PicassoMonday, December 26, 2005
POESIA

Se houvesse degraus na terra...
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Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.
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Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.
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Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.
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Herberto Helder
Toxicodependência

PJ apreende mais de 4 mil doses de cocaína
Quatro homens e uma mulher foram detidos A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Portimão, deteve terça-feira três homens e uma mulher suspeitos de tráfico de estupefacientes. Os presumíveis traficantes foram interceptados pelas autoridades Policia na posse de cocaína e haxixe quando desenvolviam aquela actividade criminosa. No decurso de diligências subsequentes foram apreendidas quantidades de produto, devidamente acondicionado e escondido, que davam para cerca de 4 mil doses de cocaína e 400 doses de haxixe Os detidos, sem antecedentes criminais, foram submetidos a primeiro interrogatório judicial, ficando um deles obrigado a apresentar-se periodicamente às autoridades e os restantes sujeitos a prisão domiciliária.
in;Região-Sul, on-line
As novas apreensões de cocaína, marcam uma viragem no que diz respeito à variação quanto à procura das drogas que estão “in”.
Hoje em dia o heroinómano é visto pelos jovens como um “vencido da vida “, um “fim de linha” sem glamour, um ser enquadrado no estereótipo do “Loser”anglo-saxão.
O extasy e a coca pertencem aos potenciais “vencedores”, à rapaziada que circula entre gente “bonita”, muitas das vezes em discotecas muito “in”.Assim qualquer nova abordagem do fenómeno tem de ser claramente diferenciada relativamente ao que se passava à 10 ou 15 anos a trás.
O consumidor de coca/extasy, circula aparentemente integrado,,…não é o arrumador de automóveis.
Passamos desde agora a lidar com gente que muitas vezes vai aguentando um trabalho e relações familiares quase sempre perclitantes…mas que vão aguentando as aparências.
O cocainómano espanca alguém com alguma facilidade (em situações de sobredose),não tem a postura passiva/vencida do heroinómano, mas apesar disso as mais das vezes é um “integrado” ao contrário do heroinómano.
Enfim gente doente que para viver (E apesar de ser apenas um consumidor), tem de comprar alguma coca por atacado, para em seguida proceder ao “corte”, assim vai snifar a sua dose e vai pagá-la com a venda do “produto” anteriormaente, “cortado”. Esta gente não pode ser vista como o “Grande Dealer”. Enviá-la para a prisão, isso sim pode transformar essa rapaziada em dealers ligados a redes que muitas vezes se formam dentro das prisões.
É necessário que se continue a considerar o consumidor um doente e que se questione as quantidades de “produto”que são o sufeciente para transformar um doente num criminoso. Sabemos que a grande maioria dos consumidores têm de recorrer ao processo Compra/Corte, este processo repete-se 3 ou 4 vezes ao longo de todo o pequeno sistema de distribuição de rua. Sendo que quase sempre a coca chega ao nariz de fim da linha, com alguma coisa como 35% de pureza.
fernando gregorio
Hoje em dia o heroinómano é visto pelos jovens como um “vencido da vida “, um “fim de linha” sem glamour, um ser enquadrado no estereótipo do “Loser”anglo-saxão.
O extasy e a coca pertencem aos potenciais “vencedores”, à rapaziada que circula entre gente “bonita”, muitas das vezes em discotecas muito “in”.Assim qualquer nova abordagem do fenómeno tem de ser claramente diferenciada relativamente ao que se passava à 10 ou 15 anos a trás.
O consumidor de coca/extasy, circula aparentemente integrado,,…não é o arrumador de automóveis.
Passamos desde agora a lidar com gente que muitas vezes vai aguentando um trabalho e relações familiares quase sempre perclitantes…mas que vão aguentando as aparências.
O cocainómano espanca alguém com alguma facilidade (em situações de sobredose),não tem a postura passiva/vencida do heroinómano, mas apesar disso as mais das vezes é um “integrado” ao contrário do heroinómano.
Enfim gente doente que para viver (E apesar de ser apenas um consumidor), tem de comprar alguma coca por atacado, para em seguida proceder ao “corte”, assim vai snifar a sua dose e vai pagá-la com a venda do “produto” anteriormaente, “cortado”. Esta gente não pode ser vista como o “Grande Dealer”. Enviá-la para a prisão, isso sim pode transformar essa rapaziada em dealers ligados a redes que muitas vezes se formam dentro das prisões.
É necessário que se continue a considerar o consumidor um doente e que se questione as quantidades de “produto”que são o sufeciente para transformar um doente num criminoso. Sabemos que a grande maioria dos consumidores têm de recorrer ao processo Compra/Corte, este processo repete-se 3 ou 4 vezes ao longo de todo o pequeno sistema de distribuição de rua. Sendo que quase sempre a coca chega ao nariz de fim da linha, com alguma coisa como 35% de pureza.
fernando gregorio
Muro da Cijordânia
Para ter acesso ao dossier de "EL Mundo"sobre o muro da Cijordânia:
http://www.elmundo.es/elmundo/2002/graficos/nov/s1/muro.html
http://www.elmundo.es/elmundo/2002/graficos/nov/s1/muro.html
Saturday, December 24, 2005
PALESTINA

PALESTINATemen que Gaza se convierta en una gran prisión a cielo abierto
Departamento de PrensaComité Democrático
Palestino - Chile http://www.palestinalibre.org aislada del mundo, luego de la retirada de colonos
Aplaudida por toda la comunidad internacional, por los palestinos, la histórica retirada de las colonias ilegales de la Franja de Gaza plantea grandes interrogantes en cuestiones como la seguridad, la economía o la estabilidad política de la región.
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La evacuación significa que por primera vez Israel va a entregar territorios ocupados en la Guerra de 1967.
La inicial euforia palestina dejó paso al temor de que Gaza, una franja de 360 kilómetros cuadrados enclavada en el Mediterráneo, quede incomunicada del resto del mundo mientras Israel sigue controlando el acceso a su territorio por aire, tierra y mar.
