Outubro 27, 2006 por Nuno Ramos de Almeida
Friday, October 27, 2006
O Blog 5 dias
Outubro 27, 2006 por Nuno Ramos de Almeida
BAAL 21 E ALQUEVA

BAAL 21 e Alqueva
Monday, October 23, 2006
Thursday, October 19, 2006
Oscar Wilde

A Imoralidade da Moral
A discórdia é sermos obrigados a estar em harmonia com os outros. A nossa própria vida é o que há de mais importante. Agora, se quisermos ser pedantes ou puritanos, podemos tecer as nossas considerações morais sobre a vida dos outros, mas estas não nos dizem respeito. Para além disso, o individualismo é realmente o mais elevado dos ideais. A moralidade moderna consiste na aceitação dos modelos da nossa época. Julgo que aceitar o modelo da nossa época será, para qualquer homem culto, a mais crassa das imorallidades.
Oscar Wilde, in 'O Retrato de Dorian Gray'
Wednesday, October 18, 2006
Vemos ,Ouvimos e Lemos.

Contudo, esta modernidade, que nos acompanha, não modificou, substancialmente, as nossas mentalidades e atitudes. Temos medo dos princípios morais e dificuldade em chamar as coisas pelos nomes, criando impérios, guerras, partilhas entre Estados e Estados-Providência, que não resolveram os problemas demográficos, económicos, sociais e culturais do nosso tempo.
Ouvimos e lemos que são necessários donativos, sacrifícios, trabalhos…, esquecendo a justiça, a solidariedade, a responsabilidade, a liberdade e a democracia, práticas tão mal tratadas e que, muitas vezes, têm dado lugar a resultados antagónicos – cultura do individualismo e da excelência. Não basta proclamar que os Direitos Humanos são os fundamentos que garantem o exercício de direitos e liberdades e a criação de condições mínimas de vida. Através da Educação e da Cultura, é imprescindível assumir as três gerações como uma exigência à escala planetária. Vejamos:
Direitos de Primeira Geração – Direitos Cívicos e Políticos – fazem referência às reivindicações de movimentos operários e de vários colectivos, lutando pela liberdade de pensamento, de consciência, de religião, de opinião, de reunião, de associação, e de participação em actos eleitorais, bem como o direito à vida, à igualdade de tratamento perante a lei e o direito de propriedade – liberdades individuais ou direitos civis.
Direitos de Segunda Geração – Direitos Económicos, Sociais e Culturais – luta-se pelo direito ao trabalho, pelo direito à habitação, saúde, educação, lazer e aos serviços sociais e culturais – autonomia e igualdade como referentes de inclusão social.
Direitos de Terceira Geração – Direitos dos Povos ou da Solidariedade – direito ao desenvolvimento, direito de defesa e protecção da natureza, contra a discriminação da mulher, contra o racismo e pelo respeito das minorias étnicas, sexuais ou religiosas, pelo direito dos povos à autodeterminação e independência, pela multiculturalidade contra o etnocentrismo ocidental ou outras formas de hegemonia cultural e pelo direito à paz – justiça e solidariedade como pilares de um mundo sustentável.
Em nossa opinião, qualquer estratégia para o futuro terá de pôr em prática uma pedagogia da inclusão e não da exclusão de todos os seres humanos, isto é, um consenso sólido resultante de práticas dialógicas de dissensão, para utilizar a linguagem de Habermas. A marginalização de pessoas e a inferiorização de determinadas regiões do planeta são a forma mais cómoda de promover a exclusão social, económica, política e cultural. Urge promover os Direitos Humanos e educar para a cidadania activa.”
Tuesday, October 17, 2006
Efeméride
Esta efeméride é curiosa, numa altura em que, em plena democracia, podemos estar a caminhar, a passos largos, para a quase extinção da Segurança Social. Parece um contra-senso que um governo de índole fascista, por definição e prática, pouco preocupado com os problemas sociais do país, tome, neste campo, uma iniciativa que poderá vir a ser posta em causa por um governo, dito, “socialista”.
Depois de aguentarmos as agruras de um regime repressivo, de partido único, completamente nas tintas para o sofrimento dos mais desprotegidos, passámos para um regime de pensamento único, não muito menos repressivo e totalitário, ainda que de forma subtil, protagonizado por um governo, nominalmente de esquerda. E isto é o que ainda dói mais pois faz perder a esperança de que cheguem dias melhores. Somos, diariamente, massacrados pela ideia, absurda, de que não há alternativa. Mas há, desde que se queira trabalhar nesse sentido. A nossa resposta, repetida até à exaustão, deve ser a de que outro mundo é possível.
Saturday, October 14, 2006
Artigo de Miguel

Em casa onde não há pão...
http://www.miguelportas.net
Miguel Portas
artigo publicado no Sol, 7.10.2006
Coloquem-se os nomes às coisas: o bloqueio à Palestina colocou o país à beira da guerra civil. Este era o melhor cenário para Israel, uma espécie de prova definitiva sobre a ausência de interlocutor credível do outro lado.
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Thursday, October 12, 2006
ZÉ VENTURA


