Friday, September 22, 2006

COMÉRCIO JUSTO



Comércio Justo

Quando tomamos uma “bica”, talvez não tenhamos consciência que, dos cerca de 50 cêntimos que pagamos, menos de 1 cêntimo (menos de 2%) reverte a favor do produtor, na América Latina ou em África. Será isto justo?
Obviamente que não. Trata-­se, apenas, de um entre os milhares de exemplos que explicam a continuada transferência de riqueza dos países do sul (subdesenvolvido) para os do norte (industrializado).
Há muito que se sabe que estas relações injustas não se resolvem com ajudas pois elas não incidem sobre as causas da miséria.
Foi, a partir desta ideia que se começou a organizar o Comércio Justo na Europa, como resposta a um apelo dos países do Sul, na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, em 1964.
O Comércio Justo (CJ) é definido pela Rede Europeia de Comércio Justo como:

“uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado. O Comércio Justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. A sua missão é a de promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização”.

O CJ é uma alternativa ao comércio tradicional, regendo-se por valores éticos em vez de critérios económicos. Entre esses valores há que salientar, entre outros, a rejeição do trabalho infantil, o respeito pelos direitos humanos e pelo ambiente, a promoção do desenvolvimento sustentável, a valorização das mulheres e o pagamento de um preço justo.
Os protagonistas desta forma de comércio alternativo são:
Produtores - envolvem cerca de um milhão de trabalhadores, em mais de 800 cooperativas de 45 países do Sul do Planeta.
Importadores – são cerca de 50 organizações que se situam, principalmente, na UE mas também na América do Norte, Japão e Austrália. Os produtos envolvidos são alimentos, têxteis e artesanato.
Lojas do Mundo – na Europa contam-se perto de 3000 Lojas do Comércio Justo, tendo a Alemanha o maior número.
O conceito de CJ entrou em Portugal, em 1995 por iniciativa do CIDAC (Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral) mas a primeira loja só abriu em Agosto de 1999. Daí para cá, este movimento foi crescendo com lojas já abertas em vários pontos do país e outras em vias de inauguração. No Algarve, por enquanto, existe, apenas, uma em Faro.


Luís Moleiro aderente do BE


Wednesday, September 20, 2006

Apareceu na blogosfera portimonense um novo blog.
http://fala-portimao.blogspot.com , o referido blog indicia a existência de um núcleo de jovens anticapitalistas e libertários na nossa cidade.
Desde já o blocoemportimão saúda os camaradas libertários, com a certeza de que apesar das nossas diferenças poderemos num futuro próximo participar conjuntamente e no terreno em algumas lutas comuns.

Hannah Arendt



A Pluralidade Humana






A pluridade humana, condição básica da acção e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferença. Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gerações vindouras.

Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da acção para se fazerem entender. Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades imediatas e idênticas.
Ser diferente não equivale a ser outro - ou seja, não equivale a possuir essa curiosa qualidade de «alteridade», comum a tudo o que existe e que, para a filosofia medieval, é uma das quatro características básicas e universais que transcendem todas as qualidades particulares. A alteridade é, sem dúvida, um aspecto importante da pluralidade; é a razão pela qual todas as nossas definições são distinções e o motivo pelo qual não podemos dizer o que uma coisa é sem a distinguir de outra.

Na sua forma mais abstracta, a alteridade está apenas presente na mera multiplicação de objectos inorgânicos, ao passo que toda a vida orgânica já exibe variações e diferenças, inclusive entre indivíduos da mesma espécie. Só o homem, porém, é capaz de exprimir essa diferença e distinguir-se; só ele é capaz de se comunicar a si próprio e não apenas comunicar alguma coisa - como sede, fome, afecto, hostilidade ou medo.

No homem, a alteridade, que ele tem em comum com tudo o que existe, e a distinção, que ele partilha com tudo o que vive, tornam-se singularidades e a pluralidade humana é a paradoxal pluralidade dos seres singulares.

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'

Tuesday, September 19, 2006

Noham Chomsky

O Conselho de Segurança da ONU actua dentro
de limites impostos pelas grandes potências
– Entrevista a Noam Chomsky –

Nermeen Al Mufti
The New Anatolian - link

A Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU chegou muito tarde e estabeleceu um cessar­‑fogo frágil, contudo haverá outra guerra enquanto Israel, apoiado por Bush, tiver o pretexto das “fronteiras seguras”, e o próprio Bush insistir em ir mais além na sua guerra contra o terrorismo.

O eminente Professor Noam Chomsky, nesta entrevista para o The New Anatolian, fala sobre a guerra israelo­‑libanesa e o Conselho de Segurança da ONU.

A primeira pergunta é muito simples e no entanto nunca foi respondida: Por que tem Israel o direito de autodefesa, enquanto os países árabes não? Os EUA têm o mesmo direito, enquanto o Iraque não!

A resposta foi dada há muito tempo por Tucídides (“Diálogo dos Mélios” in História da Guerra do Peloponeso, Livro V): Os fortes fazem o que podem, e os fracos sofrem como devem. É um dos princípios mais importantes das relações internacionais. Muitos estados árabes declararam que não iam cortar relações com Israel; ao mesmo tempo (respire) declararam que a guerra era uma guerra do Hezbollah e da sua culpa.

Acha que houve e ainda há uma pressão americana por trás disto, ou os regimes árabes têm medo da “mudança de regime” e fazem o seu melhor para satisfazer a Casa Branca?

Numa reunião de emergência da Liga Árabe, a maioria dos estados árabes (tirando a Argélia, o Líbano, a Síria e o Iémen) condenaram o Hezbollah. Ao fazê-lo, estavam dispostos a «desafiar abertamente a opinião pública», como relatou o New York Times. Mais tarde tiveram de recuar, incluindo o mais antigo e mais importante aliado de Washington na região, a Arábia Saudita: o rei Abdullah disse que «se a opção de paz for rejeitada devido à arrogância israelita, então só resta a opção da guerra, e ninguém sabe que repercussões vai ter na região, incluindo guerras e conflitos que não vão poupar ninguém, incluindo aqueles cujo poder militar os está a tentar a brincar com o fogo».

A maioria dos analistas assume – plausivelmente, penso – que a sua principal preocupação é a influência crescente do Irão, e o embaraço causado pelo facto de, no mundo árabe, apenas o Hezbollah ter oferecido apoio aos palestinianos que sofriam um ataque brutal nos territórios ocupados.

Houve alguma justificação moral ou legal para esta guerra, como o Presidente George W. Bush, a Secretária de Estado Condoleeza Rice e os média ocidentais insistiram?

Podemos ignorar Bush e Rice, que são participantes na invasão israelo-americana do Líbano. Sabemos muito bem que, pelos padrões ocidentais não há justificação moral ou legal para a guerra. Prova suficiente é o facto de que, por muitos anos, Israel raptou libaneses regularmente, enviando-os para prisões em Israel, incluindo prisões secretas como o famoso Campo 1391, que foi descoberto por acaso e rapidamente esquecido (e, nos EUA, nunca sequer relatado pelos média de referência). Ninguém sugeriu que o Líbano, ou outro qualquer, tinha o direito de invadir e destruir grande parte de Israel em retaliação. Como este feio e longo registo torna claro, o rapto de civis – um crime muito pior do que a captura de soldados – é considerado insignificante pelos EUA, o Reino Unido e outros estados ocidentais, e pela opinião articulada em geral no seu interior, quando é feito pelo “nosso lado”. Este facto foi revelado dramaticamente uma vez mais no início da actual explosão de violência, depois do Hamas ter capturado um soldado israelita, o cabo Gilad Shalit, em 25 de Junho. Essa acção suscitou uma grande demonstração de indignação no Ocidente, e apoio à intensa escalada dos ataques de Israel em Gaza. Um dia antes, a 24 de Junho, forças israelitas tinham raptado dois civis em Gaza, um médico e o seu irmão, enviando-os para algum lugar do sistema prisional israelita. O acontecimento mal foi relatado, e suscitou pouco, se algum, comentário nos média de referência. A sequência dos acontecimentos por si só revela com vívida clareza que a demonstração de indignação devido à captura de soldados israelitas é uma fraude cínica, e mina quaisquer réstias de legitimidade moral pelas acções que lhe sucederam.

