Friday, July 07, 2006

Teologia da Libertação



Organizar a esperança

Frei Betto

Diante da realidade em que vivemos, não podemos nem devemos ficar de braços cruzados. Há que alimentar, na fé e na mística, a nossa esperança, e buscar alternativas ao neoliberalismo. Elas não caem do céu. Surgem da prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, grupos de pressão da sociedade civil, partidos políticos etc.

Para forjar essas alternativas, exigem-se:

1. Visão crítica do neoliberalismo. Aprofundar o conhecimento do neoliberalismo como caráter globalizado do capitalismo nesse mundo unipolar. Agora, a especulação predomina sobre a produção; os conglomerados transnacionais se sobrepõem aos Estados; o mercado centraliza a economia mundial; o desemprego e a exclusão social são tidos como meros fenômenos resultantes do desenvolvimento tecnológico e da concentração do capital.

O neoliberalismo aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possam pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das populações pobres rumo às nações ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo.

2. Organizar a esperança. Não basta esperar uma nova sociedade se não se trabalha para que ela se construa. Colhe-se no futuro o que se planta no presente. Encontrar alternativas é um esforço coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente disso que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham em lavrar sua própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente. É preciso organizar a esperança na terra, no movimento sindical, na Igreja, na arte, no grupo de mulheres etc.

3. Resgatar a utopia. O neoliberalismo prega o "fim da história", das grandes místicas que dão sentido à vida, das ideologias, das utopias. Agora, tudo é "aqui e agora", a cultura vira mero entretenimento, as grandes narrativas despedaçam-se em fragmentos, a história restringe-se à vida privada e a detalhes.Sem utopias, não há mobilizações motivadas pela esperança. Nem possibilidade de visualizar um mundo diferente, novo e melhor.

4. Elaborar projetos alternativos. As utopias devem ser traduzidas em projetos que sinalizem a nova sociedade e, nela, o homem e a mulher novos. Não convém confundir projetos com programas. Há partidos que têm programas, mas não têm projetos. Devemos ter um projeto no qual estejam espelhados o nosso sonho de futuro e os valores que defendemos.

5. Estabelecer um programa de trabalho. O projeto é a síntese do programa. Este deve precisar os objetivos, as prioridades, os recursos, as etapas, o modo de atuar nas diferentes áreas e com os diferentes setores da população.

6. Estratégia de luta. Definidos o projeto e o programa à luz da utopia de uma sociedade alternativa ao neoliberalismo, a organização da esperança supõe assinalar a estratégia de como atingir os objetivos propostos. Devemos ter claras as prioridades de trabalho, os objetivos, os recursos, as bandeiras de luta.

7. Aprofundar a mística e construir o homem e a mulher novos. É a mística que nos motiva e imprime sentido à nossa vida individual e ao nosso esforço comunitário ou coletivo. A mística de natureza religiosa se nutre nas fontes da oração, na meditação da Bíblia, no exemplo de Jesus e dos grandes mestres espirituais; enquanto de natureza laica, no exemplo dos grandes militantes da utopia como Gandhi, Luther King, Che, Zumbi, Chico Mendes etc. A mística faz com que abracemos os novos valores - solidariedade, participação, partilha etc. -, que forjam em nós o homem e a mulher novos. A sociedade se faz nova quando nos fazemos novos. E ao nos fazer novos, transformamos a velha sociedade em nova. Uma coisa depende e está ligada a outra. Nossos valores devem estar enraizados no coração. Isso exige um aprofundamento de nossa subjetividade. Nossa esperança não é só política. É também espiritual. Os novos valores devem ser vividos nas relações interpessoais, de gênero, família e companheirismo, sem o risco de se transformar em militonto, aquele que participa de tudo, mas, na vida pessoal, contradiz o que prega e defende, pois jamais reserva tempo à oração, à família, ao estudo, ao lazer, tornando-se suscetível de perder o equilíbrio mental e a saúde física e espiritual.

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Leonardo Boff, de "Mística e Espiritualidade" (Rocco), entre outros livros.


in: Correio da cidadania


Wednesday, July 05, 2006




AS VISITAS DE T.BLAIR E GEORGE W BUSH AO IRAQUE

Situação no Iraque



MEMORANDO CONFIRMA DEGRADAÇÃO

Um memorando confidencial enviado pelo embaixador americano no Iraque, Zalmay Khalizad, à secretária de Estado, Condoleeza Rice, confirma que, ao contrário do que as recentes visitas de Bush e Blair a Bagdad queriam fazer crer, a situação no Iraque está cada vez mais degradada. O memorando foi revelado pelo diário britânico The Independent.

O embaixador dá exemplos das pressões que sofrem os funcionários civis iraquianos que trabalham para as autoridades ocupantes, e do pavor de verem revelado publicamente para quem trabalham. Uma funcionária que foi fazer formação aos EUA disse à própria família que tinha ido à Jordânia. Outros iraquianos já chegaram a perguntar o que lhes aconteceria se os americanos fossem evacuados. A situação de segurança é tão precária que os próprios guardas da “zona verde”, a sede do poder da ocupação, não são confiáveis, parecendo mais membros de milícias que forças de segurança. Raptos continuam a ocorrer no dia a dia, atingindo familiares dos funcionários iraquianos da “zona verde”.

Por toda a parte, são as milícias que imperam nas ruas. As condições de vida do dia-a-dia também teimam em não melhorar. No final de Maio, quando as temperaturas já chegavam a 46º, havia em Bagdad uma hora de fornecimento de electricidade para cada seis. Bairros inteiros do centro da capital chegavam a passar 24 horas sem luz. Mas o edifício onde mora um recém-nomeado membro do governo passou a ter energia eléctrica 24 horas por dia. Num país que já foi um dos mais laicos do Médio Oriente, as pressões para que as mulheres cumpram a sharia, a lei corânica, não param de aumentar: funcionárias são ameaçadas caso não usem a abaya completa, deixem de falar por telemóvel e de conduzir automóveis.

Tuesday, July 04, 2006

O "ESQUERDA" ONLINE

Portal "Esquerda" está online !



A partir de hoje está online o portal esquerda.net (www.esquerda.net), um projecto novo de informação na Internet e com multimedia, ao serviço da acção política, da participação social, da defesa da liberdade e do socialismo. Portal de informação do Bloco de Esquerda terá actualização diária, crónicas de opinião e dossiers temáticos, inclui sites de rádio (Esquerda.radio), de vídeo (TV Bloco), livraria online (Leituras à esquerda), cultura alternativa (Blocomotiva), os sites do Bloco, do Grupo Parlamentar e do Bloco no Parlamento Europeu, o jornal Esquerda e o Boletim Participação.
Este será um projecto em constante inovação.