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Según señala literalmente el Plan de Desconexión de Gaza, “Israel conservará y controlará el perímetro externo de la Franja de Gaza, mantendrá su autoridad exclusiva sobre el espacio aéreo de Gaza y conseguirá sus actividades de mantenimiento de la seguridad a lo largo del litoral de la franja.“Sin control de las fronteras y sin circulación entre Cisjordania y Gaza, ésta se convertirá en una gran prisión a cielo abierto”, no dejan de repetir portavoces de la Autoridad Palestina.
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Al respecto, el enviado especial del Cuarteto para Oriente Medio (EE.UU., Unión Europea, Rusia y la ONU), James Wolfensohn, subrayó recientemente que los palestinos necesitan circular libremente entre Gaza y Cisjordania, pues de lo contrario la primera sería una “gran prisión”.
“La Franja de Gaza debe ser una región de la que sea posible entrar, salir y comerciar libremente, siempre respetando la seguridad de Israel”, manifestó el funcionario.El control israelí del tránsito de personas y mercancías significaría el control de las importaciones y exportaciones palestinas y la economía local nunca podrá despegar.
Desde el estallido de la Intifada en 2000, las finanzas palestinas se han hundido completamente y el desempleo en Gaza afecta al 70% de la población, según la ONU.
POEMA

Foi então que a luz vacilou numa
trégua indiferente,
posso esperar perpetuamente
e esta a casa permanecerá despojada.
...
Porque o vento derrotou as candeias,
sobre os sorrisos depositaram-se cinzas,
e não serão as palavras idóneas
para florescer sobre tal devastação.
...
Não serão igualmente as primaveras,
nem o fogo redentor sobre os ombros,
pois este é o mês em que toda a luz
foi ferida pelo negro punhal do tempo.
...
E em que o sangue se questionou demandando
a sua fonte primeira onde a dor superou a luz,
sobre o vazio que me habitou as mãos.
Fernando Gregório Em memória de minha mãe.
Friday, December 23, 2005
Miguel Portas em Silves
Cavaco gera expectativa sob imagem de D.Sebastião, diz Miguel Portasbarlavento Ver Fotos »
Miguel Portas em Silves
O eurodeputado do Bloco de Esquerda Miguel Portas relacionou o aumento da influência de Cavaco S ilva perante o eleitorado com a imagem de «D. Sebastião» conquistada pelo candidato e construída sobre o silêncio a que se remete.
TEMAS: Presidenciais
«Boa parte do eleitorado espera de Cavaco que este seja uma espécie de salvador da pátria em manhã de nevoeiro e é essa expectativa que tem aumentado a influência do candidato de direita», afirmou.O deputado europeu eleito pelo Bloco de Esquerda falava sábado à noite em Vila Real de Santo António, após um jantar que reuniu mais de meia centena de apoiantes de Francisco Louçã, evento que encerrou o primeiro dia de pré-campanha no Algarve.
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Referindo-se ao silêncio do candidato apoiado pelo PSD/CDS-PP, Miguel Portas disse ainda que Cavaco Silva evita falar sob pena «de se revelar o mistério», já que é a sua postura do «não digo e não faço nada porque assim é que posso ganhar» que lhe confere a imagem de D. Sebastião.Miguel Portas aproveitou também para criticar Manuel Alegre, sugerindo que, apesar do candidato se ter apresentado como uma alternativa ao que chama de «poder bicéfalo», o seu discurso não tem «sumo» e reduz-se cada vez mais à «vitimação» e à ideia do «ainda estou aqui e não desisto».
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Referindo-se à demarcação de Cavaco Silva da eventualidade de alterar os poderes presidenciais, Francisco Louçã encerrou os discursos da noite sugerindo que existe uma espécie de «contaminação cavaquista» nesta campanha eleitoral.«Existe uma forma cavaquista de organizar o debate eleitoral que consiste em discutir intensamente aquilo sobre o qual nada há a fazer e não se preocupar com aquilo que se pode modificar», disse, observando que esta concepção «é uma forma de diminuir a democracia».
In: Barlavento
18 de Dezembro de 2005 09:13lusa

Discurso de aceitação do Prémio Nobel da Literatura 2005
Harold Pinter
Nobelprize.org
Em 1958, escrevi o seguinte:
«Não há grandes diferenças entre a realidade e a ficção, nem entre o verdadeiro e o falso. Uma coisa não é necessariamente ou verdadeira ou falsa; pode ser ao mesmo tempo verdade e mentira».
Creio que estas afirmações ainda fazem sentido, e ainda se aplicam à exploração da realidade através da arte. Assim, como escritor, mantenho-as, mas como cidadão não posso; como cidadão tenho de perguntar: Que é verdade? Que é mentira?
A verdade na arte dramática é sempre esquiva. Nunca a encontramos completamente, mas a busca por ela é compulsiva. A busca é claramente o que motiva o empenho. A busca é a tua tarefa. Muitas vezes, tropeçamos com a verdade na escuridão, chocando com ela ou vislumbrando uma imagem ou uma forma que parece corresponder à verdade, frequentemente sem nos darmos conta disso. Mas a verdade real é que na arte dramática não há tal coisa como uma verdade única. Há muitas. Estas verdades desafiam‑se mutuamente, recusam‑se mutuamente, reflectem-se mutuamente, ignoram-se mutuamente, provocam‑se mutuamente, são cegas umas em relação às outras. Às vezes, sentimos que temos a verdade de um momento na mão, então escapa‑se entre os nossos dedos e perde‑se.
Perguntaram-me com frequência como nascem as minhas peças. Não sei dizê‑lo. Como também não posso resumir as minhas peças, a não ser para dizer que foi isto o que aconteceu. Isso é o que elas dizem. Isso é o que elas fizeram.
A maior parte das peças são geradas por uma frase, uma palavra ou uma imagem. A palavra é com frequência rapidamente seguida pela imagem. Darei dois exemplos de duas frases que apareceram na minha cabeça do nada, seguidas por uma imagem, seguidas por mim.