Há algum pretexto que poderia justificar os massacres diários no Líbano e em Gaza?

Com uma vívida imaginação, pode-se pensar em muitos pretextos. No mundo real, não há nenhum. E podemos acrescentar a esquecida Cisjordânia, onde os EUA e Israel estão a prosseguir com os seus planos de pregar os últimos pregos no caixão dos direitos nacionais palestinianos, através dos seus programas de anexação, cantonização e aprisionamento (pela apropriação do Vale do Jordão). Estes planos são executados no quadro de outra cínica fraude: a “convergência” (a “hitkansut” israelita), retratada nos EUA como “retirada”, num notável triunfo de relações públicas. Também há muito esquecidos estão os ocupados Montes Golã, praticamente anexados por Israel em violação às ordens unânimes do Conselho de Segurança (mas com o apoio tácito dos EUA).

Não consigo entender a arrogância israelita. Consegue?

Mais uma vez, a máxima de Tucídides. E vale a pena ter em mente que Israel pode ir tão longe quanto o seu protector em Washington permitir e apoiar.

Como iraquiano, penso que a actual guerra contra o Líbano e Gaza é uma parte essencial do esquema de Bush para mudar a região – quero dizer, redesenhar as fronteiras estabelecidas pelo acordo de Sykes-Picot de 1916.

Duvido que a maior parte deles alguma vez tenha sequer ouvido falar de Sykes-Picot. Eles têm os seus próprios planos para a região. O mais importante deles é o empenho tradicional de controlar os principais recursos mundiais de energia. Os que não alinham podem esperar ser alvos de subversão ou de agressão. Isso não deveria surpreender, pelo menos os que conhecem a história do século passado (na verdade, muito anterior).

Como podemos explicar o papel do Conselho de Segurança da ONU na destruição do Líbano e de Gaza agora, e do Iraque antes?

O Conselho de Segurança actua dentro de limites impostos pelas grandes potências, principalmente os Estados Unidos, em virtude do seu enorme poder. Podem geralmente contar com a Grã­‑Bretanha, particularmente a Grã­‑Bretanha de Blair, que é descrito de modo sardónico no principal jornal britânico de assuntos internacionais como o «estafeta da Pax Americana». Nos primeiros anos do pós-guerra, por razões óbvias, a ONU estava em geral sob o domínio dos EUA, e era muito popular entre as elites estadunidenses. Em meados dos anos 60, estava a deixar de o ser, com a descolonização e a recuperação das sociedades industriais da devastação dos tempos de guerra. Desde essa data, os EUA têm estado na liderança dos vetos a resoluções do Conselho de Segurança numa ampla gama de assuntos, com a Grã­‑Bretanha em segundo lugar, e nenhum dos outros sequer perto. Concomitantemente, o apoio da elite à ONU caiu acentuadamente nos EUA – apesar de, interessantemente, o apoio popular à ONU ter permanecido notavelmente alto, um dos muitos exemplos do enorme fosso entre a opinião pública e a política pública dos EUA. Acima e sobre este limite crucial, o poderio dos EUA permite-lhe moldar as resoluções e acções que está disposto a aceitar. Outras potências têm os seus próprios motivos cínicos para o que fazem, mas a sua influência é naturalmente menor – de novo, a máxima de Tucídides. As forças populares poderiam fazer uma diferença substancial, e às vezes fazem, mas até que o prevalecente “défice democrático” seja reduzido, esse efeito será limitado.

Pensa que o Irão e a Síria estiveram por trás desta guerra, como disse Bush?

Assume­‑se geralmente que eles pelo menos deram autorização ao Hezbollah para o ataque de 12 de Julho às forças militares israelitas na fronteira. Contudo, muitos dos mais sérios analistas do Hezbollah, e do Irão, exprimiram a sua conclusão de que as acções do Hezbollah são de sua própria iniciativa.

Lá vai a marcha



Lá vai a Marcha…




No passado fim-de-semana, integrado numa “coluna” vinda do Alentejo e do Algarve, participei na Marcha do Emprego promovida pelo BE. Com partida às 10 da manhã do Largo Catarina Eufémia, junto ao velhinho mercado municipal do Barreiro, a Marcha percorreu as principais artérias da cidade, rumando à estação do Lavradio, com chegada à Baixa da Banheira um pouco antes da hora do merecido almoço. Com o toque de alegria, dado por uma charanga popular da Moita, sucediam-se os contactos com mulheres e homens duma terra sofrida pelo desemprego, mas orgulhosa do seu lugar ímpar na história do movimento operário. E não surpreenderam as atenções despertadas por um cartaz com os dizeres “Alentejo Presente”, numa zona de migração de tantos alentejanos.

Retemperadas forças, a Marcha atravessou Alhos Vedros, recebendo a saudação do vereador do BE, Joaquim Raminhos e dirigindo-se depois à sede do concelho da Moita, onde decorriam as festas tradicionais. No Domingo, partindo de Corroios, passando pelo Laranjeiro e pela Cova da Piedade, a marcha atravessou a cidade de Almada e embarcou em Cacilhas até Lisboa. Na Mãe de Água das Amoreiras deu-se o encontro memorável das “colunas” Norte e Sul, com centenas de activistas a rumarem à Estufa-Fria, completamente lotada, no encerramento da Marcha.

Afinal o que levou mais de um milhar de pessoas percorrerem, ao longo de 17 dias, 300 quilómetros e muitas outras a participarem em 50 sessões públicas, nas principais cidades e vilas do litoral, onde se concentra a população… e o desemprego? Tratou-se duma iniciativa inédita em Portugal que reproduz, de certa forma, as marchas dos desempregados que têm percorrido a Europa a caminho de Bruxelas. Mas, além de uma iniciativa contra o desemprego, esta Marcha pelo Emprego assumiu, até no nome, o carácter alternativo das propostas que foram sendo apresentadas e pretendem ajudar a traçar um rumo distinto da cavalgada neoliberal que semeia o desemprego e ataca a dignidade do trabalho como valor estruturante da vida em sociedade.

Entre inúmeras propostas, destaco: a proibição dos despedimentos e falsas rescisões “voluntárias” em empresas lucrativas; a criação de um contrato-emprego de pelo menos três anos para quem está em formação; o desenvolvimento de serviços públicos como a saúde, onde é flagrante a falta de profissionais; a igualdade efectiva entre homens e mulheres, no salário e nos direitos; o combate à precariedade, com a proibição das empresas de pseudo trabalho temporário e a passagem a efectivos de todos os trabalhadores, ao fim de um ano de contrato.

A proposta mais destacada pela imprensa foi, sem dúvida, a redução da semana de trabalho para 36 horas, podendo o trabalhador optar por mais um dia de descanso semanal, fazendo 9 horas diárias. Alguns tentam ridicularizar esta proposta que, em minha opinião, é a mais fracturante: “lá estão eles, não querem é trabalhar”. Quantitativamente, nem é ousado propor 36 horas numa Europa onde vários países baixaram das 35 horas semanais, embora se verifique hoje uma tendência regressiva; e a redução de um dia de trabalho tem sido adoptada parcialmente em situações de crise da produção, por exemplo no acordo da Autoeuropa que permitiu salvaguardar centenas de postos de trabalho.

Além disso a redução da jornada de trabalho é uma velha luta do movimento operário, desde o tempo em que se trabalhava de sol a sol, também aqui no Alentejo. Numa altura em que o trabalho é “um bem escasso que tem de ser partilhado”, o maior alcance desta proposta é o salto qualitativo de mais um dia livre para a actividade social, para a família e para o lazer: é aqui que se entrelaçam o direito ao trabalho e o exercício da cidadania activa e se rasgam caminhos de futuro.