AMNISTIA INTERNACIONAL

Junho 2006


“Em resposta a todas as cartas de solidariedade e de pedido de explicações às nossas autoridades no caso das ameaças contra mi, agradeço a toda a família da Amnistia Internacional e aos defensores dos Direitos Humanos. Um Abraço.”
Christrian Callejas

Boas Notícias!


Nepal – Activistas Libertados


Os prisioneiros de consciência, Krishna Pahadi, Dr. Mathura Prasad e Shyam Shrestha foram alguns dos activistas de sociedade civil e membros de partidos políticos libertados a 25 de Abril, no seguimento da histórica transição política no Nepal. No dia 24 de Abril e depois de quase três semanas de protestos em todo o país, o Rei Gyanendra anunciou a re-abertura do parlamento. Desde que o Rei chamou a si o controle do governo, a 1 de Fevereiro de 2005, usou as forças de segurança para prender dissidentes. Membros da oposição política não violenta foram arbitrariamente detidos, espancados e, pelo menos 20 foram mortos pelas forças de segurança durante as manifestações ocorridas em Abril. Numa declaração recente, o Rei considerava que, “A soberania do reino do Nepal é inerente ao povo do Nepal” e reconheceu “o espirito do movimento popular em marcha”.
Em conversa telefónica com a Amnistia Internacional, Krishna Pahadi, agradeceu a todas as pessoas que enviaram apelos a favor dos prisioneiros de consciência no Nepal. Também agradeceu especialmente aos membros da delegação da AI que o visitaram na prisão em Março de 2006.

Iémen


Ibrahim al-Saiani, de 14 anos de idade foi libertado, sem acusação, da prisão de Segurança Política, em Sana’a, a 4 de Junho.
O prisioneiro de consciência tinha sido detido quando as forças de segurança invadiram a casa dos seus pais. Neste momento, já se encontra junto da sua família, mas ainda necessita de cuidados médicos específicos em virtude da sua saúde se ter deteriorado no seguimento da sua detenção em 8 de Maio.
Por altura da sua detenção, tinham acontecido outras detenções no seio da comunidade Zaidi, cujos alguns membros entraram em confronto com as autoridades do Iémen.



Apelo do Mês
Homens armados, pertencentes às forças paramilitares, tentaram assassinar de um dos dirigentes de um sindicato colombiano, cujos membros se encontram em greve.


Alvaro Mercado é um dos líderes do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Empresas Mineiras e Energéticas (SINTRAMINERGETICA). A 13 de Junho, homens armados que viajavam numa mota abriram fogo sobre ele, enquanto se dirigia para casa, na Villa del Rosario, em Valledupar, província de Cesar. De acordo com relatos, a policia prendeu os homens armados umas horas depois e entregou-os à Fiscalía General de la Nación, departamento do Ministério Público, de onde foram posteriormente libertados.



Mais tarde nesse dia, algumas testemunhas viram homens, que reconheceram como paramilitares a dirigirem-se a casa do activista da SINTRAMINERGETICA, Estivenson Avila, em Valledupar. Não o encontraram em casa. A 6 e 8 de Junho, segundo testemunhas, mais paramilitares, procuraram o líder da filial de Barranquilla do SINTRAMINERGETICA, na província de Cesar, Rubén Morrón.



Os membros do SINTRAMINERGETICA, que trabalham na companhia mineira de Drummond, estão em greve desde 22 de Maio, exigindo melhorias das suas condições de trabalho. Alvaro Mercado está a actuar como porta-voz do sindicato e Estivenson Avila como negociador. Rubén Morrón é o líder da SINTRAMINERGETICA, da filial de Chiriguaná, na província de Cesar.


Actue Já:


Envie o apelo que se segue ao Presidente da Colômbia expressando a sua preocupação com a segurança dos membros da SINTRAMINERGETICA. Para tal, pode utilizar a carta-tipo abaixo:


Señor Presidente Álvaro Uribe Vélez
Presidente de la República,
Palacio de Nariño,
Carrera 8 Nº. 7-26,
Bogotá, Colombia

Dear President Uribe,

I wish to express my concern for the safety of Alvaro Mercado, who reportedly escaped an attempt to his life on 13 June. Estivenson Avila, Rubén Morrón and other SINTRAMINERGETICA members involved in the strike were also targeted.

I would like to urge the authorities to take the action deemed appropriate by the SINTRAMINERGETICA members themselves, to protect them so they may continue their legitimate trade union activities.

I wish to call on the Colombian authorities to ensure that full and impartial investigations are carried out into the attempt on Alvaro Mercado’s life and possible attempts to kill Estivenson Avila and Rubén Morrón, allegedly by army-backed paramilitaries.

Respectfully
__________________________________


Monday, July 03, 2006


Faro, 3 de Julho de 2006

À atenção da comunicação social

Assunto: AMAL e Assembleias Municipais de Portimão e Faro condenam encerramento nocturno do Aeroporto de Faro e dos serviços de emergência e solicitam a sua reabertura imediata.