“Tríptico” em exposição
Wednesday, October 11, 2006
Tuesday, October 10, 2006
CORRUPÇÃO

5 e 12 de Outubro
Friday, October 06, 2006
Agostinho da Silva

Compreensão Sábia e Activa
A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica; e substituirá a musa trágica por Platão e os geómetras.
Hei-de vê-lo depois de despido de egoísmo, atente somente aos motivos gerais; o seu bem será sempre o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem os seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
Nenhuma vontade de domínio; mandar é do mundo das aparências, tornar melhor de um sólido universo de verdades; se tiver algum poder somente o veja como um indício de que estão ainda muito baixos os homens que lho dão; incite-o, o sentir-se superior a mais nobre e rude esforço para que se esbatam e percam as diferenças; não aproveite para mostrar a sua força a fraqueza dos outros; o bom lutador deseja que o combatam mais rijos lutadores.
Será grato aos contrários, mesmo aos que vêem armados da calúnia e da injúria; compassivo da inferioridade que demonstram fará tudo que puder para que melhorem e se elevem; responderá à mentira com a verdade e ao ódio com o bem; tenazmente se recusará a entrar nos caminhos tortuosos; se o conseguirem abater, tocará com humildade a terra a que o lançaram, descobrirá sempre que do seu lado esteve o erro e de novo terá forças para a luta; e se o aplaudirem pense logo que houve um erro também.
Thursday, October 05, 2006
Demo-cracia

Demo-cracia?
Na passada sexta-feira, 15 de Setembro, fui convidada como membro da coordenadora do Bloco de Esquerda do Algarve, para estar presente num jantar de solidariedade para com os dois agentes da polícia, que recentemente foram reformados compulsivamente - Delito cometido: Liberdade de expressão. Infelizmente episódios como este que aconteceu aos nossos colegas sindicalistas da P.S.P. começam a ser frequentes e direitos conquistados pelo 25 de Abril como liberdade de expressão, direito à greve e outros começam a ser palavras mortas para os nossos actuais governantes.
É de lamentar que uma grande parte dos portugueses não reaja, esteja amorfa, anestesiada, ansiando por um salvador da pátria e dando campo de manobra a que um outro Salazar surja das brumas, qual D. Sebastião, de espada em riste, para tomar as rédeas do poder. Mas felizmente há sempre uma voz que não se cala, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não” (Manuel Alegre), há sempre quem lute contra a maré, há sempre quem dê significado à palavra democracia. Como cantava o poeta “não há machado que corte a raiz ao pensamento” e esta democracia moribunda, qual Fénix, ainda ressurgirá e triunfará sobre aqueles que pretendem que a palavra liberdade seja banida da LÍNGUA PORTUGUESA.
Luísa Penisga González,
Membro da Coordenada do B.E. do Algarve
ERNESTO SÁBATO

Vertigem Civilizacional Desumana
O homem não pode manter-se humano a esta velocidade, se viver como um autómato será aniquilado. A serenidade, uma certa lentidão, é tão inseparável da vida do homem como a sucessão das estações é inseparável das plantas, ou do nascimento das crianças.
Ernesto Sábato, in 'Resistir'
O direito a dispor do seu próprio corpo!

Despenalização da IVG
A direita anda desnorteada com a aproximação do referendo sobre IVG.
Depois do distanciamento demonstrado pela Igreja Católica sobre a despenalização do aborto, os fundamentalistas ditos “defensores da vida” vêem o tapete fugir-lhes debaixo dos pés e querem, à viva força, marcar presença para não ficarem mal na fotografia. Andam à procura de uma tábua de salvação já que a derrota das suas posições é inevitável. A defesa do adiamento do referendo não é mais possível assim como o argumentário sobre a manutenção da actual lei.
A D. Zita, agora deputada do PSD, em mais uma cambalhota política, defenderia uma iniciativa legislativa para que todos os processos contra mulheres que abortam sejam arquivados. Seria, por assim dizer, “varrer o lixo para baixo do tapete” como afirma Joana Amaral Dias em artigo publicado no DN em 2/10/2006.
A ânsia que agora se verifica na direita causa alguma admiração, sabendo-se que tiveram, antes, imenso tempo para avançar com a proposta de arquivamento que, agora, apressadamente, apresentam. Ou será que isso se deve à aproximação de um novo referendo “e os julgamentos são uma espécie de má publicidade que tem de ser abafada”?
“Arquive-se o arquivamento”, defenda-se, sem equívocos, a consulta popular e informe-se o cidadão eleitor que a decisão “de acordo com a consciência de cada um” é a única que permite uma escolha.
Luís Moleiro aderente do BE
Monday, October 02, 2006
Lemos ouvimos e vemos...

“Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar” escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen num poema magistral, magistralmente cantado por Francisco Fanhais.
… não podemos ignorar o que diariamente chega ao nosso conhecimento sobre a carnificina que se está a passar no Iraque. Raro é o dia que os noticiários da manhã não abrem a relatar mais um atentado com mais dezenas de mortos e de feridos. O pior é que esta situação está a tornar-se numa rotina e, quase tida como uma inevitabilidade.
A novidade, surgida há cerca de dez dias, é que a tortura atingiu um tal grau de brutalidade que, muitas pessoas, a consideram pior do que a existente nos tempos de Saddam Hussein” como refere um responsável pelo gabinete dos direitos humanos da missão de assistência da ONU no Iraque. A situação é mesmo vista “fora de controlo”.
Os abusos são cometidos, tanto pelos grupos que se opõem à presença dos EUA no Iraque como pelas forças de segurança controladas pelos americanos ou, ainda, por milícias privadas, tidas como as mais violentas.
É este mais um dos resultados da intervenção americana no Iraque, onde iria descobrir as armas de destruição maciça e instaurar a democracia. Não só não havia as tais armas, como eles antecipadamente sabiam, como não há democracia, como – pior que tudo – se criou, na região, um alfobre de terroristas que ninguém sabe quando nem de que modo irá ser dominado.
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… não podemos ignorar as provas que, constantemente nos chegam da farsa que é o regime político actualmente domina o mundo.
Depois de pertencer ao “eixo do mal” e de ser acusado de dar guarida ao terrorismo internacional, Kadhafi transformou-se, por golpe de mágica, no mais puro dos governantes. Já não lhe chamam ditador, não o acusam de prisões arbitrárias nem de perseguir os adversários políticos. Ele soube-se adaptar aos tempos que correm e aconchegar-se aos amigos certos que o receberam, de braços abertos. Foi mais realista do que Saddam…
Agora, são os amigos do Compromisso Portugal que, numa comitiva de 30 pessoas, se vão deslocar à Líbia para um beija-mão ao “Presidente Kadafi”.
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… não podemos ignorar o facto, talvez único em Portugal, de haver um concelho que já é auto-suficiente em termos de energia eléctrica, com base na chamada energia limpa. Trata-se de Sobral de Monte Agraço, o mais pequeno município do distrito de Lisboa, com 10000 habitantes, que tem, instalados, 16 moinhos eólicos cuja capacidade de produção é de cerca de 24 megawatts de energia, por ano, superior, aliás, ao consumo do próprio concelho. É uma situação que se saúda e só é pena que não se multiplique muito rapidamente. A divulgação deste caso seria muito conveniente,
Luís Moleiro - Aderente do BE
Sunday, October 01, 2006
Moção levada pelo BE à Assembleia municipal

Bloco de Esquerda
Rua 5 de Outubro, nº 39
8500 - Portimão
Portimão, 28 de Setembro de 2006
Moção
Portimão Livre de Transgénicos
O cultivo de plantas geneticamente modificadas representam uma forma de poluição irreversível e definitiva, com consequências potencialmente graves e ainda não estudadas para o equilíbrio ecológico dos ecossistemas agrícolas e selvagens, não obstante os argumentos de que este tipo de tecnologia proporciona uma maior resistência a insectos, pesticidas, fungos e vírus. Testes laboratoriais já demonstraram que o consumo de transgénicos pode provocar alterações do equilíbrio metabólico dos seres vivos. Por outro lado, a preservação do ambiente não pode ser colocada em causa com o cultivo de plantas geneticamente modificadas.
Um pouco por toda a Europa, várias regiões opõem-se ao cultivo de transgénicos, com destaque para a França onde mais de 2 000 Municípios tomaram esta posição, no Reino Unido são já 14 milhões de pessoas a viver em zonas que se declararam livres desses cultivos, outros países como a Espanha, a Áustria e a Alemanha estão a envidar esforços para travar o avanço dos transgénicos em diversas regiões.
Entre nós já se verificaram alguns passos positivos nesse sentido, tendo a Junta Metropolitana do Algarve decidido, no passado mês de Abril, recusar a introdução na região da cultura de plantas geneticamente modificadas “enquanto as autoridades científicas nacionais e internacionais não derem garantias totais de segurança dos seus efeitos na natureza”. Posteriormente, também a Assembleia Municipal de Lagos e a Câmara de Vila do Bispo decidiram proibir o cultivo de transgénicos nos seus concelhos.
Face ao exposto, a Assembleia Municipal de Portimão reunida em sessão ordinária no dia 28 de Setembro de 2006, declara este município livre de transgénicos, proibindo assim o cultivo deste tipo de plantas e propõe que o Executivo Camarário tome idêntica atitude.
O Grupo Municipal BE
João Vasconcelos
Francisco Reis
Moção levada pelo BE à Assembleia Municipal

