitir atravessar parques, jardins, reservas naturais, bastando apenas simples e seguros corredores ecológicos de ligação e passagem.
São económicas, graças à simplicidade mecânica, e porque as infraestruturas necessárias já existem, só falta é adaptá-las, riscá-las no pavimento, recuperar vias e caminhos que foram abandonados porque não serviram para os automóveis, redesenhar os cruzamentos e inverter o modelo que existe.
São saudáveis, ao proporcionarem um óptimo e ritmado exercício físico, logo ideais para prevenir obesidades e doenças cárdio-vasculares. Combatem a violência rodoviária.
São viáveis, se forem encaradas como mais uma peça, agora estruturante, do sistema de mobilidade, que é um puzzle, juntamente com os transportes públicos, e em que o automóvel é a excepção e não a regra.
Jaime Pinho