E a provar que o flagelo do desemprego não se limita ao litoral, um caso exemplar de chantagem patronal: os trabalhadores (docentes e não só) do Instituto Superior de Serviço Social de Beja e de Lisboa estão a ser alvo de uma pressão inqualificável para a “rescisão voluntária” dos contratos sem termo (isto é, efectivos) com a CESDET – titular deste Instituto que já formou centenas de técnicos sociais no nosso distrito. Em troca, acenam-lhes com um contrato a prazo com a Fundação Minerva (proprietária da U. Lusíada), sem garantia sequer de receberem centenas de contos de salários que têm em atraso. Trata-se de pura chantagem, pois a Fundação Minerva é obrigada por lei a respeitar todos os contratos da CESDET, em primeiro lugar com os seus trabalhadores. O ministro Mariano Gago já foi chamado ao parlamento para explicar todos os contornos desta “operação inédita”.

A Marcha pelo Emprego, tal como na letra da canção, já “vem de longe e vai para muito longe”…


Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 19/09/2006

Wednesday, September 13, 2006

ELEIÇÕES NO BRASIL


HELOÍSA HELENA DEFENDE ALTERAÇÕES NA POLITICA ECONÓMICA




Heloísa Helena defendeu mudanças na política econômica brasileira, que não podem prescindir de redução na taxa de juros e revisão na tributação imposta à classe média. Convencida de que é possível conciliar desenvolvimento econômico com inclusão social, a presidenciável afirmou que a queda dos juros poderá viabilizar a liberação de R$ 160 bilhões para investimentos públicos na geração de emprego e renda, saúde, educação e segurança pública. Ouça o pronunciamento.
Ao tratar dos juros, Heloísa observou que a definição dessa política não cabe ao Comitê de Política Monetária (COPOM) - que realiza reuniões regulares para decidir a manutenção ou revisão da taxa básica adotada pelo país -, mas ao Conselho Monetário Nacional (CMN). Embora sustente que mudanças nos juros podem ser feitas por meio de decreto presidencial, a senadora afirma que o Banco Central poderia adotar medidas para reduzi-lo se não atuasse "como serviçal do capital financeiro".
Em relação à reforma tributária, disse que ela não é feita "porque o governo não quer". Heloísa reconhece que a redução na carga tributária imposta à classe média pode diminuir a arrecadação no curto prazo - fator que desestimularia o governo a encampá-la -, mas ponderou que essa perda seria compensada com a queda na taxa de juros.

Tuesday, September 12, 2006

Prémio - O cara de pau...!!


Líbano




12/09/06
PROTESTOS CONTRA A VISITA DE BLAIR



Blair foi recebido em Beirute por protestos e por um clima generalizado de hostilidade. Milhares de pessoas juntaram-se numa manifestação de protesto contra a visita do primeiro-ministro britânico. A conferência de imprensa, que dava em conjunto com o primeiro-ministro libanês, foi interrompida por uma mulher com uma faixa dizendo “Boicotem o apartheid de Israel”. Diversos ministros do governo libanês não aceitaram recebê-lo.
Fouad Siniora, primeiro-ministro do Líbano, tinha convidado Blair a visitar Beirute quando o país ainda estava a ser bombardeado, mas só depois do cessar-fogo é que ele aceitou o convite.
Blair foi recebido num clima generalizado de hostilidade, visível desde logo na imprensa. O Daily Star apelava a que o primeiro-ministro britânico tivesse uma recepção "glacial".
Nas ruas milhares de pessoas fizeram um cordão humano no centro de Beirute e manifestaram-se com cartazes dizendo "Blair you are not welcome in Lebanon" ("Blair não és bem-vindo ao Líbano"), "Assassino" e "Vai para o inferno"
O presidente do parlamento não se encontrava em Beirute para não receber Blair e quatro ministros, dois do Hezbollah e dois do Amal, não o receberam.

11 de Setembro



11 de Setembro






Há cinco anos vivemos um dos momentos de maior perplexidade e de horror, em directo, em cadeia de televisão global. Por mais que essas imagens sejam repetidas – centenas, milhares de vezes, até com o risco de banalização – não se apaga essa sensação estranha de estarmos a assistir a um filme, ao mesmo tempo que algo desperta a emoção própria de quem vive um drama bem real, pior do que a pior das ficções. É assim, no presente, que vivo o 11 de Setembro, em catadupa de imagens, sobrepostas com milhares de reportagens e comentários. Não proclamei “somos todos americanos” mas interiorizei, mais fortemente do que nunca: somos todos seres humanos!
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As vítimas do 11 de Setembro não se reduzem, infelizmente, aos perto de três milhares de homens e mulheres encurralados nas torres: empregados de mesa e de cozinha, escriturários, canalizadores, executivos, polícias e bombeiros. É com particular emoção que vejo desfilar as boinas e as saias, ao som de gaitas de foles escocesas e irlandesas, características das primeiras comunidades imigrantes, humildes e sofridas, que construíram os alicerces da coesão social da América e lhes permitiram resistir aos ventos da violência e do liberalismo selvagem que quase tudo levou…
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Sem invocar nenhuma “teoria da conspiração”, a verdade é que os acontecimentos do 11 de Setembro foram aproveitados a fundo pela equipa de neocons que rodeia George W. Bush. E os primeiros “danos colaterais”, que já causaram milhões de vítimas por esse mundo fora, começaram nos próprios EUA: o "Patriot Act" impôs o estado de excepção permanente, suspendeu direitos tão básicos como a garantia de um julgamento justo a qualquer cidadão, considerado suspeito pela Casa Branca ou pelo Pentágono; instituiu as prisões especiais e a tortura como prática corrente, em especial fora das fronteiras dos EUA – Guantanamo e Abu Ghraib são a ponta visível de um imenso iceberg, interligado pelos famigerados “voos da CIA”, com cumplicidade europeias.
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O próprio conceito da América como “pátria de imigrantes” está ferido de morte: para além das discriminações tradicionais dos negros e dos hispânicos, pejorativamente chamados de “chicanos”, George W. Bush promoveu a aprovação no Senado de uma lei de imigração que se propõe erguer mais 1600 quilómetros de muros na fronteira do México, patrulhada por 6 mil soldados da Guarda Nacional, por cães, polícias, helicópteros e sensores electrónicos. Será que tudo isto aumentou a segurança, mesmo com restrições às liberdades? A grande maioria dos cidadãos norte-americanos considera que não e a popularidade do seu presidente nunca foi tão baixa.
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Mas as piores consequências do 11 de Setembro foram globais e atingiram toda a humanidade, em nome da “guerra contra o terrorismo” que, tomando como sérios os objectivos por ela proclamados, representa um fracasso absoluto. Basta citar, sem mais comentários, os títulos de alguns artigos do insuspeito “Público” de 11 de Setembro de 2006: “Iraque – um beco sem saída”; “Afeganistão – uma causa perdida”; “Paquistão – meio aliado, meio rival”; ou, ainda, o artigo de opinião de João César das Neves, no “DN”: “Como perdemos o 11 de Setembro”.
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A guerra contra o terrorismo tem associados dois conceitos particularmente nocivos: a “guerra preventiva” e a “guerra infinita” que, de mera teoria neocom, se tornou uma realidade, com curtos intervalos: Afeganistão, Iraque, Líbano, fronteiras do Paquistão – e onde mais Irão, se não forem travados? As pulsões bélicas constituem hoje um traço estrutural deste imperialismo global em que as diversas potências, mesmo com remoques, vão atrás dos tambores de guerra norte-americanos. A guerra, mais do que a continuação da política, tornou-se o alfa e o ómega duma economia de casino que entrelaça o tráfico de armas e de droga, os paraísos fiscais, as bolhas especulativas (das bolsas ao imobiliário), os negócios do petróleo ou da água e as agressões ambientais como ameaça global.
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Quanto ao terrorismo, estamos bem pior do que há cinco anos. Não falo já do terrorismo de Estado e dos seus cabecilhas: o próprio Bush, os seus émulos de Israel e outros aprendizes de feiticeiros. Falo do terrorismo fundamentalista que, a coberto da cor da pele ou da religião (há neonazis e outros fanáticos no Ocidente) se alimenta do desespero de multidões que perderam toda a esperança dum futuro melhor. E é criminoso deitar gasolina na fogueira, como fazem os arautos de uma pretensa “guerra de civilizações”, de culturas ou religiões. Lá bem no fundo, a luta continua a ser entre opressores e oprimidos: só a união destes é capaz de evitar a catástrofe e lançar a Humanidade numa guerra vitoriosa contra a pobreza, a doença, o atraso, a ignorância e todos os fanatismos.
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Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 12/09/2006