No seguimento de uma reunião efectuada entre a APCTA (Associação Portuguesa de Controladores de Tráfego Aéreo) e a Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda do Algarve, este partido tomou conhecimento da grave situação que atinge o Aeroporto de Faro desde o passado dia 3 de Junho, em que se procedeu ao seu encerramento nocturno. Este encerramento aconteceu porque deixaram de operar, por razões estritamente economicistas, os serviços de socorro – os bombeiros especializados do aeroporto sob a dependência dos Aeroportos de Portugal (ANA). Pretende a ANA remeter as funções para os Bombeiros Municipais de Faro, intenção que a vereação local já rejeitou.
Não obstante o encerramento nocturno do aeroporto e dos respectivos serviços de emergência, verificam-se voos ocasionais no período em causa, como reconhece a própria ANA, mas sem as devidas condições de segurança, situação considerada muito grave e que vai ao arrepio de todas as normas de segurança estabelecidas internacionalmente. Foi o que aconteceu nas madrugadas de 4 e 5 de Junho, em que aterraram duas aeronaves, uma da companhia alemã LTU e outra da Air Berlim. Mesmo em caso de um pequeno acidente poderá ocorrer uma grande tragédia, devido ao atraso com que seriam prestados os socorros.
Neste sentido, o Bloco de Esquerda apresentou Moções na AMAL - Assembleia Metropolitana do Algarve (dia 28 de Junho) e nas Assembleias Municipais de Portimão e de Faro (dias 26 e 30 de Junho) e que foram aprovadas, onde se condena o encerramento nocturno do Aeroporto de Faro e se solicita a sua reabertura, com a reposição em pleno dos serviços de emergência o mais rapidamente possível.
Nas Moções aprovadas, diz-se que os voos ocasionais, admitidos pela ANA e directamente afectados são: «evacuações médicas nacionais e transporte de órgãos; voos ambulância, que normalmente são utilizados por turistas ou estrangeiros residentes; emergências médicas que ocorram em aeronaves a operar a Sudoeste da Península Ibérica; emergências em aeronaves resultantes de fumo, fogo a bordo ou falta de combustível, entre outras, e que podem originar uma catástrofe por falta dos serviços de emergência».
As medidas tomadas, de cariz nitidamente economicistas, além de provocarem uma situação insustentável do ponto de vista aeronáutico, poderão provocar danos irreparáveis à economia do Algarve. As medidas economicistas, tão do agrado deste Governo, não podem justificar o fecho dos serviços de emergência do Aeroporto de Faro.
Desde já, a Comissão Coordenadora Distrital do BE-Algarve agradece a divulgação desta nota de imprensa nos V/órgãos de comunicação social.


A Comissão Coordenadora Distrital
do BE - Algarve

Sunday, July 02, 2006

APELO


Pessoal, vamos mobilar a nossa sede!

Cada um de nós pode dar uma contribuição!!
-Cadeiras
-Estante
-Mesa
-Sofá
e muitos etceteras...

Não somos uma organização rica...não somos afilhados do tio Belmiro. Então vamos arregaçar as mangas e fazer a coisa com "material das casas"!.

Saturday, July 01, 2006

Para desanuviar a carola...


Danças Orientais na festa da minha escola;
Uma menina moldava,uma menina romena filha de pai turco,uma menina de Alvor e uma de Portimão.
A foto está com a sua piada...mais foi resultado totalmente acidental e aleatório,(é o que dá levar uma câmara nova pela primeira vez, sem ler o livrinho das instruções)...enfim fruto da preguiça no seu estado mais puro.Sou adepto do Paul Lafargue, o tal que escreveu "O direito à preguiça"e desde que o li nunca mais fui o mesmo homem. Mas digam lá...até ficou com a sua piada...
As meninas que dançam pertencem ao clube de fotografia (clube desorganizado por mim apesar do trabalho de organização dos alunos).
Viva a escola multicultural.
Abaixo os nacionalismos Bacocos!!
f gregorio

Um ponto de vista sobre a crise timorense...