Bloco de Esquerda
Rua 5 de Outubro, nº 39
8500 - Portimão
Portimão, 28 de Setembro de 2006
Depois de toda uma vida de trabalho e em que grande parte deste tempo foi passado sob as mais duras condições, os cidadãos englobados na chamada terceira idade necessitam de condições e de espaços dignos, da atenção e carinho da restante sociedade. O poder político democrático tem acrescidas responsabilidades para com essas pessoas, muitas delas desamparadas e vivendo numa situação de grande fragilidade, auferindo miseráveis reformas.
Os familiares de muitas destas pessoas idosas, devido a dificuldades económicas, mantêm-nas em casa sem as mínimas condições, ou, devido à falta de centros de apoio públicos, colocam-nas em centros de apoio privados que cobrem quantias elevadas e muitos deles sem as condições adequadas – o lucro fácil e rápido é o objectivo de muitos destes centros. Por outro lado e não raras vezes, só se consegue aceder aos centros públicos de apoio a idosos, passando à frente das listas de espera, através de favoritismos, de cunhas e até de ofertas em dinheiro e outros valores, o que é indigno e deveras condenável.
À semelhança de muitas localidades, o concelho de Portimão apresenta uma manifesta falta de Centros de Apoio a Idosos, públicos. Alegando razões economicistas, o poder central tem vindo a desresponsabilizar-se cada vez mais neste tipo de área social, o que só tem favorecido os interesses privados. Como um poder mais próximo dos cidadãos, cabe ao poder local apoiar e fazer igualmente investimentos na área da Terceira Idade.
Com base nestes pressupostos, a Assembleia Municipal de Portimão reunida em sessão ordinária em 28 de Setembro de 2006, propõe à Câmara Municipal que no Orçamento para o ano de 2007 seja contemplada uma verba significativa para o início da construção de um Centro de Apoio a Idosos, de serviço público.
O Grupo Municipal BE
João Vasconcelos
Francisco Reis
MOÇÕES APRESENTADAS NA ASSEM...MUNICIPAL


Bloco de Esquerda
Rua 5 de Outubro, nº 39
8500 - Portimão
Portimão, 28 de Setembro de 2006
Ambiente e Mobilidade Sustentáveis
Nos últimos vinte anos a taxa de motorização em Portugal disparou ao ritmo alucinante de 6% ao ano. A este aumento correspondeu a explosão da mobilidade. Se tivermos um padrão próximo da média europeia, as viagens com menos de 8 quilómetros poderão constituir cerca de 70% do total das viagens realizadas. Sabemos também que o sector dos transportes é a segunda maior fonte de Gases de Efeito Estufa em Portugal, sendo 80% das emissões do sector imputáveis ao modo rodoviário. Se nada se fizer para contrariar a tendência actual, Portugal ultrapassará a meta definida pelo protocolo de Quioto em mais de 15% no ano de 2010.
De acordo com estes pressupostos, a racionalidade aconselha a adopção urgente de medidas de gestão de mobilidade que encorajem a utilização de modos não poluentes para viagens de curta distância, melhorando os níveis de conforto e segurança destes e penalizando a mobilidade em transporte individual nos centros urbanos.
Na diversidade de soluções alternativas ao automóvel, a bicicleta terá que ser uma das apostas ao serviço da acessibilidade de proximidade, contribuindo para um melhor ambiente e uma mobilidade sustentável. Já há muitos anos, que em muitos países da Europa, a bicicleta foi adoptada por uma grande maioria de gente, como meio de transporte privilegiado e indicado para se mobilizarem dentro das cidades o que, infelizmente, ainda não acontece no nosso país.
João Vasconcelos
Francisco Reis
Tuesday, September 26, 2006
MÉXICO

Vale a pena ler o excerto seguinte extraído da revista “Proceso” que se publica na Cidade do México e citado no Courrier Internacional de 15 de Setembro último:
“O México parece estar a enveredar pelo caminho que custou a presidência do Equador a Jamil Muhammad, em Janeiro de 2000, a da Argentina a Fernando de la Rua, em Dezembro de 2001, e da Bolívia a Sánchez Lozada em Outubro de 2003. Ao destituir presidentes democraticamente eleitos, a pressão popular parece travar os processos de normalização institucional levados a cabo na América Latina ao longo dos últimos 20 anos. Se olharmos com atenção, porém, trata-se do oposto: o que exigem é o aprofundamento da democracia.
A mobilização suscitada pelas suspeitas de fraude eleitoral pode vir a impedir o novo Presidente de tomar posse, a 1 de Dezembro. Mesmo que Filipe Calderón (Partido de Acção Nacional, direita católica, indigitado a 6 de Setembro, após a recontagem parcial dos votos) consiga envergar as vestes presidenciais, é provável que tenha dificuldades em levar o mandato de seis anos até ao fim.
Enquanto outros países latino-americanos sofrem crises de governabilidade, o México atravessa uma crise da democracia. A Presidência da República, o Instituto Federal Eleitoral (IFE) e o Tribunal Eleitoral do Poder Judicial tinham por missão garantir a normalidade democrática da primeira sucessão pós-PRI (Parido Revolucionário Institucional). Nenhuma destas instituições esteve à altura. O Presidente utilizou, de forma obsessiva, todos os recursos ao seu alcance, maioritariamente ilegais, não para apoiar o candidato do seu partido, mas para impedir López Obrador (Partido da Revolução Democrática) de chegar ao poder, já que este populista de centro-esquerda ameaçava a empresa em que se converteu, sob Fox; o Governo da república. O Presidente cessante cooptou o Conselho de Cidadãos do IFE, com a cumplicidade do PAN e do PRI, impondo-lhe directrizes contrárias à transparência, à legalidade, à imparcialidade. Quanto ao Tribunal Eleitoral, optou pelo formalismo jurídico, que, longe de dissipar as dúvidas sobre a fraude, passou um certificado de impunidade aos excessos dos poderes político e económico, válido para esta eleição e para as vindouras.
Em suma, o país mergulhou na maior crise de governabilidade dos últimos 40 anos. As instituições já não funcionam e o tecido social está em farrapos. Durante décadas, o país foi governável sem democracia, sistema que se manteve graças ao autoritarismo presidencial que caracterizou os 72 anos de reinado do PRI. Este regime de partido único deu lugar a uma paródia de democracia, agora incapaz de governar, pois os paridos e instituições disputam o poder com base em clientelas, em detrimento dos valores democráticos.”
in: Corrier International
Monday, September 25, 2006
HUNGRIA, TV ocupada por manifestantes
in: indymedia.org
Bertold Brecht