Monday, September 11, 2006

Professor

O Professor é um segredo... (1)

O professor compra uma agenda nova, um caderno
bonito, uma caneta verde.
Prepara-se com expectativa (com esperança?) para
o que o novo ano lhe trará.
O Professor é um aluno que não quis deixar a escola.
O professor zanga-se, "congelado", longe da
família, horário mau, vida difícil.
Faz promessas e juras: não gasta nem mais um
minuto no fim-de-semana, nada de projectos loucos, nem
mais um tostão do bolso, nem mais um tinteiro, uma
folha de papel, gota de tinta, gota de sangue, gota de suor.
Espreitem uns dias depois.
O professor está, outra vez, a fazer a festa comos alunos.
A festa é, quase sempre, muito maior.
O Professor tem forma de coração com memória fraca.
O professor não tem endereço electrónico.
Não escreve textos no computador.
Não quer.
Diz que não,que não gosta, que não percebe.
O professor insiste que prefere lápis e papel.
Nunca, nunca conseguirá.
Diz quenão vale a pena.
E depois...O professor pede ajuda ao filho.
O professor faz formação. Aceita a mão de outro professor.
O professor dá mais um passo.
O Professor é um caderno já muito cheio,
onde encontramos sempre muitas folhas brancas.
O professor fala de saúde, futuro, matemática,inglês, poesia,
estudo, música, informática, livros.
Sabe fazer projectos, jornais, cartazes, desenhos,receitas, teatro.
Cura feridas, ampara tristezas,acalma medos.
Escuta segredos, dá conselhos, conta anedotas, prepara passeios,
monta exposições.
Dirige a escola, dirige um grupo, escreve regulamentos, prepara oficinas,
constrói materiais.
O Professor não sabe o que quer ser quando crescer.
O professor faz muitas perguntas, por dentro e por fora dele.
O professor gosta que lhe façam perguntas.
O professor ensina que as perguntas são a melhor maneira de aprender.
O professor acha mais difícil fazer uma boa pergunta do que dar uma má resposta.
O professor ensina a perguntar.
O professor não sabe todas as respostas.
O Professor é um ponto de interrogação com muitas respostas possíveis.
O professor tem medo. De não conseguir, de não ser capaz, de errar,
de acertar, de se perder, de perder alguém.
Tem medo de ter medo.
Medo de não ter medo. Medo de avançar depressa,
de avançar devagar.
Medo de ficar parado.
O professor tem medo que não aconteça nada.
O Professor usa o medo como meio de transporte.
O professor chora, ri.
O professor sofre, mastiga desgostos,
partilha-os se forem maiores do que ele próprio.
Tem sonhos, tem desejos. Às vezes pinta, às vezes canta, outras escreve.
Planta flores, cria borboletas,
namora, ama, tem filhos, não tem filhos,representa, dança,
vai ao cinema.
O professor é feliz, é menos feliz,
é feliz outra vez.
O professor fica parado a pensar no que sente.
O professor é de todas as cores por dentro e por fora.
Mais do que o arco-íris.
Mais do que a maior caixa de lápis de cor do mundo.
Mais do que todas as cores que se podem imaginar.
O Professor do avesso é tão colorido como do direito.
O professor recomeça tantas tantas vezes, que desiste do prefixo "re".
O professor caminha numa estrada que dá voltas evoltas e voltas...
Não se lembra de ontem. Não sabe o amanhã.
Oferece o tempo que tem.
O Professor não tem princípio nem fim.
O professor tem uma magia só dele.
Um feitiço que lhe foi lançado, não se sabe quando nem por que fada.
Ele é Bela ou Monstro, Princesa Adormecida, GataBorralheira, Capuchinho Vermelho,
Branca de Neve. As madrastas, os lobos, as bruxas,
as trevas vão andar sempre por aí.
Ele luta, história a história, contra todos eles.
O Professor tem de ser o final feliz de todas as histórias,
para que o mundo se salve.
Por entre o som das palavras, o professor é cheio de silêncios
que poucos conhecem.
Silêncios que falam, muitas vezes, uma língua que quase ninguém se lembra de ter ouvido.
O Professor é um segredo que se deve contar em voz alta, para toda a gente ouvir.
(1)Texto publicado no Correio da Educação, CRIAP ASA, nº232, 3 de Outubro 2005.
Autora: Teresa Marques, Escola Básica 2,3 de Azeitão.

Sunday, September 10, 2006


Malhas do Império (*)



Na sua edição do passado dia 19 de Agosto, o insuspeito Expresso publicava uma reportagem sobre a Base das Lages, instalada na Ilha Terceira, tendo como pano de fundo os voos secretos da CIA e, mais recentemente, a passagem de cargueiros com “material bélico não ofensivo” – talvez espingardas de pressão de ar – destinado ao estado de Israel.
Numa altura em que aquele estado se encontrava empenhado numa forte ofensiva contra um país vizinho, onde estava a causar destruição e morte em grande escala, como bem se percebe através da comunicação social, entende-se, através da análise da reportagem, não só nas linhas como nas entrelinhas, quão difícil está a ser para os governantes portugueses explicarem a utilização da Base das Lages, como ponto de apoio de um país envolvido numa guerra que não nos diz respeito.
Na reportagem afirma-se que terão passado “na base açoreana, quatro a seis voos de cargueiros de Israel cuja carga não foi inspeccionada pelos militares portugueses”. Então como se sebe que se tratava de “material bélico não ofensivo”? Pela declaração dos passivos agentes israelitas? E se as autoridades portuguesas não autorizassem a utilização daquela base o que aconteceria? Pelo desenvolvimento da reportagem, ficamos, claramente, a perceber que tudo aconteceria como, na realidade, aconteceu.
É que, quem, de facto, põe e dispõe na Base das Lages é o governo dos EUA que não nos dá a mais pequena satisfação sobre o que lá se passa. Vejamos três exemplos mencionados:
1) Os tribunais portugueses estão totalmente impossibilitados de “fazerem aplicar e respeitar as sentenças de condenação da entidade patronal norte-americana em conflitos com trabalhadores ao serviço da Base”.
2) A autarquia da Praia da Vitória não consegue “exercer o seu poder político e administrativo sobre os espaços da cidade norte-americana que nasceu e cresceu nos últimos 20 anos”.
3) A arrogância e o abuso da força, que o Império detém, culminam com a “ausência, desde 1991, de quaisquer contrapartidas financeiras para a Região Autónoma”.
Há, como se vê, uma situação inequívoca de uma potência estrangeira que ocupa uma parte do território nacional, onde exerce plena soberania, ainda por cima, sem quaisquer compensações financeiras para a região ocupada e com a total aquiescência de vários governos que não mexeram uma palha para repor a legalidade. Não é por acaso que um especialista na matéria afirma: “Foi celebrado um Acordo Luso-Americano, mas está feito para não existir…” Significa isto que agrada a todas as partes? Porquê?
Pelo que ficou exposto e pela notória atrapalhação do governo, somos levados, facilmente, às seguintes conclusões: 1) A Base Aérea nº 4 da Força Aérea Portuguesa só existe no papel;2) Nas Lages está, de facto, instalada a 65 th Air Base Wing cujo “major comand” é a US Air Force Europe. São os EUA que concedem a Portugal algumas facilidades para poder lá estacionar dois helicópteros e um aviocar.
Como português, para além de repudiar completamente a complacência dos nossos governantes, nesta situação, também não posso deixar de criticar a oposição à esquerda do PS que tem revelado alguma moleza na sua denúncia.