O governo Australiano avança com planos para dominar Timor-Leste
Por Peter Symonds
Nem Horta nem os seus apoiantes Australianos querem testar o seu “tremendo apoio” nas eleições do próximo ano. “O problema é, obviamente, pode o país suportar os próximos seis, os próximos nove meses com esta pressão continuado sobre o primeiro-ministro para resignar?” perguntou Horta.
“Podemos suportar esta crescente perda de credibilidade do governo e a má imagem do país? Ou deve o primeiro-ministro dizer, ‘Bem, eu saio no interesse do meu próprio partido.
Parece que eu sou uma desvantagem para o meu próprio partido, se não para o país’.”
A ameaça de acusações criminais é obviamente maquinada para obrigar Alkatiri a tomar aquela decisão.Tendo estabelecido um exército de ocupação em Timor-Leste, o governo Australiano engajou-se numa luta política corrente em várias frentes para garantir o seu domínio sobre metade da ilha.
Nas Nações Unidas, diplomatas Australianos estão a pressionar para garantir que Canberra retém o controlo sobre a nova missão da ONU. Como parte dessa ofensiva, os media Australianos conduzem uma campanha sem paragem contra o Primeiro-Ministro Mari Alkatiri, que é visto como demasiado próximo do rival Portugal e portanto um obstáculo aos interesses Australianos.
Os Australianos de Murdoch mais uma vez esboçaram a agenda a maioria deles abertamente. Num comentário no Sábado, o editor dos assuntos estrangeiros Greg Sheridan argumentou que enquanto outros países precisavam de contribuir para o re-estabelecimento duma força de polícia em Timor-Leste, Canberra tinha que reter, sobre tudo o controlo.
“O Conselho de Segurança da ONU está a considerar Timor-Leste e os requerimentos do seu policiamento futuro agora mesmo É uma tarefa vital para a diplomacia Australiana obter a fórmula certa disso,” declarou.
Sheridan declarou que era vital que “A Austrália desempenhe a tarefa sozinha” no treino da polícia. “A ONU em Timor tem sido um caminho para a confusão e disfunção. Em particular tem sido um caminho para a influência Portuguesa, um negócio de mão-cheia, na verdade.” No princípio deste mês, Sheridan classificou Portugal como o “inimigo diplomático da Austrália em Timor-Leste” e identificou Alkatiri como “a chave para a influência deles”.
Enquanto que o governo de Howard não se pode dar ao luxo de ser tão aberto, com o apoio de Washington, está envolvido numa ofensiva diplomática para garantir que a Austrália lidera a operação da ONU em Timor-Leste. A manobra é particularmente cínica porque os USA e a Austrália têm-se oposto sistematicamente a pedidos feitos pela ONU, Timor-Leste e Portugal para uma extensão da preseça da ONU no país.
Tão recentemente quanto no início de Maio, Canberra e Washington opuseram-se vigorosamente a qualquer extensão da missão da ONU.As diferenças vieram à superfície abertamente no Conselho de Segurança da ONU na semana passada quando o Embaixador Australiano Robert Hill se opôs a uma proposta do Secretário-geral da ONU Kofi Annan de uma operação formal de capacetes azuis para tomar o lugar da presente força militar liderada pelos Australianos.
O plano do governo de Howard, modelado conforme a ocupação liderada pelos Australianos das Ilhas Salomão, é reter o controlo militar exclusivo ao mesmo tempo que preside sobre uma força policial multi-nacional e instala funcionários Australianos em postos administrativos chaves.
Hill argumentou que estrangeiros deviam ser postos à frente da força policial Timorense, e privadamente sugeriu o antigo Comissário da Polícia Federal Australiana Mick Palmer para o lugar.Portugal e a Malásia que têm ambos contingents policiais em Timor-Leste, apoiaram o pedido de Annan para a ONU tomar a completa responsabilidade do controlo da presença militar e policial. O Embaixador de Portugal João Salgueiros disse ao Conselho de Segurança: “Timor-Leste é um filho das Nações Unidas. Por isso precisa da universalidade e imparcialidade das Nações Unidas, que deve uma vez mais tomar o papel liderante.”
Uma reunião de ministros dos estrangeiros da CPLP no Domingo decidiu enviar uma missão a Timor-Leste para avaliar a situação.
O Ministro dos Estrangeiros Português Diogo Freitas do Amaral declarou: “Timor-Leste não é um Estado falhado. Temos de defender a necessidade de enviar uma força das Nações Unidas na qual todas as nações membros participem activamente.”
Na semana passada a Comissão Europeia, que foi apoiada pelas ambições de Portugal em Timor-Leste, assinou um acordo com o governo de Alkatiri para providenciar 18 milhões de euros em ajuda com um foco na “construção de capacidade institucional,” bem como no alívio da pobreza.Ontem o Embaixador dos USA John Bolton entrou na cena diplomática apoiando o pedido de controlo para Canberra.
Opondo-se a “uma presença da ONU para sempre” em Timor-Leste, argumentou que era necessário “apoiar os Australianos e Neozelandezes que estão lá”. Obviamente, se a intervenção nas Ilhas Salomão é um guia, o governo de Howard tem a intenção de ficar em Timor-Leste não somente meses, mas anos.Esta luta de braços diplomática reflecte o agudizar de antagonismos inter-imperialistas, não só sobre Timor-Leste, mas internacionalmente.
Em jogo está o controlo sobre significativas reservas de petróleo e de gás no Mar de Timor bem como a posição estratégica de Timor-Leste na Ásia do Sudeste, a meio-caminho de estradas navais chaves. O governo de Howard explorou conflitos de facções no governo e nas forças de segurança de Timor-Leste para começar a destacar 1,300 tropas Australianas para a ilha em 24 de Maio. A última preocupação de qualquer das potências em competição é a luta dos Timorenses atingidos pela pobreza, muitos dos quais fugiram para campos de deslocados.
A Campanha contra Alkatiri
As divisões na OBU têm um paralelo na luta de facções no próprio Timor-Leste, onde os aliados Australianos— o Presidente Xanana Gusmão e o Ministro dos Estrangeiros José Ramos Horta— estão engajados numa mal disfarçada campanha para expulsar Alkatiri. Segundo a constituição do país, o presidente não tem o poder de despedir o primeiro-ministro sem um voto de não confiança no parlamento, onde o partido Fretilin de Alkatiri tem uma maioria absoluta. Como resultado disso, os media Australianos têm procurado inventar bases para acusações criminais contra Alkatiri, que o forçariam a sair.
O último tiro na campanha foi disparado ontem à noite no programa “Four Corners” da Australian Broadcasting Corporation. Numa peça de propaganda desavergonhada, a repórter da ABC Liz Jackson tentou demonstrar que Alkatiri, juntamente com o antigo ministro do interior Rogério Lobato, tinha entregue armas a antigos guerrilheiros da Fretilin para formar um esquadrão de ataque contra os seus opositores políticos.
Desdenhando abertamente de Alkatiri e da sua negação de qualquer acção errada, Jackson apresentou, sem contraditório, um mosaico de comentários e de documentos, todos fornecidos pelos inimigos políticos do primeiro-ministro e apresentados fora do contexto.
Deve ser lembrado que as alegadas más acções tiveram lugar no meio da luta faccional incipiente, na qual 600 soldados rebeldes, a que se juntaram secções da força de polícia, ameaçavam lançar uma guerra civil war se Alkatiri não saísse imediatamente. Mesmo se isso fosse completamente verdade, o que toda a “evidência” demonstrava é que Alkatiri e Lobato, como os rebeldes, estavam a armar os seus apoiantes.
O lado parcial do programa da ABC tornou-se uma farsa quando Jackson pressionou Alkatiri sobre a ilegalidade de “armar os civis,” ao mesmo tempo que ignorava o facto de, os que ela caracterizou como “os heróis da luta anti-Alkatiri” serem, em termos estritamente legais, culpados de motim e traição.Nos seus esforços para apresentar Horta como o popular próximo primeiro-ministro, “Four Corners” talvez revelou mais do que tinha a intenção de revelar. Horta tem tentado apresentar-se a si próprio como estando acima dos políticos em luta — o homem para reunir todas as facções juntas.
Mas a cobertura da ABC da sua reunião com os líderes rebeldes em Gleno, imediatamente antes de uma concentração da oposição em 6 de Junho em Dili, mostrou Horta a fazer trabalho de facção abertamente com forças anti-Alkatiri. Ao ser-lhe perguntado acerca desta actividade, Horta declarou desavergonhadamente: “Em todos os sítios para onde tenho ido — Baucau e todos os lugares — eu tenho tido tremenda simpatia, apoio, calor das pessoas aos milhares, às centenas. E eu sinto-me ultrapassado, talvez porque elas estão desesperadamente à procura de liderança, à procura de gente em quem possam confiar.”
Nem Horta nem os seus apoiantes Australianos querem testar este “apoio tremendo” nas eleições previstas para o próximo ano. “O problema é, obviamente, pode o país suportar os próximos seis, os próximos nove meses com esta pressão continuado sobre o primeiro-ministro para resignar?” perguntou Horta. “Podemos suportar esta crescente perda de credibilidade do governo e a má imagem do país? Ou deve o primeiro-ministro dizer, ‘Bem, eu saio no interesse do meu próprio partido. Parece que eu sou uma desvantagem para o meu próprio partido, se não para o país’.”
A ameaça de acusações criminais é obviamente maquinada para obrigar Alkatiri a tomar aquela decisão.De acordo com o jornal The Age baseado em Melbourne na Segunda-feira, o Presidente Gusmão está a considerer usar os seus poderes constitucionais para lançar um inquérito judicial sobre as alegações da ABC e doutros media Australianos. Horta estava a considerar uma visita ao alegado líder do esquadrão de ataque, Vincente “Railos” da Conceição, para reunir evidência e levá-la para Gusmão.
“O presidente não é indiferente, pelo contrário. Está atento a estas alegações, e... está a juntar toda a informação disponível, e agirá na altura devida se tiver de,” explicou Horta.Estas sórdidas maquinações politicas iluminam o absurdo da assim chamada independência proclamada em 2002 como um passo em frente para o povo Timorense. Numa era de produção globalizada, a pequenina meia-ilha nunca será independente dos poderes globais e regionais, ou das instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial e o FMI.
Longe de gozar paz e prosperidade, Timor-Leste tornou-se uma outra área para rivalidades imperialistas, na qual cada clique local procura garantir a sua posição política pela obtenção do apoio de um ou de outro dos poderes em competição. Longe de pôr fim ao conflito em Timor-Leste, a intervenção Australiana está a construir a base para uma futura guerra civil pois Canberra pretende instalar os seus próprios clientes.