As peças são The homecoming e Old times. A primeira frase de The homecoming é «Que fizeste com a tesoura?» A primeira frase de Old times é «Escuro».
Em ambos os casos, não tinha mais informação.
No primeiro caso alguém estava, obviamente, à procura de uma tesoura e perguntava pelo seu paradeiro a alguém de quem suspeitava que provavelmente a tinha roubado. Mas eu, de alguma maneira, sabia que à pessoa interrogada pouco lhe importava a tesoura ou, já agora, o interrogador.
“Escuro”, tomei como a descrição do cabelo de alguém, o cabelo de uma mulher, e era a resposta a uma pergunta. Em ambos os casos vi‑me compelido a dedicar‑me ao assunto. Isto ocorreu visualmente, numa muito lenta graduação, da sombra para a luz.
Sempre começo uma obra chamando aos personagens A, B e C.
Na peça que se tornou The Homecoming, vi um homem entrar numa sala austera e fazer a sua pergunta a um homem mais jovem sentado num sofá feio a ler um jornal de corridas de cavalos. De alguma forma suspeitava que A era um pai e que B era seu filho, mas não tinha provas. Isto foi, no entanto, confirmado pouco depois quando B (que depois seria Lenny ) disse a A (que depois seria Max), «Pai, importas‑te que mude de assunto? Quero perguntar‑te uma coisa. O jantar que tivemos antes, como se chama? Como o chamas tu? Por que não compras um cão? És um cozinheiro de cães. A sério. Pensas que estás a cozinhar para cães». Assim, como B chama “Pai” a A, pareceu‑me razoável assumir que eram pai e filho. E havia também claramente o cozinheiro e a sua comida não parecia ser muito valorizada. Queria isto dizer que não havia uma mãe? Não sabia. Mas, como disse a mim mesmo então, os nossos princípios nunca sabem os nossos fins.
“Escuro”. Uma grande janela. Um céu ao entardecer. Um homem, A (que depois seria Deeley) e uma mulher, B (que depois seria Kate) sentados com bebidas. «Gorda ou magra», pergunta o homem. De quem falam? Mas então vejo, de pé junto à janela, uma mulher, C (que depois seria Anna), alumiada por uma luz diferente, de costas para eles, com o cabelo escuro.
É um momento estranho, o momento de criar personagens que até esse momento não tinham tido existência. O que se segue é irregular, vacilante, mesmo alucinatório, ainda que por vezes possa ser uma avalanche imparável. A posição do autor é esquisita. Em certo sentido, não é bem-vindo pelas personagens. As personagens resistem‑lhe, não é fácil conviver com elas, são impossíveis de definir. Certamente não podemos dar‑lhes ordens. Até certo ponto, jogamos um jogo interminável com elas, ao gato e ao rato, ao adivinha quem é [blind man’s buff], às escondidas. Mas finalmente descobrimos que temos pessoas de carne e osso nas nossas mãos, pessoas com uma vontade e com uma sensibilidade individual próprias, feitas de partes componentes que somos incapazes de mudar, manipular ou distorcer.
Assim, a linguagem na arte continua a ser uma ambiciosa transação, umas areias movediças, um trampolim, uma poça gelada que pode ceder sob os pés, os do autor, em qualquer momento.
Mas, como disse, a busca da verdade nunca pode parar. Não pode ser suspensa, não pode ser adiada. Tem que ser enfrentada, ali mesmo, no acto.
O teatro político apresenta uma variedade totalmente diferente de problemas. Há que evitar os sermões a todo o custo. A objectividade é essencial. Deve‑se deixar que as personagens respirem por sua própria conta. O autor não pode confiná‑las nem constringi‑las para satisfazer o seu próprio gosto, disposição ou preconceitos. Tem de estar preparado para se aproximar delas de uma variedade de ângulos, de um sortido amplo e desinibido de perspectivas, talvez, ocasionalmente, tomá-las de surpresa, mas apesar de tudo, dando-lhes a liberdade para ir aonde desejem. Isto nem sempre funciona. E a sátira política, evidentemente, não adere a nenhum destes preceitos, na verdade, faz precisamente o contrário, o que é a sua autêntica função.
Na minha peça The birthday party creio que permito o funcionamento de um amplo leque de opções numa densa floresta de possibilidades antes de finalmente me concentrar num acto de subjugação.
Mountain Language não aspira a essa amplitude de funcionamento. Permanece brutal, curta e feia. Mas os soldados na peça sim divertem‑se com aquilo. Um por vezes esquece‑se que os torturadores se aborrecem facilmente. Precisam de se rir de vez em quando para manter o ânimo. Isto foi, evidentemente, confirmado pelos acontecimentos em Abu Ghraib em Bagdade. Mountain language dura só 20 minutos, mas poderia continuar hora após hora, uma e outra e outra vez, o mesmo padrão repetido de novo e de novo, uma e outra vez, hora após hora.
Ashes to ashes, por outro lado, dá-me a impressão de ter lugar debaixo de água. Uma mulher que se afoga, a sua mão que emerge das ondas, que se afunda e desaparece, procurando outras, mas não encontrando ali ninguém, seja acima seja debaixo de água, encontrando unicamente sombras, reflexos, boiando; a mulher uma figura perdida numa paisagem de naufrágio, uma mulher incapaz de escapar do destino que parecia pertencer apenas a outros.
Mas, como eles morreram, ela também deve morrer.
A linguagem política, tal como é usada pelos políticos, não se adentra em nenhum destes territórios dado que a maioria dos políticos, segundo a evidência disponível, não estão interessados na verdade mas no poder e na manutenção desse poder. Para manter esse poder é essencial que as pessoas permaneçam na ignorância, que vivam na ignorância da verdade, mesmo da verdade sobre as suas próprias vidas. O que nos rodeia é portanto um enorme entrelaçado de mentiras, das quais nos alimentamos.