Luís Moleiro Santos

(*) Texto publicado na edição de 7/9/06 do jornal “BARLAVENTO”

PABLO NERUDA - HOMENAGEM


Recordar Pablo Neruda



Faz, dentro de dias, 33 anos que faleceu o poeta chileno Pablo Neruda.
Ele sobreviveu pouco tempo ao golpe pinochetista de 11 de Setembro de 1973, patrocinado pelos EUA. Não chegou a ver os efeitos dramáticos provocados pela ditadura de Pinichet.
Pablo Neruda é o pseudónimo de Naftali Ricardo Reys que nasceu em 1904, filho de um ferroviário.
O seu vasto trabalho poético iniciou-se muito cedo – aos 16 anos – quando se tornou colaborador da revista literária “Selva Austra”l. Alguns poemas dessa época foram reunidos em edição do autor, no livro “Crepusculo” (1923). Em 1968, as suas “Obras Completas” já tinham 3237 páginas, divididas por dois volumes.
Foi prémio Nobel da Literatura em 1971.
Para além da actividade literária, também representou o seu país, na qualidade de cônsul honorário, entre 1927 e 1835. Esteve na Birmânia, Ceilão, Java, Singapura, Buenos Aires, Barcelona e Madrid.
Mas a melhor maneira de recordar um poeta é evocar a sua obra.


LUÍS MOLEIRO
SE EU MORRER...
Se eu morrer, sobrevive a mim com tamanha força
que acordarás as fúrias do pálido e do frio,
de sul a sul, ergue os teus olhos indeléveis,
de sol a sol sonha através de tua boca cantante.
Não quero que o teu riso ou que os teus passos hesitem.
Não quero que a minha herança de alegria morra.
Não me chames. Pois estou ausente.
Vive em mim a ausência como numa casa.
A ausência é uma casa tão rápida
que dentro passarás pelas paredes e pendurarás quadros no ar.
A ausência é uma casa tão transparente
que eu, morto, te verei, vivendo,
e se sofreres, meu amor, eu morrerei novamente.

Pablo Neruda

Saturday, September 09, 2006

MARCHA PELO EMPRGO




A Marcha em Aveiro



09/09/06

ESTE É O NOSSO MANIFESTO DO DESASSOSSEGO

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, criticou ontem, durante comício-festa no Furadouro, as novas alterações ao subsídio do desemprego aprovadas em Conselho de Ministros, dizendo que a Marcha pelo Emprego é uma demonstração do desassossego do Bloco diante de medidas que querem poupar dinheiro à custa dos desempregados. No seu oitavo dia, a marcha visitou fábricas do distrito de Aveiro.
À porta da Rohde, uma multinacional alemã do calçado, em Santa Maria da Feira, a Marcha deteve-se para denunciar a desigualdade praticada pela administração entre homens e mulheres, que fazem o mesmo trabalho mas têm salários diferenciados: as mulheres ganham até dez contos menos que os homens. Para piorar, o salário deste mês foi pago com sete dias de atraso. "Quando a administração pediu, as trabalhadoras vieram trabalhar aos sábados, fazendo horas extra para que a empresa conseguisse cumprir as encomendas no prazo. Mas depois pagam o salário com atraso e foi preciso que as delegadas sindicais fossem puxar as orelhas da administração para que os pagamentos acabassem por ser feitos", disse Francisco Louçã numa intervenção à porta da fábrica. Os atrasos são também uma forma de chantagear as trabalhadoras. A Rohde já teve 2200 trabalhadores, agora são 1100 e sempre sob a ameaça de deslocalização.
Outra empresa do mesmo concelho visitada pela Marcha foi a Cifial, que produz torneiras e material para casas de banho, e que é propriedade do "patrão dos patrões" Ludgero Marques, presidente da Associação Empresarial Portuguesa. Com uma pequena encenação, a Marcha denunciou a prática comum na empresa de fazer contratos de 3 meses e manter os trabalhadores "saltando" de contrato em contrato. Por isso, algumas caminhantes da Marcha saltaram de corda em corda.
No comício do Furadouro, à noite, o deputado Luís Fazenda insurgiu-se contra as alterações ao subsídio de desemprego aprovadas pelo Conselho de Ministros. Criticando o facto de as alterações prejudicarem os desempregados mais jovens e de as centrais sindicais terem concordado com elas, Luís Fazenda assinalou que o mais grave é que o governo não se lembra que a maior parte dos desempregados não têm sequer acesso ao subsídio de desemprego. No comício actou o grupo Skareta.




Monday, September 04, 2006

Coisas extraordinárias














Coisas extraordinárias





“Há coisas extraordinárias” conclui um spot publicitário muito divulgado, agora, na nossa televisão.
De facto, seria extraordinário que uma carta, de cidadão para cidadão, dentro do nosso país, demorasse dois meses a chegar ao seu destino… Mas, mais extraordinário, ainda, é que o remetente seja o Ministro dos Negócios Estrangeiros e a destinatária deputada do Parlamento Europeu. Mas aconteceu. E não era uma carta qualquer com votos de boas férias ou de despedida devido à demissão do cargo que até então exercia.
A missiva do Prof. Freitas do Amaral tinha como fim responder a interpelações da deputada europeia, Ana Gomes, sobre a utilização de Portugal para voos secretos da CIA.
Sem revelar o seu conteúdo, a deputada afirma: “Os dados confirmam as minhas apreensões sobre a forma como Portugal estava a ser utilizado pela CIA”. Acrescenta, ainda, que o então Ministro dos Negócios Estrangeiros reconhecia que o controlo dos voos efectuados pelos serviços secretos norte-americanos estava a falhar.
É bom recordar que, há algum tempo, a opinião pública teve conhecimento da realização de transporte ilegal, por parte da CIA, de suspeitos de terrorismo, muitas vezes, encaminhados para países suspeitos da prática de torturas ou para a prisão de Guantanamo, à margem de todas as convenções internacionais em vigor.
A carta em apreço vem deitar mais uma acha para a fogueira depois da reportagem apresentada pelo Expresso na sua edição de 19 de Agosto último sobre a abusiva utilização da Base das Lages pelos EUA. Já aí se notava um significativo embaraço do Governo português para explicar uma série de casos ocorridos recentemente. Só que, pelos vistos, o passado esconde outras situações ocorridas com um governo de outras cores.
Tem, pois, cabimento concluir que uma carta que “demonstra que há colaboração do Governo português” com os voos ilegais da CIA demore tanto tempo a chegar a um destinatário incómodo…
Depois de, em Dezembro último, o Prof. Freitas do Amaral ter prometido um maior controlo sobre aqueles voos, pelo que nos apercebemos, talvez ele tenha deixado o cargo em boa hora, não se desse o caso de alguma das suas viagens acabar em tragédia…

Luís Moleiro Santos, aderente do BE

Friday, September 01, 2006

Sobejos para os pobres












Sobejos para os pobres





No seu número 152, o jornal “A Página da Educação” publica, com algum desenvolvimento, um interessante dossier sobre os “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”.
Numa altura em que se sabe que as promessas dos países desenvolvidos, no sentido de erradicar os maiores males que atingem o Terceiro Mundo, caem, muitas vezes, em saco roto, é bom divulgar, o mais possível, o “compromisso inédito” que os 189 Estados Membros da Assembleia Geral das Nações Unidas tomaram no ano 2000. Esse compromisso contém oito objectivos principais, com “metas quantificáveis” que, na sua maioria, deverão ser atingidas até 2015.
Resumidamente, podemos destacar os objectivos pretendidos e as metas a atingir:

Objectivo 1: Erradicar a pobreza extrema e a fome.
Metas até 2015: Diminuir para metade a percentagem de pessoas que vive com menos de 1 dólar por dia e a percentagem de pessoas que sofrem de fome.