indymedia - Australiana
http://www.melbourne.indymedia.org/news/2006/06/115261.php

Friday, June 30, 2006

GM - OPEL A CHANTAGEM



A chantagem da GM e quem alinha com ela

A GM vai mudar a linha de montagem da Opel de Azambuja para Espanha porque, segundo ela, cada viatura fica mais barata em cerca de 500 euros.

O governo é incansável na "luta contra este facto consumado". Dirigentes sindicais e políticos parecem ter acordado agora! Os comentadores de serviço não deixam de alertar para o grave problema da descredibilização do país face ao investimento estrangeiro e aproveitam a oportunidade para clamar mais uma vez pelas "reformas profundas" que o país precisa, a saber, diminuir o "peso do estado" e os "custos de actividade", acabar com a "fraca flexibilidade do mercado de trabalho" e baixar a "factura fiscal".

Ou seja, acabar com tudo que signifique protecção social (que é paga com o dinheiro dos trabalhadores, é bom não esquecer) e obrigar os trabalhadores a aceitar salários de chinês ou de vietnamita, ou de isentar as empresas de impostos, para que o capital estrangeiro não fuja para outras paragens. O acordo social assinado entre a CT da fábrica da Azambuja no ano passado inscreve-se um pouco nessa lógica, devendo os trabalhadores abrir mão de reivindicações salariais e dos seus direitos para garantir a continuação da laboração até final de 2008. No entanto, parece que a cobardia e a traição manifestadas pelos representantes dos trabalhadores não teve recompensa.

É bem possível, e ao contrário do que toda gente parece acreditar, a atitude da administração da GM não passe de uma grosseira manobra de chantagem para que os trabalhadores recuem mais e aceitem todas as imposições com medo de perder o posto de trabalho. E mais ainda, pressionar o governo português (o que não é difícil, diga-se em abono da verdade) a desembolsar mais uns milhões, acrescentados aos muitos outros, concedidos no passado recente, que foram 43 milhões de euros de fundos comunitários e 80 milhões dados directamente pelo governo para formação profissional.

Se sindicatos e partidos de esquerda estão assim tão preocupados com a sorte dos 1.150 trabalhadores da GM da Azambuja, e de todos os familiares e outros que por eles são ajudados a viver, porque não desencadeiam uma movimento a nível nacional com recolha de fundos? Porque é que não mobilizam uma greve em todo o sector automóvel nacional, como forma de solidariedade, porque este despedimento colectivo não será caso único e poderá marcar o início de uma nova vaga de despedimentos que poderá assumir uma dimensão inimaginável?

Porque é que os dirigentes sindicais de todas as fábricas da GM na Europa, sabendo também que a maior multinacional do mundo do sector automóvel se prepara para reestruturar toda a sua produção não só no continente europeu como nos Estados Unidos, não desencadeiam um protesto grevista generalizado em todas as fábricas da GM em apoio aos trabalhadores portugueses? Onde é que se encontra o espírito solidário e internacionalista que uniu e consolidou o movimento operário, e deu consciência de classe à classe dos assalariados, no século dezanove e princípios do século vinte?

VIDA LABORAL



INTERVENÇÃO DO BLOCO DE ESQUERDA
NA VIDA LABORAL DO ALGARVE



Breve balanço

Apesar da maioria dos activistas e filiados do Bloco de Esquerda no Algarve ser constituída por trabalhadores por conta de outrem. Apesar de terem aumentado as iniciativas parlamentares e outras relacionadas com problemas laborais e resultantes de direitos do trabalho (desemprego, precariedade, segurança social, diminuição de direitos, deslocalizações, privatizações, etc., etc.), em consequência das medidas governamentais e patronais cada vez mais penalizadoras dos trabalhadores e da população em geral. Apesar de, pelo menos desde 2001, se ter procurado a nível da Comissão Distrital do BE organizar algum trabalho específico nesta área e de, em 2002, se ter criado um grupo de trabalho, embora pequeno, de activistas que definiu um plano de intervenção e de acções a pôr em prática. Apesar de tudo isto, a intervenção laboral do Bloco no Algarve permanece escassa e desgarrada.

É verdade que também em todas as outras áreas importantes se tem passado o mesmo. Mas tal facto não ajuda a ultrapassar essa falha, antes a agrava.

Têm sido feitos alguns debates, diversos comunicados públicos, reuniões, bancas, quer em campanhas eleitorais, quer fora delas, no movimento sindical ou em iniciativas próprias do Bloco. Mas sempre a partir de um número muito reduzido de activistas e sem um efeito multiplicador de conhecimentos, de actividade ou de organização.

Porque tem sido assim?

Algumas causas:

- Embora maioritariamente trabalhadores por conta de outrem, muitos dos activistas do BE/Algarve pertencem a extractos sociais médios não sentindo ainda directamente a gravidade das medidas governamentais e patronais. São exemplo os professores que só agora começam a sério a ser atingidos por essas medidas.
- Tirando um número muito reduzido de militantes, não existe no BE a tradição de intervir nas lutas laborais e, por outro lado, tem aumentado o descrédito nos sindicatos em torno dos quais se têm centrado aquelas lutas. Mantém-se grande o predomínio do PCP cuja táctica sectária prejudica o movimento. É forte a influência das ideias e do ataque do poder sobre os trabalhadores o que também se reflecte no activismo do BE.
- Defeitos da actividade bloquista: intervenção por campanhas (eleitorais ou através de iniciativas nacionais). Envelhecimento, falta renovação por jovens e número ainda muito reduzido dos principais activistas que “vão a todas” as iniciativas de todas as áreas, organizando-as e executando-as, mas não se fixando nem dando continuidade a nenhuma área de intervenção.