Dificuldade de Governar
1. Todos os dias os ministros dizem ao povo Como é difícil governar.
Sem os ministros o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra nunca mais haveria guerra.
E atrever-se ia a nascer o sol sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse ele nasceria por certo fora do lugar.
2. E também difícil, ao que nos é dito, dirigir uma fábrica. Sem o patrão as paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado ele nunca chegaria ao campo sem as palavras avisadas do industrial aos camponeses: Quem, de outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3. Se governar fosse fácil não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina e se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4. Ou será que Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira são coisas que custam a aprender?
Bertolt Brecht
PSTU

O PSTU é um dos partidos que com o PSOL fazem parte da coligação que apoia a candidatura de Heloisa Helena
Romper com Alca e o FMI! O Brasil precisa de uma segunda independência! O FMI dita os planos econômicos, as multinacionais controlam diretamente os setores mais dinâmicos da economia e as principais instituições do país estão nas mãos do imperialismo que impede a soberania nacional. Com a Alca o país será definitivamente reduzido à condição de colônia. O PSTU afirma que sem romper com o imperialismo, não existe nenhuma possibilidade de acabar com o desemprego, com o arrocho salarial, avançar na reforma agrária, combater a fome e garantir melhores condições de vida. Para que o país possa retomar seu crescimento é preciso deixar de pagar a dívida pública e romper com o FMI, que impõe um controle despótico e anti-operário da economia nacional.
Da mesma forma é preciso romper com as negociações da Alca, para evitar a recolonização do país. O que o Brasil precisa é de uma segunda independência!Não pagar a dívida para garantir emprego, salário, terra, moradia, educação e saúde pública e de qualidade para todos. O pagamento da dívida externa é um verdadeiro crime contra o povo e o país. É preciso deixar de pagá-la imediatamente para que se possa redirecionar os investimentos, garantindo emprego, salário, moradia, educação, saúde e a reforma agrária.Os partidos burgueses, que representam os interesses do grande capital e a grande imprensa, dizem que não é justo deixar de pagar a dívida. Afirmam que “quem deve tem de pagar”. Até mesmo PT, agora no governo, repete esta mesma ladainha. Dessa forma, parecem esquecer que essa dívida não foi feita pelo povo brasileiro. Ele nunca foi consultado.
Tampouco se beneficiou desse dinheiro. Ao contrário, enquanto a dívida aumentava, os salários e emprego diminuíam e a estrutura produtiva do país retrocedia. Essa é, portanto, uma dívida ilegítima. Além do mais não querem ver que essa dívida já foi paga diversas vezes. Sem mais argumentos, ameaçam dizendo que a ruptura com o FMI levaria o país ao caos, com o fim dos financiamentos externos e o fechamento do mercado internacional. Frente a um fato como esse, a resposta de um governo dos trabalhadores deve ser enérgica: todo aquele que boicotar a economia do país deve ter seus bens imediatamente confiscados e suas empresas nacionalizadas, colocando-os a serviço do país e da população. Para enfrentar o bloqueio externo devemos fazer um chamado aos demais países devedores para a formação de uma frente continental pela suspensão do pagamento da dívida. Essa frente estabeleceria um comércio comum baseado no princípio da solidariedade dos povos e não da concorrência e do lucro capitalista. Seus países realizariam uma auditoria para mostrar ao mundo inteiro que essas dívidas já foram mais do que pagas às custas da fome do povo.
Uma atitude como essa receberia o apoio e mobilizaria milhões em todo o mundo e inclusive nos EUA. Tributar as grandes fortunas e combater a sonegação fiscal! Além de suspender o pagamento da dívida e reorientar os gastos para garantir os direitos e necessidades sociais da maioria da população, é preciso mudar radicalmente a política de arrecadação do governo. Os tributos no Brasil são regressivos, quem tem mais paga menos. Além disso, a burguesia se utiliza de vários artifícios, inclusive legais, para sonegar e pagar menos impostos. Os desempregos e os trabalhadores de baixa renda devem ser isentos do pagamento de impostos. Os tributos devem recair sobre as grandes empresas, bancos e os mais ricos. É necessária uma forte taxação progressiva sobre rendas, lucros e patrimônios, particularmente sobre as grandes fortunas. Ao mesmo tempo os sonegadores deverão ser punidos progressivamente, até que seus bens sejam definitivamente confiscados.
Reajuste mensal de salários! Salário mínimo do DIEESE!Congelamento dos preços, tarifas e mensalidades escolares! Sem uma modificação da política salarial não existe possibilidade de combater a fome e a miséria. Para justificar o arrocho salarial se afirma que os reajustes são inflacionários. Se isso fosse verdade não existiria mais inflação no Brasil tão forte foi o arrocho em todos os governos anteriores.Defendemos um reajuste que garanta reposição das perdas salariais. Como menor salário defendemos o mínimo do DIEESE, visando atender as necessidades básicas como alimentação, habitação, vestuário e saúde.Para impedir o repasse desse aumento, defendemos o congelamento dos preços, tarifas e mensalidades escolares. Combater o desemprego: por um plano de obras públicas e redução da jornada de trabalho sem redução dos salários! Para combater o desemprego propomos um plano de obras públicas que tenha como objetivo a construção massiva de casas populares, hospitais, creches, escolas e universidades, estradas, ferrovias, meios de transportes públicos e portos.