Objectivo 2: Atingir a universalidade do acesso ao ensino básico.
Meta até 2015: Garantir que todas as crianças possam completar um ciclo de ensino básico.

Objectivo 3: Promover a igualdade entre os géneros e o fortalecimento do papel da mulher na sociedade.
Meta até 2015: Eliminar as desigualdades de género no acesso ao ensino básico e secundário (de preferência até 2005) e nos restantes níveis antes de 2015.

Objectivo 4: Reduzir a mortalidade infantil.
Meta até 2015: Reduzir em dois terços a taxa de mortalidade das crianças menores de 5 anos.



Objectivo 5: Melhorar a saúde materna.
Meta até 2015: Reduzir a taxa de mortalidade materna em três quartos.

Objectivo 6: Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças.
Meta até 2015: Deter e começar a reduzir a propagação do VIH/SIDA.

Objectivo 7: Garantir a sustentabilidade do meio ambiente
Metas até 2015: Incorporar gradualmente princípios de desenvolvimento sustentável nas políticas internas de cada país; inverter o desperdício de recursos ambientais; reduzir para metade a percentagem de pessoas sem acesso a água potável e saneamento básico; melhorar a vida de 100 milhões de habitantes de bairros de lata (até 2020)

Objectivo 8: Fomentar uma aliança mundial para o desenvolvimento.
Metas até 2015: Acompanhar as necessidades dos países menos desenvolvidos, dos países em desenvolvimento e dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento; elaborar um sistema financeiro e de comércio aberto previsível e não discriminatório; encarar com um critério global os problemas das dívidas dos países em desenvolvimento; elaborar e aplicar estratégias que proporcionem aos jovens um trabalho digno e produtivo; proporcionar o acesso a medicamentos essenciais a um custo razoável; partilhar os benefícios das novas tecnologias da informação e da comunicação.

Professor; Luis Moleiro


Sunday, August 20, 2006

O Bloco tem obra


O Bloco tem obra


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É voz corrente entre os cidadãos eleitores e, de um modo geral, entre a população que “os deputados” à Assembleia da República (AR) não fazem nada. “Os” significa, em bom português, “todos”. Esta é uma visão distorcida do que se passa no órgão legislativo português, cuja responsabilidade é, em grande parte, de alguma comunicação social, nomeadamente, a televisiva. O que dá audiências e faz vender jornais e revistas não é o trabalho sério de produção legislativa no sentido de melhorar o bem-estar dos portugueses mas as fofocas e as questões polémicas.
Contudo, não deixa de ser verdade que há muitos deputados incompetentes e cábulas que apenas fazem número, enganando quem os elegeu, à espera que apresentassem obra.
Relativamente à legislatura que acaba de encerrar, penso que nenhum telejornal abriu nem nenhum periódico apresentou, em primeira página, o trabalho realizado por cada um dos grupos parlamentares representados na AR. Informações deste tipo acabam por nos chegar, quando chegam, quase dissimuladas, em longínquas páginas interiores da comunicação social que se interessa por assuntos mais sérios ou através da Internet.
Parece uma contradição mas a verdade é que o mais pequeno grupo parlamentar, o do Bloco de Esquerda, com 8 deputados, foi o que apresentou o maior número de iniciativas legislativas. Nada menos de 87 projectos-de-lei, dos quais 14 foram aprovados em votação final global, tendo 7 dado origem a lei. Também é curioso que o PS, detentor do maior grupo parlamentar, tenha apresentado, apenas, 35 projectos-de-lei, só suplantado, pela negativa, pelo CDS/PP. O PSD com 75 deputados, por sua vez, apresentou menos de metade das iniciativas legislativas do BE.
Estes factos são indesmentíveis e demonstram quem, de facto, trabalha e quem finge que faz alguma coisa.
Numa altura em que se fala, com frequência, na alteração das regras eleitorais e da diminuição do número de deputados na AR, é bom que se reflicta sobre a proficiência dos vários partidos representados no órgão legislativo. A diminuição do número de deputados não levaria, de modo nenhum, ao aumento da eficácia da produção de leis mas a uma bipolarização em que os partidos mais pequenos e mais laboriosos seriam, praticamente, afastados, com a consequente diminuição da qualidade do trabalho legislativo.
De salientar que o número de iniciativas legislativas dos dois partidos à esquerda do PS – BE e PCP – com um total de 20 deputados, foi mais do dobro dos restantes, todos juntos.
Voltando à ideia, cara a muitos poderes fácticos, de que na AR não se trabalha e que há deputados a mais, o que, de facto, incomoda esses poderes não são os deputados que não trabalham mas aqueles que os “chateiam” e que os põem em causa.
Aqui é que está o busílis do problema, em relação ao qual o cidadão comum deve estar atento e procurar informar-se para que não se sinta defraudado com a escolha que faz no acto da votação. As melhores garantias que os partidos oferecem aos eleitores não são as promessas, durante a campanha eleitoral, mas o trabalho já realizado. Neste aspecto, o BE tem um currículo invejável.

Luis José Moleiro dos Santos
(*) Professor, aderente BE

Saturday, August 19, 2006

ELEIÇÕES NO BRASIL



HELOISA HELENA, EXPULSA DO PT POR DENUNCIAR VIOLENTAMENTE A CORRUPÇÃO NO INTERIOR DO PT, É CANDIDATA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL!


A metamorfose da ética petista no poder


Heloísa Helena

04 de junho de 2005

O PT no governo tornou-se menos rigoroso no combate à corrupção?

Infelizmente, sim! E a minha tristeza em constatar é maior, não apenas porque dediquei os melhores anos da minha vida para ajudar na construção do PT mas especialmente porque todos esses infames episódios legitimam no imaginário popular que a vigarice política e a demagogia eleitoralista constituem atributos "essenciais" para a personalidade dos políticos e para a conquista das instâncias de poder, consolidando a generalização perversa.
Mas, como já disseram há muito tempo, "o que se não pode calar com a boa consciência, ainda que seja com repugnância, é força que se diga". Qualquer pessoa de bom senso, independentemente de convicções ideológicas ou filiação partidária, apenas zelosa da honestidade intelectual, identifica claramente um abismo entre o que o PT se comprometeu ao longo de sua história e o que passa a realizar como ação de governo e funcionamento partidário após tocar os tapetes do Palácio do Planalto.
Além do que podem revelar estudos sobre a subjetividade humana nas deslumbradas demonstrações explícitas de embevecimento com o luxo no convescote do poder, existem muitas e dolorosas contradições e traições às concepções programáticas e referenciais éticos da esquerda socialista e democrática.
De um lado, o aprofundamento da política econômica do governo FHC, autenticando, assim, a verborragia neoliberal e potencializando a saltitante alegria dos que chafurdam na pocilga do capital.
De outro lado, o plágio descarado à carcomida metodologia do governo passado na "partilha" do aparelho de estado, condenada com ferocidade quando estávamos na oposição e hoje executada de forma "primorosa" sob a égide do cinismo e da dissimulação.
Às vezes, nem conseguimos acreditar no que estamos a ver. Da omissão cúmplice diante dos crimes contra a administração pública patrocinados pelo governo passado à distribuição de cargos, prestígio e poder a ilustres conhecidos delinqüentes de luxo que sempre parasitaram o espaço público com a leniência dos governantes. Se trágico não fosse, deveríamos rir ao identificar a vil reprodução pelo PT -e demais excelências da base de bajulação do atual governo- dos mesmos argumentos fraudulentos da cantilena enfadonha utilizada pelo PSDB e cia. no governo FHC.
Em todos os momentos em que são apresentadas ao público denúncias graves de corrupção, imediatamente os cúmplices do PT e os neolulistas procuram desvairadamente reproduzir o "conhecimento" acumulado nas anteriores "operações abafa" para abafar também.
É impressionante o coeficiente de "criatividade zero" das excelências para obstaculizar investigações. Usam e abusam das mesmas explicações tucanas, números e números, das operações da Polícia Federal etc, e muita publicidade.
Sobram, entretanto, inúmeras perguntas sem resposta no campo da ética, ao menos entendida como profetizava Casaldáliga: "Ética na política é vergonha na cara e amor no coração".
Por que aplicam o mesmo condenável balcão de negócios para impedir a CPI, comprando parlamentares e aprimorando a promiscuidade entre Congresso e governo?
Por que assumem uma posição golpista contra o Parlamento, impedindo o exercício da nobre tarefa de fiscalizar os atos do Executivo?
Por que a "agenda positiva" para o país só aparece como manobra, ridícula tática diversionista, para ludibriar a sociedade e impedir que sejam desvendados os mistérios sujos da corrupção?
E o silêncio implacável da cúpula palaciana do PT diante de tantas perguntas mutila, à pior das navalhas, a alma e o coração de muitos que ajudaram a eleger o presidente Lula e a construir o que era o maior partido de esquerda da América Latina e se transformou, ao assumir a maior instância de decisão política do Brasil, na simplória propaganda do triunfo neoliberal e amoral.
Mesmo que sintamos tal qual disse Mário Quintana: "Da primeira vez em que me assassinaram,/ Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.", a vida continua, e o generoso, honesto, lutador povo brasileiro continua renascendo a cada dia em coragem, solidariedade e esperança.
E nós, que no PT já estivemos, analisamos com serenidade a paixão que nos cegou a ponto de não termos identificado, há mais tempo, a degeneração partidária. E seguimos lutando, engolindo nossos medos, colando nossos pedacinhos quando o mundo da política se encarrega de nos quebrar, acariciando as cicatrizes, porque elas testemunham que estamos no campo de batalha e não nos acovardamos para nos lambuzar no banquete farto do poder e, celebrando a esperança, continuamos acreditando na construção de um Brasil soberano, ético, igualitário, fraterno, socialista.
Até porque, como diz o nosso Ledo Ivo: "Meu coração está batendo/ sua canção de amor maior./ Bate por toda a humanidade,/ em verdade não estou só". CPI já!