Futuro

Para melhorar a intervenção do BE/Algarve na vida laboral da região é importante:

- Tentar consolidar e alargar o grupo de trabalho nesta área, aumentando e divulgando o seu conhecimento sobre ela.
- Promover iniciativas que, pelas suas características, dêem continuidade e regularidade à intervenção e que levem jovens trabalhadores à acção e luta colectiva e à colaboração com o BE.
- Aumentar a participação nas lutas, manifestações, debates, etc., relacionados com o mundo do trabalho e promovidos pelo movimento sindical ou outras entidades.

Acção (2006)

a) Proposta de renovação do grupo de intervenção laboral (GIL) do BE/Algarve:
- M. Ruivo (Sind. F. Pública e USAL - Faro), F. Reis (Del sind. CCT - Portimão), M. Serafim (SINTAV e CT da PT – Faro); Luís Costa (jovem desempregado – Faro); Fonseca (maquinista CP – V. Real).

Outros tantos companheiros poderão integrar o grupo, caso queiram, nomeadamente algum professor.
- Susana Gomes, tendo ela assumido na CCD a responsabilidade pela área social (inclusão social, pobreza…), e, caso não tenha ainda um grupo de trabalho específico, poderia integrar este até para ajudar a ganhar uma visão e intervenção para além da acção sindical. É funcionária na Fund. Irene Rolo (IPSS) em Tavira.

b) Levantamento da realidade nos principais sectores económicos do Algarve:
- Peso e características de cada sector.
- Principais empresas e serviços. Número de trabalhadores e outros indicadores. CCTs e outros direitos laborais.
- Precariedade, desemprego. Segurança Social (regime, subsídios, etc.). SHST (saúde, higiene e segurança no trabalho).
- Sindicatos e CTs (seu peso e intervenção). Lutas laborais. Inspecção de Trabalho e justiça (tribunais, etc.).
- Imigrantes, suas associações e entidades relacionadas (SEF, etc.).
- Filiados e simpatizantes do Bloco. Influência dos outros partidos.
Este levantamento será feito pelos membros do grupo a partir de consulta às várias entidades oficiais, sindicais e empresariais (pedidos de reunião, Internet, etc.).

No fim do ano apresentar-se-á um resumo escrito dos dados recolhidos e trabalhados.

c) Tomadas de posição públicas sobre questões laborais de âmbito regional, local ou nacional.

d) Completar a recolha da petição contra a precariedade. Divulgar a sua entrega e sequente actividade.

e) Participar na Marcha pelo Emprego (2 a 17 de Setembro).

- Deslocação a Setúbal e de Setúbal a Lisboa (16 e 17 de Setembro). Divulgar publicamente a marcha e recolher inscrições para a deslocação.
- Estudar a realização de outra iniciativa regional nela integrada. Hipótese já falada: denúncia e protesto junto da sede do IDICT em Faro sobre os acidentes e mortes no trabalho.

f) Formação do grupo (movimento) “Vidas precárias… em Faro” (Apoio de M. Ruivo e composto por jovens precários, desempregados ou estudantes em vias de…

- L. Costa, Joana, Eva?, Susana?, Giovani? Mónica?, etc. )
- Completar a recolha da petição.
- Preparar a participação na Marcha pelo Emprego:
- Elaboração e efectivação de um INQUÉRITO a jovens precários e
desempregados em Faro.

Para:

a) publicação no Blog “vidas precárias”;

b) denúncia na C. Social;

c) 3 Concursos a terminarem no final da Marcha…

d) Edição de uma Brochura no final de 2006.

- Projecto “VIDAS PRECÁRIAS”

– Constituição de uma Associação Juvenil/IPSS para o apoio moral e administrativo, encaminhamento e procura de emprego, denúncia pública e proposta social, etc., aos jovens precários e desempregados do concelho de Faro. Apresentar a sua legalização à Segurança social até ao final do ano.


Faro, 24 / 06 / 06

Professores


MOÇÃO REJEITADA




A moção de solidariedade com os professores apresentada pelo BE na Assembleia Municipal, foi rejeitada.
Curiosamente, a argumentação do veto do PS esteve a cargo do Professor Carlos Café.
Tratar-se-á de masoquismo profissional!? Ou será que valores (Leia-se "futuros"ou "vôos") mais altos se levantam!?
Portimão, 26 de Junho de 2006


Moção


Confiança na justiça e no bom nome
da Autarquia de Portimão

Como é do conhecimento público, foi condenado por corrupção o ex-director do Departamento de Obras e Urbanismo da Câmara Municipal de Portimão. No acórdão pronunciado pelo Tribunal é referido que a pessoa em causa “agiu de forma deliberada e consciente” e não mostrou arrependimento pelos actos praticados.

Mais à frente, o acórdão refere que “é grande a gravidade dos factos” e que estes dizem respeito a uma obra num concelho que “sofre de forte e, até ver, bem sucedida pressão imobiliária, sendo vários, gravíssimos e irreversíveis os atentados arquitectónicos e ambientais desde meados dos anos 80, do que é amargo exemplo a Praia da Rocha”.

Conforme se conclui do acórdão, verificaram-se ligações perigosas e promíscuas entre os interesses de determinadas imobiliárias da construção civil e, pelo menos, o principal responsável na altura do Departamento de Obras e Urbanismo desta Câmara, lesando gravemente o bem público e afectando negativamente o bom nome da Autarquia de Portimão.

Nesta conformidade, a Assembleia Municipal de Portimão, reunida em sessão ordinária no dia 26 de Junho de 2006, conclui o seguinte:

1. Condenar, de forma inequívoca, os actos de corrupção praticados.
2. Manifestar total confiança e um voto de congratulação na Justiça pelos resultados a que chegou, relativamente ao caso referenciado.
3. Solicitar ao Executivo camarário a melhor colaboração e que disponibilize prontamente todos os meios necessários à investigação em curso.
4. Esperar que a investigação que se encontra a decorrer, seja uma investigação isenta e credível, contribuindo para a afirmação de uma total transparência e o bom nome da Autarquia de Portimão.