Este plano incorporaria milhões de desempregados num grande mutirão nacional de reconstrução do país. A luta contra o desemprego não será completa se não responder a ameaça imediata e constante de demissões. A burguesia coloca os avanços tecnológicos a serviço do lucro gerando um desemprego crescente. Propomos colocar esses avanços a serviço do bem-estar dos trabalhadores. Defendemos a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, para garantir mais postos de trabalho e deixar o tempo livre para o descanso junto à família, a cultura e o lazer.
Realizar uma reforma agrária ampla e radical sob controle dos trabalhadores! Não há como buscar uma solução para a situação do país sem que seja resolvido o problema do campo, ou seja, sem se realizar uma ampla, profunda e radical reforma agrária. Mas isso só será possível se enfrentar os interesses dos latifundiários e do grande capital financeiro a eles associados.Defendemos a expropriação sem indenização dos latifúndios. Propomos que todas as terras do país sejam propriedade do Estado, mas garantindo o pedaço de terra para quem nela queira trabalhar. Haverá um redirecionamento da produção de forma a atender às necessidades da população e não do mercado.
O Estado deve garantir os investimentos necessários para a produção de máquinas e implementos agrícolas; deve garantir crédito barato para os pequenos agricultores; e por fim, o Estado deve também garantir a distribuição e o escoamento da produção, bem como o preço mínimo dos produtos. Estatização do sistema financeiro! Os bancos não passam de instituições parasitárias e altamente lucrativas. Voltados para a especulação e o lucro fácil, não servem para financiar a produção. Não existe nenhuma possibilidade de financiar um plano econômico com as finanças nas mãos de sabotadores e especuladores.Defendemos a expropriação e a estatização dos bancos utilizando seus enormes recursos para garantir o investimento nas áreas sociais e na infraestrutura do país. Aos pequenos comerciantes e pequenos produtores seriam garantidos créditos baratos. A estatização do sistema financeiro garantirá o controle e a centralização do câmbio, impedindo a especulação, a fuga de dólares e a remessa de lucros para fora do país.
Expropriação das grandes empresas e reestatização das empresas privatizadas! As grandes empresas nacionais e estrangeiras dominam os principais ramos de produção e impõem o retrocesso ao país. Defendemos a expropriação sem indenização(9) dessas grandes empresas. A nacionalização é vital para impedir as crises, controlar os preços e orientar a produção segundo os interesses da maioria da população. Ao mesmo tempo propomos a reestatização sem indenização(10) das empresas estatais estatizadas. É preciso reincorporá-las ao patrimônio público e colocá-las a serviço do país e dos trabalhadores. Pelo monopólio do comércio exterior! O comércio entre as nações não deve atender às necessidades dos grandes grupos econômicos internacionais sempre disposto a tirar vantagens através de uma troca desigual. É preciso o mais rigoroso controle do comércio exterior, impedindo o livre trânsito do capital internacional. O Estado deve controlar o comércio exterior do país, definindo uma política de exportação e importação que esteja a serviço das necessidades dos trabalhadores e do povo explorado. A política de um governo dos trabalhadores deve seguir o princípio da solidariedade entre os povos.
Por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo Se curvando perante o capital internacional, preferindo se tornar seus sócios menores ao invés de enfrentá-los, a burguesia nacional é incapaz de defender a soberania nacional ou fazer a reforma agrária.Fiel representante da burguesia nacional e do grande capital internacional, o governo Lula governa contra os interesses do povo. Colocou seus representantes em postos-chaves do governo: José de Alencar, um dos maiores empresários da tecelagem, tornou-se vice-presidente; Roberto Rodrigues, um agroindustrial, foi escolhido como ministro da agricultura; Henrique Meirelles, ex-presidente do Bank Boston, verdadeiro representante dos banqueiros internacionais, foi promovido para a presidência do Banco Central. Somente a aliança dos trabalhadores da cidade e do campo, junto com os demais setores oprimidos da população, poderá atender às necessidades básicas da população como emprego, salário e terra.
Para isso, é necessário trilhar por um caminho independe da burguesia e construir seu próprio governo: “a libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”, como já dizia Engels.
POEMA
Todos os marinheiros partiram, deixando as suas sombras para trás. Aqui as sombras são património das mulheres que fiam o vento, que fiam eternamente o linho dos dias.E assim vão permanecer longo tempo porque elas são a rocha e a árvore, que assegura a inércia sábia da existência.
Fiam o sem fim, fiam lentamente o estranho e longo fio que dá nome à vida.
COLÔMBIA