Heloísa Helena, 42, professora licenciada da Universidade Federal de Alagoas, é senadora pelo P-SOL de Alagoas. Foi vice-prefeita de Maceió (92-94) e deputada estadual (94-98).Fonte: Folha de São Paulo, 4 de junho de 2005.

Friday, August 18, 2006

LIBANO


















Ester Mucznik não fala por mim




26/07/06
(após leitura da crónica habitual de Ester Mucznik no Público de 21 de Julho de 2006)



Artigo de Alan Stoleroff, judeu, professor de sociologia no ISCTE.







Enquanto todos os jovens israelitas são obrigados a servir o Estado nas forças armadas, Ester Mucznik (a nossa própria "Investigadora em assuntos judaicos") é uma voluntária, oferecendo os seus serviços à máquina propagandística sionista gratuitamente e por convicção identitária. Contudo, a sua apologia, composta na "calma tensa" de Tel Aviv, da solidariedade da população israelita face à realidade da guerra, inclusive dos deputados árabes (mentira), não deve impressionar muito a opinião pública informada em Portugal ou na Europa em geral.
Mesmo aqueles que assumem o seu "ocidentalismo" nas "guerras culturais" actuais não ficam indiferentes à "desproporcionalidade", ou seja, à brutalidade e criminalidade, da resposta das forças armadas israelitas à provocação (irresponsável),do Hizbollah do dia 12 de Julho que se baseia nos princípios de castigo colectivo e na estratégia explícita do uso da força máxima. O quartel -general da força aérea israelita anunciou que foram 23 toneladas de bombas a atingir a sede do Hizbollah em Beirut!
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Mesmo quem não viu as fotografias da destruição do sul de Beirut, onde o povo do Hizbollah se concentra, entende que não é com avisos à população que se vai evitar que a matança transbordasse para a população civil quando se deixa cair 23 tonelados de bombas numa zona urbana. Ou será que as forças armadas israelitas identificam todos os shias com Hizbollah, e portanto todos (idosos, mulheres, crianças, homens não-pertencentes às milícias) são alvos - secundários mas aceitáveis porque os danos colaterais são um mal menor quando se trata da segurança de Israel?
Em Beirut e no sul do Líbano não reina uma "calma tensa"; reina a fuga das populações civis deliberadamente e assumidamente provocada pelas forças armadas israelitas, e reina a guerra, a invasão de forças terrestres israelitas que se confrontam directamente com as tropas do Hizbollah numa tentativa de operação de limpeza. Vamos ver se o exército israelita (IDF) efectua uma limpeza: se tratarem dos cadáveres abandonados pelas populações em fuga, se recolherem os mísseis iranianos de Hizbollah, se criarem de novo uma zona tampão entre o Líbano e o norte de Israel etnicamente limpa das populações shiitas apoiantes do Hizbollah para que uma força internacional aceitável ao governo israelita possa reocupá-la.
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É interessante e revelador que Ester Mucznik nos escreve que as coisas não voltarão à situação anterior que foi criada pela retirada "voluntária" de Israel do sul de Líbano e de Gaza (ou seja, o Hizbollah e a resistência palestiniana não tiveram qualquer impacto nas decisões de retirada das duas zonas?!?). Ester Mucznik agora junta a sua voz aos proponentes da direita que criticam Barak e Sharon por terem alterado as formas de ocupação desses territórios, a segunda com base na política da "separação unilateral" e "convergência".
Estes comentários de Mucznik são reveladores porque representam um pensamento israelita de que é necessário agora acabar uma tarefa, ou seja, acabar com "eles". Apesar de ser identificado como "traidor" à causa judaica em sites da extrema-direita sionista, enviam comunicados para o meu endereço de e-mail (se calhar pensam que um judeu sempre será susceptível à "solidariedade" racista e nacionalista) e um último comunicado a circular foi mesmo neste sentido que parafraseio assim: "Aproveitemos da situação, em que o mundo ocidental compreende a justiça da nossa resposta aos ataques ao nosso território soberano e aos raptos dos nossos soldados corajosos e puros, para acabarem uma vez por todas com eles.!" No caso do sul de Líbano o quartel geral das IDF está a anunciar que a operação vai durar algum bom tempo além da semana que Bush e Condoleza atribuíram para o trabalho.
Mas Mucznik não escreveu sobre a guerra aos palestinianos em Gaza e não acho que foi um esquecimento: é para confundir a sequência de acontecimentos que produziram a ofensiva israelita contra Gaza com a provocação do Hizbollah no norte. Sobre a situação em Gaza Mucznik critica Vital Moreira (que caracterizou os actos militares das forças de resistência palestiniana do Hamas e Jihad Islâmica como "resistência legítimo à ocupação") para nos fazer entender que também no sul é Israel que é vítima de agressões dos islamitas, como se pudesse comparar o lançamento de rockets caseiros Quassans aos ataques de F-16s e Apaches, como se pudesse comparar a captura de um soldado israelita ao aprisionamento e rapto de milhares de palestinianos militantes da resistência e suspeitos de resistência. (É sabido que no dia anterior à captura do soldado Shalit, a tropa israelita tinha raptado vários palestinianos do Hamas em Gaza.)
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Portanto, tudo serve para liquidar a crítica à ocupação israelita que dura quase 40 anos.
Em vez de fazer apologia e elogio a esta tendência de solidariedade e de fechamento das fileiras da população israelita Mucznik deveria criticar a continuação de uma estratégia desastrosa para o Estado de Israel e para a segurança relativa da população do Estado. A paz e o reconhecimento mútuo não virão do "reafirmação da dignidade e da força dissuassora" das forças armadas israelitas; só virá o ódio de povos dilacerados e humilhados.
Este governo do Kadima, com a ajuda do líder de Labor, Peretz, dirigente da Histadrut, ex-proponente do "processo de paz" como o seu colega, Peres, Prémio Nobel que foi o autor da violência contra Líbano na campanha "Grapes of Wrath", escolheu esta estratégia da resposta maciça de forma análoga como tem vindo a desenvolver a sua estratégia de "convergência", ou seja, da delineação unilateral das fronteiras de Israel e de anexação e de consolidação do apartheid. Toda a evolução que produziu a conjuntura actual deriva da política de Israel e dos EUA em negarem os resultados da eleição democrática na Palestina, para recusar a negociação do que quer que seja, porque não há parceiro aceitável para tal, esta política que é um corolário da política dos EUA de Bush e Cheney para Iraq e o Médio-oriente.
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Toda a política de Israel, desde a sua rejeição sob o governo de Netanyahu de qualquer simulacro de um "processo de paz", tem sido a negação de oportunidades para a obtenção de paz e para uma resolução dos conflitos, coberta por um discurso hipócrita e duplíce , e como a maior parte da política de Israel desde as guerras de 67 e 73, estas políticas "fracassaram" produzindo sempre as consequências não-intencionadas de políticas de curto prazo e curta visão cínica.
A invasão do Líbano para esmagar a OLP em 1982 produziu Hizbollah, a promoção do Hamas como contrapeso à Fatah durante a primeira Intifada resultou na expansão do movimento islamista contra os corruptos e ineptos que regressaram de Tunísia, a ganância para manter e expandir os colonatos após os acordos de Oslo e a arrogância estúpida de ter explorado e humilhado Arafat e a Autoridade Palestiniana e não ter produzido um acordo final e justo quando havia uma oportunidade, a tentativa de isolamento do governo de Hamas.
Mas a realidade é que desde Netanyahu - com o intervalo do governo de Barak que também perdeu as suas oportunidades diplomáticas devido à duplicidade que derivou do tratamento arrogante de Arafat e da questão dos refugiados - desde então a estratégia do Estado de Israel não tem a ver com um "processo de paz" no sentido da resolução do conflito político territorial com base na solução de dois estados viáveis.
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A paz procurada pela política israelita era a submissão dos palestinianos a um estado fantoche fundado sobre bantustans e a anexação sem compensação da maior parte dos colonatos de Cisjordânia.
Em contraste com Ester Mucznik escrevo a partir de Lisboa onde consigo distanciar-me da claque da nosso tribo e consigo ver o sofrimento e a tragédia tanto dos palestinianos e dos libaneses como dos israelitas. Contudo estou também consciente da desproporcionalidade brutal na contagem das vítimas, e a desvantagem não é do lado do "meu povo", muito longe disso e em todos os indicadores.
Lembro-me que a vitimização do Holocausto não justificará nunca a política racista baseada na vingança contra todo o mundo e sobretudo os povos árabes e islâmicos. Rejeito a política da administração Bush/Cheney de destruição do Iraq e do Médio-Oriente e rejeito a estupidez e a cegueira teimosas que nos levam a negar que seja a ocupação dos territórios palestianos conquistados em 67 a causa profunda e básica de guerra e a não ver que esta guerra vai arrastar o mundo inteiro para o desastre.
Ester Mucznik não fala por mim; estou do lado dos 500-600 israelitas que se manifestaram em Tel Aviv no domingo da semana passada contra a guerra e contra a ocupação.
Alan Stoleroff, judeu, professor de sociologia no ISCTE, Lisboa, 21 de Julho de 2006