Como cada indivíduo aqui sabe, a justificação para a invasão do Iraque era que Saddam Hussein possuía um perigosíssimo arsenal de armas de destruição em massa, algumas das quais podiam ser lançadas em 45 minutos, provocando uma apavorante devastação. Asseguraram-nos que isso era verdadeiro. Não era verdadeiro. Disseram-nos que o Iraque tinha uma relação com a Al Qaeda e que partilhava a responsabilidade pela atrocidade de 11 de Setembro de 2001 em Nova York. Asseguraram-nos que isto era verdadeiro. Não era verdadeiro. Disseram-nos que o Iraque ameaçava a segurança do mundo. Asseguraram-nos que era verdadeiro. Não era verdadeiro.
A verdade é algo totalmente diferente. A verdade tem a ver com a forma como os Estados Unidos entendem o seu papel no mundo e como decide encarná-lo.
Mas antes de voltar ao presente, gostaria de olhar o passado recente, refiro-me à política externa dos Estados Unidos desde o final da Segunda Guerra Mundial. Creio que é nossa obrigação submeter este período a pelo menos algum tipo de escrutínio, ainda que limitado, que é tudo o que o tempo nos permitirá aqui.
Todos sabem o que aconteceu na União Soviética e por toda a Europa de Leste durante o período do pós‑guerra: a brutalidade sistemática, as múltiplas atrocidades, a implacável supressão do pensamento independente. Tudo isto foi amplamente documentado e verificado.
Mas a minha contenda aqui é que os crimes dos EUA no mesmo período só foram registrados de forma superficial, não digamos já documentados, ou admitidos, ou reconhecidos sequer como crimes. Creio que isto deve ser encarado e que a verdade [sobre este assunto] tem muito a ver com a situação em que se encontra o mundo actualmente. Embora limitadas, até certo ponto, pela existência da União Soviética, as acções dos Estados Unidos por todo o mundo deixaram claro que tinham concluído que tinham carta branca para fazer o que quisessem.
A invasão directa de um estado soberano nunca foi, na verdade. o método favorito dos Estados Unidos. Na maioria dos casos, preferiram o que descreveram como “conflito de baixa intensidade”. Conflito de baixa intensidade significa que milhares de pessoas morrem, mas mais lentamente do que se lançássemos uma bomba sobre eles de um só golpe. Significa que infectamos o coração do país, que estabelecemos um tumor maligno e observamos o desenvolvimento da gangrena. Quando o povo foi submetido – ou moido a paus – o que vem a ser o mesmo – e os nossos próprios amigos, os militares e as grandes corporações, se sentam confortavelmente no poder, vamos à frente da câmara e dizemos que a democracia triunfou. Isto foi um lugar comum na política externa dos Estados Unidos durante os anos a que me refiro.
A tragédia da Nicarágua foi um caso muito significativo. Escolhi apresentá‑lo aqui como um exemplo potente de como os Estados Unidos vêem o seu papel no mundo, tanto então como agora.
Estive presente numa reunião na embaixada dos EUA em Londres no final dos anos oitenta.
O Congresso de Estados Unidos estava prestes a decidir se dar mais dinheiro aos Contras para a sua campanha contra o estado da Nicarágua. Eu era um membro de uma delegação que vinha falar em nome da Nicarágua, mas a pessoa mais importante nesta delegação era o Padre John Metcalf. O líder do grupo dos EUA era Raymond Seitz (então número dois do embaixador, mais tarde embaixador ele mesmo). O Padre Metcalf disse: «Senhor, dirijo uma paróquia no norte da Nicarágua. Os meus paroquianos construíram uma escola, um centro de saúde, um centro cultural. Vivíamos em paz. Há alguns meses uma força dos Contra atacou a paróquia. Destruíram tudo: a escola, o centro de saúde, o centro cultural. Violaram as enfermeiras e as professoras, assassinaram os médicos, da forma mais brutal. Comportaram-se como selvagens. Por favor, peça que o governo dos EUA retire o seu apoio a esta revoltante actividade terrorista».
Raymond Seitz tinha muito boa reputação como homem racional, responsável e altamente sofisticado. Era grandemente respeitado nos círculos diplomáticos. Escutou, fez uma pausa, e depois falou com alguma gravidade. «Pai», disse, «deixe-me dizer-lhe algo. Na guerra, as pessoas inocentes sofrem sempre». Houve um frio silêncio. Olhamos para ele. Ele não piscou.
As pessoas inocentes, de facto, sempre sofrem.
Finalmente, alguém disse: «Mas neste caso as “pessoas inocentes” foram vítimas de uma horrível atrocidade subvencionada pelo seu governo, uma entre muitas. Se o Congresso concede aos Contras mais dinheiro, mais atrocidades desta tipo terão lugar. Não é assim? Não é, portanto, o seu governo culpado de apoiar actos de assassinato e destruição contra os cidadãos de um estado soberano?»
Seitz manteve‑se imperturbável. «Não estou de acordo que os factos, tal como foram apresentados, apoiem as suas afirmações», disse.
Enquanto abandonávamos a embaixada, um assessor estado‑unidense disse‑me que apreciava as minhas peças. Não respondi.
Devo recordar-lhes que o então presidente, Reagan, fez a seguinte declaração: «Os Contras são o equivalente moral dos nossos Pais Fundadores».
Os Estados Unidos apoiaram a brutal ditadura de Somoza na Nicarágua durante 40 anos. O povo nicaraguano, liderado pelos sandinistas, derrocou este regime em 1979, uma impressionante revolução popular.
Os sandinistas não eram perfeitos. Tinham a sua quota parte de arrogância e a sua filosofia política continha um certo número de elementos contraditórios. Mas eram inteligentes, racionais e civilizados. Propuseram-se estabelecer uma sociedade estável, decente e plural. A pena de morta foi abolida. Centenas de milhares de camponeses acometidos pela pobreza foram resgatados dos mortos. Mais de 100.000 famílias receberam títulos de propriedade sobre terras. Foram construídas duas mil escolas. Uma notável campanha educativa reduziu o analfabetismo no país a menos de um sétimo. Foram estabelecidos uma educação e um serviço de saúde gratuitos. A mortalidade infantil foi reduziu em um terço. A poliomielite foi erradicada.