O seguinte artigo foi extraído do blog http://5dias.net/
Setembro 22, 2006 por Nuno Ramos de Almeida
Quando estive na Colômbia contava-se a seguinte anedota: numa recepção diplomática, um adido colombiano que estava ligeiramente toldado com as infinitas possibilidades do bar aberto, abordou, no meio das suas deambulações etílicas, o embaixador do Paraguai e perguntou-lhe “porque razão havia um Ministério da Marinha se não tinham mar”. O paraguaio não se atemorizou e respondeu-lhe: “pela mesmíssima razão que os colombianos têm um Ministério da Justiça”.Um amigo meu relatava-me que tinha fugido da zona de Cartagena porque o tinham ameaçado duas vezes de morte e tinha escapado, como por milagre, a um tiroteio.“Tive a nítida sensação que se não abandonasse a família e a casa, um dias destes aparecia morto junto à universidade”, dizia ele.
Diego era simplesmente um dirigente estudantil de esquerda, mas para sobreviver às agruras da “democracia” colombiana só tinha duas soluções: ou fugia para o estrangeiro ou refugiava-se na zona em que a guerrilha manda.Vim encontrá-lo num acampamento das FARC, junto ao Amazonas.O caso dele não é, infelizmente, o único. Quando fui à Universidade de Bogotá vi inúmeros papeis macabros, fotografias de professores e estudantes desaparecidos, presumivelmente abatidos pelos esquadrões da morte.
Há menos de um ano, uma das activistas mais corajosas que conheço - a Rita Cruz das PBI -, que durante anos esteve, com um grupo de estrangeiro, a viver numa aldeia da paz para impedir que os aldeões fossem massacrados, enviou pela Internet a seguinte denúncia: “San Jose de Apartado é uma das comunidades que enquanto Peace Brigades International (PBI) ajudei a proteger. É uma pequena comunidade no norte da Colômbia, situada num local demasiado estratégico; uma comunidade de camponeses que vive do cacao e da banana, que produzem em quantidade e tentam vender quando não são impedidos pelos actores armados. São pobres nos bens, mas determinados na sobrevivência. Vivem ameaças constantes, principalmente por parte dos paramilitares (braço armado ilegal do exército colombiano), mas respondem sempre com dignidade e sem recurso a armas, apenas com a palavra e o apelo à solidariedade internacional.
Não consigo expressar o quanto cada um dos líderes desta comunidade me fazia sentir humilde e pequena, muito pequenina, nas minhas lutas, ambições, frustrações, expectativas… Porque são assim, são fonte de inspiração para muitas outras comunidades dentro e fora da Colômbia, comunidades que resistem sem armas mas também sem silêncio.
Queria contra-vos que um desses líderes, Luís Eduardo, foi abordado pelo exército quando regressava do campo, juntamente com outras setepessoas, entre as quais quatro menores. Os corpos foram encontrados no dia seguinte, esquartejados, com sinais de tortura e deixados a apodrecer numa vala comum.Diz-se que quem cala consente. Eu queria pedir-vos que me ajudassem a não calar. Feitos de uma coragem que eu desconheço, a comunidade vai manter-se de pé, os líderes vão continuar a falar, até que, afirmam, oúltimo seja liquidado. Não vai ser fácil acabar com uma comunidade assim, menos ainda se a cada golpe se juntarem vozes de indignação do mundo inteiro, olhares atentos que distinguem claramente justiça da injustiça e que não deixam passar em silêncio um massacre deste tipo.
Quando estive na Colômbia e houve uma invasão paramilitar dacomunidade de Cacarica, as cartas também chegaram, em catadupas.
Quando tive uma reunião com o comandante da marinha, obviamente implicado na organização da invasão, estava-lhe estampado no rosto a raiva que as cartas, espalhadas na mesa, lhe causavam. Desprezou-as nos gestos, minimizou-as nas palavras, não abria grande parte delas, mas sabia o que continham, e a raiva de não sentir que os seus movimentos eram livres brilhavam-lhe nos olhos”.