À atenção da comunicação social


Bloco de Esquerda Portimão
Telef. – 91 817 83 29
8500 Portimão



Portimão, 12 de Agosto de 2006

À atenção da comunicação social

Assunto: As “trapalhadas” do Pavilhão Multiusos em Portimão – Bloco vai apresentar Requerimento.

O Secretariado do Núcleo do Bloco de Esquerda de Portimão, depois de analisar os processos de constituição da Expo Arade – Sociedade Anónima e de construção do Pavilhão Multiusos, no Parque de Feiras e Exposições e, em particular, o facto de na Assembleia Municipal Extraordinária do passado dia 1 de Agosto em que se discutiu o assunto, a mesma se ter tornado inconclusiva, decidiu apresentar um Requerimento ao Executivo da Câmara Municipal de Portimão. Este Requerimento ao executivo camarário tem por objectivo obter alguns esclarecimentos e respostas que a Câmara não soube, ou não quis dar ao Bloco de Esquerda na referida Assembleia Municipal Extraordinária.
Assim, em nome da moralidade – que o Governo PS tanto apregoa mas que afinal, é só para alguns –, mas também em nome do rigor e da total transparência, o Bloco de Esquerda pretende saber o seguinte:
1. Quais os motivos e que implicações advêm pelo facto de se ter verificado uma diferença tão significativa – 150 mil euros – no capital social de constituição da Expo Arade S. A., quando em Assembleia Municipal (de 6 de Março) foi aprovada a quantia de 200 mil euros, mas a escritura do contrato de sociedade (assinada em 29 de Março) estipulou o capital social de apenas 50 mil euros.
2. Quais os elementos da Câmara Municipal (autarcas ou outros) que fazem parte dos órgãos sociais da Expo Arade S. A.
3. Se os referidos elementos auferem alguma remuneração ou qualquer tipo de regalias por ocuparem cargos nos órgãos sociais da mesma empresa.
4. Como se encontra a distribuição das acções pelas diferentes empresas accionistas da Expo Arade S. A.
5. Finalmente, quais os membros que do Conselho de Administração são accionistas da empresa e qual o montante de acções que detêm individualmente.
O Secretariado do BE considera de grande gravidade caso a construção do Pavilhão Multiusos viole o Plano Director Municipal e o Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação, não se terem realizado, para uma melhor segurança, estudos e trabalhos geológicos criteriosos aos terrenos com características de sapal e não se ter providenciado a declaração de interesse público municipal. Não se podem aceitar os argumentos camarários de que era “urgente” a construção da obra.
A Câmara Municipal de Portimão é a grande responsável por todas as “trapalhadas” que estão a envolver o Pavilhão Multiusos. Mas a oposição de direita, PSD e CDS/PP também tem a sua quota de responsabilidade, pois ao pretender protagonismo demonstra que não é credível na oposição que faz à maioria PS. Todos os vereadores e deputados municipais destes três partidos políticos, funcionando como um autêntico bloco central, votaram, ou não se opuseram à constituição de uma sociedade anónima com privados – a Expo Arade S. A., em que os privados detêm 51% do capital social e a Expo Arade Empresa Municipal detém 49%. Como se comprova, quem controla a nova sociedade será o sector privado, cujo principal objectivo será o lucro a obter à custa dos dinheiros públicos. A oposição de direita devia assim ter levantado no passado dia 6 de Março os problemas que hoje coloca.
Os Deputados Municipais do Bloco de Esquerda foram dos poucos que na altura votaram contra a constituição da referida sociedade privada, assim como de outros pontos complementares, advogando o manifesto prejuízo da coisa pública e criticando o bloco central que, não raras vezes, se forma na Assembleia Municipal e noutros órgãos autárquicos.


O Secretariado do Núcleo
do Bloco de Esquerda de Portimão




Tuesday, August 01, 2006

Texto de Ana Cardoso Pires

Não é matar o mensageiro: mas as notícias dos nossos repórteres televisivos são abaixo de cão! "O espectáculo tem de continuar", foi tudo o que lhes ficou para a vida, da mentalidade à la Teatro D. Maria de antigamente.
Este texto do Muawad [escritor, dramaturgo, guionista...] foi o primeiro a fazer-me sentir (de) dentro de uma guerra...
Não concordo com algumas coisas no texto -- mas também nunca vivi uma guerra!
De repente, surgiu como tudo o que me faltava para perceber o nojo que sinto com aqueles relatos amestrados: "A reunião é dentro de três dias", "Israel precisa de mais 14 dias", "morreram 7 soldados"...
Onde ficam as pessoas, no meio destas "peças"!?!
Enquanto não vir um daqueles repórteres abonecados ter a coragem de mostrar as pessoas da rua, chamá-las pelos nomes e lembrar que podem estar mortas no próximo bombardeamento, não tenho mais respeito pelo seu trabalho!

Bêjos, algures no meio da tranquilidade enquanto é possível

Ana --