Os Estados Unidos denunciaram estas realizações como subversão marxista/leninista. Do ponto de vista do governo dos EUA, estava-se a estabelecer um exemplo perigoso. Se fosse permitido à Nicarágua estabelecer normas básicas de justiça social e económica, se lhe fosse permitido subir os níveis de saúde e educação e alcançar a unidade social e o auto‑respeito nacional, os países vizinhos poriam as mesmas questões e fariam o mesmo. Havia evidentemente nessa época uma feroz resistência ao status quo em El Salvador.
Falei anteriormente sobre “um entrelaçado de mentiras” que nos rodeia. O presidente Reagan descrevia habitualmente a Nicarágua como um “calaboiço totalitário”. Isto foi tomado de forma geral pelos meios de comunicação, e certamente pelo governo britânico, como um comentário correcto e justo. Mas, na verdade, não havia registro de esquadrões da morte sob o governo sandinista. Não havia registro de torturas. Não havia registro de uma brutalidade sistemática ou oficial por parte dos militares. Nenhum sacerdote foi jamais assassinado na Nicarágua. Havia, na veradde, três sacerdotes no governo, dois jesuítas e um missionário Maryknoll. Os calaboiços totalitários estavam na realidade ao lado, em El Salvador e na Guatemala. Os Estados Unidos tinham feito cair o governo democraticamente eleito da Guatemala em 1954 e estima‑se que mais de 200.000 pessoas tinham sido vítimas das sucessivas ditaduras militares.
Seis dos mais eminentes jesuítas do mundo foram brutalmente assassinados na Universidade da América Central em San Salvador em 1989 por um batalhão do regimento Alcatl treinado em Fort Benning, Geórgia, EUA. Esse homem extremamente corajoso, o Arcebispo Romero, foi assassinado enquanto dizia a missa. Estima-se que morreram 75.000 pessoas. Por que foram assassinadas? Foram assassinadas porque acreditavam que uma vida melhor era possível e que devia ser realizada. Essa crença qualificava‑os imediatamente como comunistas. Morreram porque se atreveram a questionar o status quo, a interminável situação de pobreza, a doença, a degradação e a opressão que tinham recebido como herança.
Os Estados Unidos finalmente fizeram cair o governo sandinista. Levou alguns anos e uma resistência considerável, mas uma perseguição económica implacável e 30.000 mortos finalmente minaram o ânimo do povo nicaraguano. Estavam exaustos e acometidos pela pobreza uma vez mais. Os casinos voltaram ao país. A saúde e a educação gratuitas acabaram. As grandes empresas voltaram para valer. A “democracia” tinha triunfado.
Mas esta “política” não estava, de modo nenhum, restrita à América Central. Foi conduzida por todo o mundo. Era interminável. E é como se nunca se tivesse passado.
Os Estados Unidos apoiaram e em muitos casos engendraram cada ditadura militar de direita no mundo depois do final da Segunda Guerra Mundial. Refiro-me a Indonésia, Grécia, Uruguai, Brasil, Paraguai, Haiti, Turquia, Filipinas, Guatemala, El Salvador, e, claro, Chile. O horror que os Estados Unidos infligiram ao Chile em 1973 não poderá ser nunca purgado nem esquecido.
Centenas de milhares de mortes tiveram lugar em todos estes países. Tiveram lugar? E são elas em todos os casos atribuíveis à política externa dos EUA? A resposta é sim, tiveram lugar e são atribuíveis à política externa dos EUA. Mas vocês não o saberiam.
Nunca aconteceu. Nada alguma vez aconteceu. Mesmo enquanto acontecia não estava a acontecer. Não importava. Não tinha interesse. Os crimes dos Estados Unidos têm sido sistemáticos, constantes, imorais, cruéis, mas muito poucas pessoas falaram efectivamente deles. É preciso reconhecer isto aos Estados Unidos. Exerceram uma manipulação bastante clínica do poder em todo o mundo enquanto se disfarçavam como uma força ao serviço do bem universal. É um exercício de hipnose brilhante, até espirituoso, altamente bem sucedido.
Digo-vos que os Estados Unidos são sem dúvida o maior espectáculo ambulante. Por brutais, indiferentes, desdenhosos e implacáveis que sejam, são também muito inteligentes. Como vendedores não têm rival, e a mercadoria que melhor vendem é o amor próprio. Trata‑se de um vencedor. Escutem todos os presidentes dos Estados Unidos na televisão dizer as palavras, “o povo americano”, como na frase “digo ao povo americano que é hora de rezar e defender os direitos do povo americano e peço ao povo americano que confie no seu presidente na acção que vai empreender em benefício do povo americano”.
É uma estratagema brilhante. A linguagem é efectivamente utilizada para manter o pensamento descansado. As palavras “o povo americano” produzem uma almofada de tranquilidade verdadeiramente voluptuosa. Não precisamos de pensar. Simplesmente recostemo‑nos na almofada. A almofada pode estar a sufocar a nossa inteligência e as nossas capacidades críticas mas é muito confortável. Isto não se aplica, evidentemente, aos 40 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza e aos 2 milhões de homens e mulheres prisioneiros no vasto gulag de prisões, que se estende ao longo dos Estados Unidos.
Estados Unidos já não se incomodam com os conflitos de baixa intensidade. Não vêem nenhum interesse em ser reticente ou dissimulado. Põem as suas cartas na mesa sem medo nem favor. Simplesmente está‑se marimbando para as Nações Unidas, para a lei internacional ou a discordância crítica, que encara como impotente e irrelevante. Também tem o seu próprio cãozinho que ladra seguindo atrás pela trela, a patética e indolente Grã-Bretanha.