O Grupo Municipal do BE

João Vasconcelos

Luísa Penisga

SINDICATOS E PROFESSORES


O nº de professores ao serviço dos sindicatos

João Vasconcelos

Sempre tem sido apanágio do poder em Portugal (e não só), atacar, dividir e mesmo tentar destruir os verdadeiros sindicatos – aqueles que representam os seus associados e lutam pelas suas reivindicações e direitos. Já foi assim durante a I República, para não ir mais longe, em que um dos chefes do governo da altura, o “democrático e republicano” Afonso Costa foi alcunhado de “racha-sindicalistas” pela perseguição que fez a estes e às suas estruturas representativas, assim como o «Estado Novo» salazarista que acabou por destruir os sindicatos livres impondo os chamados “Sindicatos Nacionais”. Logo a seguir ao 25 de Abril, os governos PS/PSD, através da chamada lei da liberdade sindical também visaram as organizações sindicais existentes combatendo a unicidade sindical.
Mas o poder não se fica por aqui. Como sabe que os sindicatos, desde que sejam genuínos, constituem efectivas escolas de formação para os seus associados e, sempre que apoiados, dispõem de um elevado poder reivindicativo provocando o desgaste dos governos, aposta na divisão, incentivando a formação de mais “sindicatos” e “sindicatozinhos” no mesmo sector. A partir daqui tudo se torna mais fácil. São estes ditos sindicatos que mais se sentam à mesa das negociações com o poder, assinam acordos e protocolos e furam as greves. E, sem qualquer ou pouca representatividade sindical, dispõem de dezenas de dirigentes sindicais, como se tratassem de grandes sindicatos.
É o que se passa, entre outros, no sector do ensino e da educação. Para combater a verdadeira organização sindical dos professores e educadores (não isenta de ter cometido alguns erros de táctica e estratégia sindicais) – a FENPROF e os seus sindicatos constituintes, que representam mais de 70 por cento dos docentes sindicalizados -, assistiu-se a uma nefasta pulverização sindical no sector com o aparecimento de diversas siglas como SINDEP, FNE, FENEI, FEPECI, SPLIU, SPLEU, ASPL, SNPL, SINAPE, SIPPEBE, SIPE, Pró-Ordem, etc, cujos dirigentes pertencem, ou são afectos, maioritariamente, ao PS e PSD, partidos que se têm alternado no poder.
Torna-se evidente que estes pequenos sindicatos, que no conjunto representam cerca de 30 por cento dos professores sindicalizados, não deviam usufruir do mesmo peso sindical que a FENPROF, como seja, de dispor, cada um por si, de um elevado número de dirigentes sindicais a tempo inteiro, ou de validar protocolos e acordos, de que o governo se serve para colocar em prática e que tão gravosos se têm revelado para os professores – veja-se a legislação sobre os concursos e o que iremos ver, nomeadamente sobre o novo estatuto da carreira docente.
A FENPROF sempre se bateu pela medição da representatividade sindical, o que contribuiria para dignificar o movimento sindical docente no seu conjunto, valorizando os sindicatos como estruturas legítimas de representação dos educadores e professores. Por outro lado, este processo mostraria que, se há um grupo profissional de docentes, com uma elevada taxa de sindicalização, tal se deve a uma estreita ligação entre a história da profissão e a história do associativismo e sindicalismo docentes. Esta ligação permite combinar interesses sócio-profissionais com preocupações pela qualidade da educação, numa perspectiva de progresso e de desenvolvimento.
Segundo a comunicação social, no ano passado havia 1327 professores dispensados para os sindicatos. O governo sabia que era uma situação escandalosa – foram os anteriores governos PS e PSD/CDS que permitiram e incentivaram tal política - e diminuiu para 450. A nova proposta, que é de passar para 250 e sem ter em conta a representatividade sindical, além de ser demagógica e populista, tem um objectivo político: enfraquecer a FENPROF, que é a mais forte e representativa organização sindical docente, bem como dos seus sindicatos.

Obs: este artigo foi publicado no jornal Barlavento com algumas pequenas alterações no dia 29 de Junho de 2006.

Wednesday, June 28, 2006

PALESTINA



HOMENAGEM À PACIFISTA RACHEL CORRIE
Lutadora que denunciou ao mundo uma prática corrente usada pelo exército de Israel: A demolição de habitações palestinianas com os seus habitantes no interior.

Clique no link :

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Tuesday, June 27, 2006

PROFESSORES

Portimão, 26 de Junho de 2006

Moção

Pela defesa da Escola Pública

Considerando que:
− Está em curso o maior ataque perpetrado contra a escola pública desde o 25 de Abril de 1974.
− Esse ataque tem fundamentos ideológicos e economicistas de cariz neoliberal, ao contrário do que se pretende fazer crer à opinião pública.
− A equipa que comanda o Ministério da Educação, através da sua principal responsável, a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, revela uma total falta de sensibilidade e tacto político intoxicando a opinião pública com a desvalorização do trabalho árduo e meritório dos professores, cuja principal função deveria ser a transmissão de saberes e conhecimentos científicos.
− Os professores e educadores são, cada vez mais, chamados a desempenhar papéis de educação de toda a ordem, substituindo, não raras vezes, a família em funções para as quais não foram preparados.
− Descredibilizar toda a classe profissional docente é descredibilizar a escola pública, atacando-a nos seus fundamentos.
− O clima para discussão das propostas de alteração contidas no novo Estatuto da Carreira Docente encontra-se, desde já, inquinado por culpa exclusiva do Ministério da Educação.

Propõe-se que a Assembleia Municipal de Portimão reunida em sessão ordinária de 26 de Junho de 2006:
− Reafirme a defesa da Escola Pública, tal como preconiza a Constituição da República Portuguesa, a qual deveria ser reconhecida, apoiada e dignificada pelo Estado.
− Saúde as educadoras e educadores, professoras e professores pelo seu trabalho em prol da educação dos jovens portugueses.
− Solidarize-se com a sua luta pela dignificação social e profissional, consubstanciada no protesto nacional do passado dia 14 de Junho.
− Condene a política populista e o estilo de intervenção demagógica da Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, no ataque directo ou velado aos profissionais da educação.
− Incite a população a solidarizar-se com as lutas dos docentes no sentido da promoção de uma escola de qualidade que promova uma efectiva igualdade de oportunidades para todos e que respeite e dignifique quem lá trabalha.


O Grupo Municipal do BE

João Vasconcelos
Luísa Penisga







Portimão, 26 de Junho de 2006

Moção

Reabertura do Aeroporto de Faro durante a noite



Desde o passado dia 3 de Junho que o aeroporto de Faro se encontra encerrado entre as 00.00 e as 06.00 horas, porque os serviços de socorro – os bombeiros especializados do aeroporto sob a dependência dos Aeroportos de Portugal (ANA) – deixaram de operar nesse sentido.

A ANA tomou esta atitude alegando factores de natureza económica e devido ao facto de, no período em causa, se verificarem voos ocasionais.