Numa altura em que os sites mais insuspeitos promovem um abaixo-assinado de condenação da visita das FARC à Festa do Avante e de solidariedade com o governo da Colômbia, talvez seja interessante dizer que o moralmente surpreendente não é que o PCP tenha relações com as FARC, mas que a democracia portuguesa aceite albergar um representante do regime colombiano.Sou jornalista e tive a oportunidade de fazer algumas reportagens sobre guerrilhas. Estive algumas semanas nas áreas controladas pelos zapatistas e quase um mês nos acampamentos das FARC.A Colômbia vive em guerra desde o final dos anos 40. As actuais guerrilhas comunistas são herdeiras dos camponeses liberais que se revoltaram no “Bogotazo”, depois do assassinato do líder liberal Jorge Gaitan. Desde aí, “La Violenzia” impera. O país tem quase dois milhões de deslocados de guerra, morreram centenas de milhar de pessoas. No campo, exércitos e paramilitares usam a habitual táctica da contra-guerrilha, se os guerrilheiros vivem no meio da população, dizia Mao, como “peixe na água”, então é necessário secar esta corrente.
Estive em aldeias em que os paramilitares entraram e mataram à frente de toda a gente dezenas de pessoas. Houve homens que foram serrados com moto-serras, mulheres violadas em frente dos filhos. A impunidade destes grupos é tão grande, que a jornalista Jineth Bedoya, de um dos maiores jornais Colombianos (“El Espectador”), foi raptada, agredida e violada por dezenas de presos paramilitares, durante uma visita que fazia a uma cadeia de “alta-segurança” de Bogotá.Grande parte destes crimes continuam a acontecer durante o mandato do actual presidente colombiano Uribe, que acabou com as negociações de paz iniciadas pelo anterior presidente Pastrana. Conversações difíceis, até porque a desconfiança impera nos dois lados. Na última vez que a guerrilha abandonou as armas, no ano de 1984, e acreditou nas promessas de democratização do governo da Colômbia, foram assassinados, pelos esquadrões da morte, 3000 militantes da Frente Patriótica (partido criado pelas FARC), entre os quais vários senadores, deputados e dois candidatos presidenciais.
Costuma-se acusar a guerrilha colombiana de não passar de um bando de traficantes de droga. Sobre a cocaína na Colômbia é preciso esclarecer que ela atinge toda a sociedade. Durante a presidência de Gavíria (1990-94), foi encontrada droga no avião oficial que aterrou nos Estados Unidos; os colombianos chamam, por piada, à Força Aérea de “Cartel Azul”, porque quando dois aviões militares foram fazer manutenção a Miami, encontraram-se duas toneladas de coca; recentemente os paramilitares liquidaram o seu antigo chefe Carlos Castaño, devido a uma divergência de negócios.Sobre a guerrilha e a droga, a relação é igualmente complicada. Uma vez perguntei a um comandante das FARC, o comandante Jairo, sobre a relação entre a guerrilha e os traficantes. Ele respondeu-me que “a guerrilha existia muito antes da droga e que a sua razão de vida não é o tráfico, mas que a guerrilha sobrevive com o apoio dos camponeses e, como tal, não vai impedir os camponeses de cultivar a coca”. Embora, as FARC afirmem ser favoráveis a uma política de substituição de culturas, é também verdade que os guerrilheiros cobram uma taxa sobre o negócio da droga. Uma das experiências mais impressionantes que vivi foi uma ida a uma plantação e laboratório de coca. Durante um dia inteiro, desci de barco um afluente do Amazonas, andei durante uma tarde pela selva e cheguei a uma plantação. Aí, uma família de cinco pessoas produzia três quilos de pasta de coca, de dois em dois meses. Isso dava-lhe menos de 100 contos por mês, centenas de vezes menos que o valor da droga nas ruas dos states.
À sua volta trabalhavam dezenas de raspatchines , jovens, muitas vezes miúdos, que recolhiam as folhas verdes da coca. De puxar as plantas, tinham as mãos negras e calejadas nessa zona. Enquanto colhiam, cantavam uma música sobre jovens raspatchines que enriqueciam, compravam carros e viviam com belas mulheres meio nuas em piscinas… tudo isto, era o sonho MTV destes jovens, em plena zona da guerrilha.É verdade que a droga não fez a guerrilha, mas também é verdade que o pó e o seu dinheiro corrompe tudo o que toca. Esta guerra sem fim que se vive na Colômbia tornou a luta armada dos camponeses numa guerrilha sem revolução, em que o desespero os leva a considerar qualquer forma de luta. Se em 1984, o líder guerrilheiro Marulanda condenava os sequestros como contrários à luta política, hoje, os raptos normalmente chamados “pescas milagrosas” são consideradas formas normais de luta.
Como a esquerda aprendeu à sua custa há muito tempo, os fins não justificam os meios e o facto do governo da Colômbia ter presos em condições inumanas milhares de militantes de esquerda não pode justificar raptos como a da candidata presidencial Ingrid Betancourt.
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