O que aconteceu à nossa sensibilidade moral? Chegamos a ter alguma? O que significam estas palavras? Será que se referem a um termo muito raramente utilizado nestes dias – consciência? Uma consciência que tem a ver não só com os nossos próprios actos, mas também com a nossa responsabilidade partilhada nos actos dos outros? Está tudo isto morto? Olhem para a Baía de Guantánamo. Centenas de pessoas detidas sem acusação durante três anos, sem representação legal ou o devido processo, tecnicamente detidos para sempre. Esta estrutura totalmente ilegítima é mantida em desafio à Convenção de Genebra. Não só é tolerada, mas mal é considerada pelo que se chama a “comunidade internacional”. Esta ultraje criminoso está a ser cometido por um país, que se declara a si mesmo como “o líder do mundo livre”. Será que pensamos nos habitantes da Baía de Guantánamo? O que dizem os meios de comunicação sobre eles? Aparecem ocasionalmente – uma pequena menção na página seis. Eles foram consignados a uma terra de ninguém da qual, na verdade, podem nunca mais voltar. No momento, muitos estão em greve de fome, a ser alimentados à força, incluídos os residentes britânicos. Não há subtilezas nestes procedimentos de alimentação. Nem sedativos nem anestésicos. Só um tubo inserido no teu nariz e dentro da tua garganta. Tu vomitas sangue. Isto é tortura. Que disse o secretário britânico dos negócios estrangeiros sobre isto? Nada. Que disse o primeiro‑ministro britânico sobre isto? Nada. Por que não? Porque os Estados Unidos disseram: criticar a nossa conduta na Baía de Guantánamo constitui um acto pouco amistoso. Ou estais connosco ou contra nós. Assim, Blair cala‑se.
A invasão de Iraque foi um acto bandido, um acto de evidente terrorismo de estado, demonstrando um desprezo absoluto pelo conceito de lei internacional. A invasão foi uma acção militar arbitrária baseada numa série de mentiras atrás de mentiras e numa grosseira manipulação dos meios de comunicação e, portanto, do publico; um acto visando consolidar o controle militar e económico dos Estados Unidos sobre o Médio Oriente disfarçado – como último recurso – tendo todas as outras justificações caído por si mesmas – de libertação. Uma formidável afirmação de força militar responsável pela morte e mutilação de milhares e milhares de pessoas inocentes.
Levámos tortura, bombas de fragmentação, urânio empobrecido, inumeráveis actos de assassinato aleatório, miséria, degradação e morte ao povo iraquiano e chamamos a isso “levar a liberdade e a democracia ao Médio Oriente”.
Quantas pessoas é preciso matar antes de se estar qualificado para ser descrito como um assassino em massa e um criminoso de guerra? Cem mil? Mais do que suficiente, pensaria eu. Por isso, é justo que Bush e Blair sejam levados perante o Tribunal Penal Internacional de Justiça. Mas Bush foi esperto. Não ratificou o Tribunal Penal Internacional de Justiça. Por isso, se algum soldado ou, já agora, político americano se achar no banco dos réus, Bush avisou que enviará os marines. Mas Tony Blair ratificou o Tribunal e está portanto disponível para a acusação. Podemos proporcionar ao Tribunal o seu endereço se estiver interessado. É o número 10 de Downing Street, Londres.
A morte neste contexto é irrelevante. Ambos, Bush e Blair colocam a morte bem longe, nas contas atrasadas. Pelo menos 100.000 iraquianos foram mortos pelas bombas e mísseis americanos antes de a insurgência iraquiana ter começado. Estas pessoas não têm importância. As suas mortes não existem. São vazios. Nem sequer estão registradas como estando mortas. «Não fazemos contagem de corpos», disse o general americano Tommy Franks.
No início da invasão foi publicada na primeira página dos jornais britânicos uma fotografia de Tony Blair beijando a bochecha de um rapazinho iraquiano. «Um criança agradecida» dizia a legenda. Uns dias depois apareceu uma história com uma fotografia, numa página interior, de outro rapaz de quatro anos sem braços. A sua família tinha sido explodida por um míssil. Ele foi o único sobrevivente. «Quando terei os meus braços de volta?» perguntou. A história foi deixada cair. Bem, Tony Blair não o segurava nos seus braços, nem o corpo de qualquer outra criança mutilada, nem corpo de qualquer cadáver ensanguentado. O sangue é sujo. Suja a tua camisa e a tua gravata quando estás a fazer um discurso sincero na televisão.
Os 2.000 americanos mortos são um embaraço. São transportados para as suas tumbas na escuridão. Os funerais são discretos, a salvo. Os mutilados apodrecem nas suas camas, alguns para o resto das suas vidas. Assim, os mortos e os mutilados apodrecem ambos, em diferentes tipos de tumbas.
Eis um extracto de um poema de Pablo Neruda: Explico Algumas Coisas:
E uma manhã tudo estava ardendo
e uma manhã as fogueiras
saíam da terra
devorando seres,
e desde então fogo,
pólvora desde então,
e desde então sangue.
Bandidos com aviões e com mouros,
bandidos com alianças e duquesas,
bandidos com frades negros abençoando
vinham pelo céu a matar crianças,
e pelas ruas o sangue das crianças
corria simplesmente, como sangue de crianças
Chacais que o chacal recusaria,
pedras que o cardo seco morderia cuspindo,
víboras que as víboras odiariam!
Frente a vós vi o sangue
de Espanha levantar-se
para afogar-vos numa só onda
de orgulho e de facas!
Generais
traidores:
olhai a minha casa morta,
olhai a Espanha quebrada:
mas de cada casa morta sai metal ardendo
em vez de flores,
mas de cada vão de Espanha
sai a Espanha,
mas de cada criança morta sai uma espingarda com olhos,
mas de cada crime nascem balas
que vos acharão um dia o lugar
do coração.