Estes voos ocasionais e directamente afectados são: evacuações médicas nacionais e transporte de órgãos; voos ambulância, que normalmente são utilizados por turistas ou estrangeiros residentes; emergências médicas que ocorram em aeronaves a operar a Sudoeste da Península Ibérica; emergências em aeronaves resultantes de fumo, fogo a bordo ou falta de combustível, entre outras, e que podem originar uma catástrofe por falta dos serviços de emergência.

As medidas tomadas, de cariz nitidamente economicistas, além de provocarem uma situação insustentável do ponto de vista aeronáutico, poderão provocar danos irreparáveis à economia do Algarve.

Perante o exposto, a Assembleia Municipal de Portimão reunida em sessão ordinária no dia 26 de Junho de 2006, condena o encerramento do Aeroporto de Faro no período referido e solicita a sua reabertura, com a reposição em pleno dos serviços de emergência o mais rapidamente possível.


O Grupo Municipal do BE

João Vasconcelos
Luísa Penisga




Obs: Esta Moção deverá ser enviada às Direcções da ANA e do Aeroporto de Faro e a todas as entidades oficiais competentes, nomeadamente Junta Metropolitana, Assembleia Metropolitana, CCDR, Governo Civil, Câmaras e Assembleias Municipais do Algarve, Assembleia da República e distribuída aos diversos órgãos de comunicação social.

Friday, June 23, 2006

MAPA DE PORTIMÃO, COM A LOCALIZAÇÃO DA ESCOLA E B MARTINHO CASTELO BRANCO


Ver mais abaixo!

Morto quando lutava pela vida! Até quando!?






HAMID HUSSAIN


Mais uma morte na lista do SEF !!




Hamid Hussain, paquistanês de 33 anos, suicidou-se devido à pressão desumana a que foi submetido pelo SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras).
Residente no Porto há cinco anos, casado e com dois filhos, em situação legal, habitual trabalhador na construção civil mas desempregado aquando dos acontecimentos, recebeu ordem de expulsão para o Paquistão por, segundo alegava o SEF, não atingir o mínimo de rendimentos, ¤5,400.00. Ainda se dirigiu ao CNAI (Comissão Nacional de Apoio ao Imigrante), onde lhe disseram que não podiam fazer nada por ele, vá-se lá saber por que razão.
No dia 30 de Maio foi, mais uma vez, ao SEF, tentar talvez resolver o problema ou obter informações, onde foi outra vez maltratado.
Provavelmente estaria exaltado, como qualquer pessoa na sua situação, desesperado perante a perspectiva de ter que voltar ao seu país de origem e às condições de vida que tinha abandonado com tanto esforço. Mandaram-no embora, dizendo-lhe que estava maluco.
Mas Hamid não tinha qualquer problema mental nem problemas com redes de imigração ou máfias obscuras. Nesse dia, desapareceu. Atirou-se da ponte D. Luis. Seis dias depois o corpo estava no Instituto de Medicina Legal, acompanhado do passaporte e do número de contribuinte.
Apesar de estar na posse de documentos de identificação do corpo, o IML não só não contactou ninguém como se estava a preparar para o cremar sem autorização nem conhecimento da família. Só no dia 11 de Junho (Domingo) os familiares conseguiram reencontrar Hamid, depois de o terem procurado mais uma vez na polícia, onde lhes disseram que fossem ao IML, onde poderia estar.
É impressionante constatar a forma como as pessoas que cá residem, legais ou ilegais, são tratadas pelas instituições portuguesas.
Pelo SEF, com os seus maus-tratos constantes, de que o célebre caso do contentor no aeroporto é apenas uma face visível. Pelo IML e a sua desconsideração e desprezo por familiares e amigos desesperados por notícias dos entes queridos.
Além de tudo isto, que país é este que expulsa pessoas válidas, legais e com vontade de trabalhar pela simples razão de não ganharem num ano 1080 contos (90 contos por mês)?
Reestruturação da rede ferroviária do Algarve em estudo

21-06-2006 8:30:00 in Observatório do Algarve.


2007 é o horizonte para a conclusão de um estudo para reformular o sistema ferroviário do Algarve, anunciou em Albufeira a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino.
A governante disse ontem que o estudo deverá estar pronto até ao fim do primeiro semestre do próximo ano, e será elaborado por um grupo de trabalho composto por elementos da CCDR/Algarve, Associação de Municípios do Algarve, Refer, Direcção Geral de Transportes Terrestres e Fluviais, CP e Universidade do Algarve.
Ana Paula Vitorino falava aos jornalistas à margem da inauguração da estação central de camionagem de Albufeira, de onde seguiu para uma visita às instalações do porto de pesca daquela cidade.
De acordo com aquela responsável, o grupo de trabalho, que no prazo de um mês deverá apresentar a calendarização e metodologia que vai seguir, vai analisar várias alternativas e avaliar o esforço financeiro que o Estado terá que despender em cada uma.
Salientando que será um estudo demorado, observou que vão ser analisadas as necessidades de mobilidade da população algarvia durante o Inverno e da população acrescida de turistas durante o Verão.
"Uma das conclusões até pode ser alterar tecnologicamente toda a linha do Algarve", disse, acrescentando que o estudo contemplará as vertentes de transporte de passageiros e de mercadorias.

Urge por parte dos Bloquistas voltar à carga com a questão da ferrovia "Transalgarve", agora com a crise petrolifera, a coisa torna-se "urgente", já é tempo de acabar com uma calendarização tipo "Calendas Gregas".

A definição do tipo de transporte (Comboio pesado convencional...? metro de superficie ou comboio ligeiro...? Qual o percurso...? Haverá a vertente de transporte de mercadorias? Ficam todas as Zonas do barrocal fora dos trajectos?)

O BE tem de lançar a discução, e o mais rápido possível !! (O barril de crude não tardará a atingir os 100 Dólares!).

f gregório



LOCALIZAÇÃO DA ESCOLA




Para chegares à Escola E B Martinho Castelo Branco, (Onde se realiza a assemb... distrital do BE),deves subir a Av 25 de Abril até onde diz Bairro Pontal (não entrar no bairro)...seguir em frente até à rotunda comomerativa do 25 Abril, então viras à direita como se te dirigisses para a praia da Rocha...antes da segunda retunda à direita podes avistar a Escola.(Indicada no Mapa pela cruz Vermelha).

(Dica) Em frente fica a urbanização "Vila Rosa".