Perguntareis por que a sua poesia
não nos fala do sonho, das folhas,
dos grandes vulcões do seu país natal?
Vinde ver o sangue pelas ruas,
vinde ver
o sangue pelas ruas,
vinde ver o sangue
pelas ruas!
Deixem‑me tornar claro que citando o poema de Neruda não estou de modo nenhum a comparar a República Espanhola com o Iraque de Saddam Hussein. Cito Neruda porque em nenhum outro lugar da lírica contemporânea li uma descrição tão visceral e poderosa do bombardeamento de civis.
Disse antes que os Estados Unidos estão agora a ser totalmente francos ao pôr as suas cartas na mesa. Esse é o caso. A sua política oficial declarada é agora definida como “domínio de espectro total”. Este não é o meu termo, é o deles. “Domínio de espectro total” quer dizer controle da terra, mar, ar e espaço e todos os seus recursos.
Os Estados Unidos ocupam agora 702 bases militares por todo o mundo em 132 países, com a honrosa excepção da Suíça, claro. Não sabemos muito bem como chegaram lá, mas o facto é que estão lá.
Os Estados Unidos possuem 8.000 cabeças nucleares activas e operacionais. Duas mil estão em alerta permanente, prontas a serem lançadas 15 minutos após aviso. Estão a desenvolver novos sistemas de força nuclear, conhecidos como destruidores de bunkeres [bunk busters]. Os britânicos, sempre cooperativos, estão a planear substituir o seu próprio míssil nuclear, o Trident. A quem, pergunto-me, estão a apontar? A Osama Bin Laden? A ti? A mim? A Joe Dokes? China? Paris? Quem sabe? O que sim sabemos é que esta loucura infantil – a posse e a ameaça de uso de armas nucleares – está no cerne da actual filosofia política dos Estados Unidos. Devemos recordar a nós mesmos que os Estados Unidos estão numa permanente postura militar e não mostram sinais de a relaxar.
Muitos milhares, se não milhões, de pessoas nos próprios Estados Unidos estão manifestamente enojados, envergonhados e zangados pelas acções do seu governo, mas tal como estão as coisas não são uma força política coerente – ainda. Mas a ansiedade, a incerteza e o medo que podemos ver a crescer diariamente nos Estados Unidos não é provável que diminua.
Sei que o presidente Bush tem muitos escritores de discursos competentes, mas gostaria de oferecer‑me como voluntário para o emprego. Proponho o seguinte breve discurso que ele pode fazer na televisão à nação. Vejo‑o solene, com o cabelo cuidadosamente penteado, sério, confiante, sincero, frequentemente sedutor, por vezes empregando um sorriso irónico, curiosamente atraente, um autêntico macho.
“Deus é bom. Deus é grande. Deus é bom. O meu Deus é bom. O Deus de Bin Laden é mau. O seu é um mau Deus. O Deus de Saddam era mau, só que ele não tinha um. Ele era um bárbaro. Nós não somos bárbaros. Nós não cortamos as cabeças das pessoas. Nós acreditamos na liberdade. Deus também. Eu não sou bárbaro. Eu sou o líder democraticamente eleito de uma democracia amante da liberdade. Somos uma sociedade compassiva. Ministramos uma electrocução compassiva e uma compassiva injecção letal. Somos uma grande nação. Eu não sou um ditador. Ele é. Eu não sou um bárbaro. Ele é. E ele é. Todos eles são. Eu possuo autoridade moral. Vêem este punho? Esta é a minha autoridade moral. E não o esqueçam”.
A vida de um escritor é extremamente vulnerável, quase uma actividade nua. Não temos que chorar por isso. O escritor faz a sua eleição e fica colado a ela. Mas é verdadeiro dizer que estamos expostos a todos os ventos, algum deles certamente gelados. Estás por tua conta, sobre uma perna. Não encontras refúgio, nem protecção – a não ser que mintas – em cujo caso, evidentemente, terás construído a tua própria protecção e, poderia argumentar-se, ter‑te‑ás transformado num político.
Referi-me à morte bastantes vezes esta tarde. Vou citar agora um poema meu chamado Morte
Onde foi o cadáver encontrado?
Quem encontrou o cadáver?
Estava o cadáver morto quando o encontraram?
Como estava o cadáver encontrado?
Quem era o cadáver?
Quem era o pai ou filha ou irmão
ou tio ou irmã ou mãe ou filho
do morto e abandonado cadáver?
Estava o cadáver morto quando foi abandonado?
Foi o cadáver abandonado?
Por quem tinha sido abandonado?
O cadáver estava nu ou vestido para uma viagem?
O que o fez declarar morto o cadáver?
Declarou morto o cadáver?
Quão bem conheceu o cadáver?
Como soube que o cadáver estava morto?
Lavou o cadáver?
Fechou ambos os seus olhos?
Enterrou o corpo?
Deixou‑o abandonado?
Beijou o cadáver?
Quando olhamos para um espelho pensamos que a imagem que nos enfrenta é exacta. Mas se nos movemos um milímetro a imagem muda. Estamos na verdade a olhar para um interminável leque de reflexos. Mas algumas vezes o escritor tem que estilhaçar o espelho – pois é do outro lado do espelho que a verdade nos olha.
Creio que, apesar das enormes dificuldades que existem, uma firme, inquebrantável, feroz determinação intelectual, como cidadãos, para definir a autêntica verdade das nossas vidas e das nossas sociedades é uma obrigação crucial que nos diz respeito a todos. É, realmente, obrigatório.
Se tal determinação não estiver incorporada na nossa visão política, não temos esperança de restaurar o que está quase perdido para nós – a dignidade do ser humano.
__________O vídeo da gravação deste discurso pode ser visualizado aqui (n. IA).
Thursday, December 22, 2005
Presidenciais


Louçã acusa Cavaco de abrir caminho aos «jobs for the boys»
barlavento Ver Fotos »
Francisco Louçã no comício em Portimão
O candidato presidencial Francisco Louçã acusou Cavaco Silva de abrir caminho aos «jobs for the boys» ainda antes da realização das eleições, aludindo ao seu comportamento durante um jantar onde se reuniu com jovens de sucesso.
Afirmando ter sabido pela Imprensa que Cavaco Silva percorreu, durante um jantar de pré-campanha realizado no sábado, as mesas dos presentes perguntando qual era a sua área, Louçã aproveitou para lançar críticas ao comportamento do candidato de direita.«Ainda não houve as eleições, mas os 'jobs for the boys' já vão abrindo caminho», disse, acrescentando que quem quer fazer campanha sabe que as perguntas rigorosas não são sobre empregos e sucesso, mas sobre dificuldades.
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O candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda falava em Silves, após um almoço onde reuniu cerca de uma centena de apoiantes e ao qual se seguiu uma festa-comício em Portimão.«A área de grande parte deste país é a pobreza, o desemprego, e a disparidade entre homens e mulheres», exclamou, lembrando as muitas pessoas cuja área «é bater à porta dos centros de emprego e ficar à espera».Aludindo às mais recentes sondagens sobre as presidenciais, que dão a vitória a Cavaco Silva, afirmou não estar entre aqueles que ficam «aborrecidos» quando as sondagens dizem aquilo de que não gosta, porque está aqui «para mudar as sondagens».
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19 de Dezembro de 2005 09:31lusa
Ocupação do Iraque!

Os USA usam de novo o "fósforo branco"em Al Anbar e atacam pela segunda vez o Hospital de Al Qaim.
Algumas testemunhas afirmaram "Quando se enterraram os cadáveres as suas roupas estavam intactas, mas quando se tocava os corpos, estes desfaziam-se como cinzas".
No dia 15 de Novembro em Ebedy, os soldados americanos obrigaram as familias a passar a noita ao relento (as temperaturas eram muito baixas), dois bébés de meses morreram durante a noite com frio.
LINK :Operación "Telón de Acero": El verdadero rostro de la ocupación
Wednesday, December 21, 2005
JAPONESES INSISTEM NA PESCA DA BALEIA
Poema

Não te grito, nem te cheiro
Quando as águas correm desabadas
Do alto do teu corpo
Feito cimento cru, feito osso.
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Se fosse real teu inimigo
Haveria de pendurar laranjas
No limoeiro do quintal em frente
Poderia dizer-te as estrelas todas do caminho feito regresso
Morte
Poema de William Junqueira - Jovem poeta portimonense.
Editado na Revista Literária http://www.storm-magazine.com
Uma proposta

Uma proposta de presente! (Para si ou para terceiros)
Diário de uma Adolescente em Moscovo, anos 30: Nina Lugovskaya
Eu Quero Viver !
Nina Lugovskaya
A Anne Frank russa. Encontrado nos arquivos da NKVD, o diário agora editado revela o dia-a-dia, os dilemas e problemáticas de uma adolescente moscovita. De 1932 a 1937, Nina revela, na intimidade do seu diário, a clima de medo e opressão vivida sob o regime estalinista. Confiscado o seu diário quando tinha apenas 18 anos, Nina e a família são enviados para o campo prisional de Kolima. Dos primeiros amores a uma agudo desejo de liberdade, o diário desta adolescente é um valioso documento histórico e humano.
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Ter um diário era por si um perigo, um segredo. A intimidade do pensamento e a liberdade de expressão não combinavam com o regime totalitarista de Estaline. Quando em 1932, com 14 anos, Nina inicia o seu diário, atormentavam-na os problemas de qualquer adolescente. Rapazes, amores, amigos, a solidão. Com a prisão do pai, um conhecido anti-bolchevique, Nina desenvolve contudo uma consciência política que tornam o seu diário um documento único. Encontrado por uma investigadora nos arquivos da NKVD, o diário de Nina Lugovskaya serviu de prova contra a jovem, acusada em 1937 de “contra revolucionária”.
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No diário manifestava os seus medos e anseios, a revolta contra Estaline e contra o regime. Ao ver os seus escritos confiscados condenou-se, e condenou toda família, a cinco anos de prisão em Kolima. Tendo acabado por casar com Victor Templin, um preso político que conheceu nos tempos de exílio, Nina acabou por se tornar pintora conseguindo assim sobreviver aos horrores da prisão e do estalinismo.
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Com a edição dos seus diários, recupera-se um vivo e inteligente testemunho de uma jovem inadaptada ao regime. Registo da sua juventude e inconstância, dos seus sonhos e complexos, revela amiúde um negro período da história da Rússia. Pelo valor histórico e humano do seu testemunho, Nina é por muitos comparada a Anne Frank. A Anne de Estaline. 1024027
À venda nas livrarias.
Manuel da Luz (Entrevistado no Jornal do Algarve)

J.A. – Este (O Lisboa – Dakar ) é sem dúvida o maior evento que o município já realizou até ao momento...
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M.L. – Assumimos nos últimos anos a estratégia de acolher grandes manifestações internacionais para promover a cidade, a sua cultura e a sua oferta turística. Hoje, Portimão está na rota dos grandes eventos – Grande Prémio de Moto-náutica, Mundialito de Futebol de Praia, Torneio Internacional de Ginástica Rítmica –, são elementos activos de promoção da imagem de Portimão e que geraram também "know-how" na nossa capacidade de organizar e acolher bem. É uma opção estratégica que certamente nos dotará de uma vantagem competitiva, que assumimos como determinante, sobretudo se considerarmos que a curto prazo entrarão em funcionamento um conjunto de equipamentos âncora para o município e para esta região que exigirão uma dinâmica de programação, de funcionamento e de rentabilização sem precedentes nesta sub-região.
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in; Jornal do Algarve
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Estamos seguros de que Portimão dispõe de bons argumentos para concorrer ao grande prémio do "Desordenamento e caos urbanistico"...,se calhar valia a pena tentar...!?
f.greg.
Tuesday, December 20, 2005
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